Hospitalidade baiana: receber algo de coração é bom. Ainda mais quando esse algo vem com outros corações embutidos na coisa dada.
Por Paulo Atzingen, de Salvador*
Os mimos e agrados que recebemos ao chegar em um hotel minimizam o estresse da viagem, aplacam o cansaço das horas de voo e nos coloca no centro de uma verdade: temos valor e fomos distinguidos por sermos o que somos e, só por isso, ou por tudo isto, somos agradados, incensados como peças importantes na economia hoteleira. Sim, somos às vezes, mais um hóspede, mas distintos, diferenciados; semelhantes em necessidades, mas trazemos uma indiscutível individualidade e ela é captada por essa gente que estuda e pratica a ciência e a arte da hotelaria: os hoteleiros e as hoteleiras.
Ao entrar no quarto do Novotel Salvador Rio Vermelho, em Salvador, uma cesta com produtos da terra me esperava. Na hora me veio à mente a música de João Gilberto, “No tabuleiro da baiana tem“… A minha individualidade é despertada pela força da terra baiana, pela variedade e capacidade do trabalho baiano, que vem das lavouras do cacau e do café, das roças de cana-de-açúcar e dos engenhos de cachaça.
Sobe-me à mente a ideia acelerada de todo o processo do cultivo, colheita, produção, transporte e consumo. Mas entra-me pelo peito uma gratidão aos profissionais deste hotel que me recebem com essas iguarias, regionais e universais; da camareira, da governanta, à gerente-geral. Sobe-me ao peito um sentimento de gratidão misturado com solidariedade aos produtores rurais, aos pequenos agricultores, aos que enviaram, que empacotaram, transportaram a geleia de umbu de Manoel Vitorino, o chocolate de Ilhéus, o café de Piatã, da Chapada Diamantina, a castanha de Caju de Juazeiro, a cachaça de Paramirim, do Alto Sertão baiano. Em cada produto vejo a mão da trabalhadora e do trabalhador baiano, brasileiro.
(…)
Essa cesta também me faz pensar no que ainda precisa chegar à mesa de quem a tornou possível. Em 2025, a renda domiciliar por pessoa na Bahia foi de R$ 1.465 por mês, segundo o IBGE, abaixo da média brasileira de R$ 2.316. Toda essa riqueza de sabores, saberes e trabalho precisa florescer também na vida de quem planta, colhe e acolhe. Que o sol da Bahia, e sua abundância, simbolizado nesta gerbera, encontre lugar à mesa de cada uma dessas pessoas com seus corações cordiais e seus corações baianos por natureza.
Obrigado Novotel Salvador Rio Vermelho!
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