Alexandra Matos Ramos: ‘Mulheres que escrevem o turismo do Brasil’

O primeiro contato com Alexandra Matos Ramos foi por telefone. O sotaque de carioca autêntica queria me oferecer uma pauta de um hotel no Rio de Janeiro que realizaria uma grande festa de Réveillon em um ano que lá se foi.

por Paulo Atzingen*


A voz parecia de uma menina e havia muita espontaneidade, uma vibração boa que descrevia os serviços que o hotel iria oferecer somada ao chiado característico das nascidas no Rio. Nasceu uma amizade por telefone e esse hotel nunca mais deixou de ser noticiado no DIÁRIO. Anos depois, encontro com Alexandra Matos em um congresso da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Goiânia e a conheço pessoalmente. Fala rápida, texto veloz, inteligência refinada lhe outorgaram o direito em assessorar a associação hoteleira nacional em vários mandatos. No entanto, esse talento reconhecido pelo mercado tem um pano de fundo que vem lá do passado, de Minas Gerais, que Alexandra reconectou agora e que ela própria relata a seguir, com toda sua alma e suas letras:

Desencontros e Encontros 

Por várias coincidências, em diversos momentos, minha vida esteve entrelaçada ao turismo. Nasci e cresci dentro de um hotel, onde morei até os 15 anos com a minha avó, numa cidade chamada Cambuquira, em Minas Gerais, município que faz parte do círculo hidromineral do sul do estado e conhecido por ter a segunda melhor água mineral do mundo.

Me mudei para o Rio para morar com a minha mãe aos 15 anos para fazer o ensino médio, que nessa época se chamava segundo grau, pois na minha cidade só tinham cursos à noite. Então, eu vim para o Rio morar com a minha mãe e aqui fiquei. Fiz meterologia com o objetivo de depois fazer zootecnia ou agronomia para voltar para Cambuquira e morar com a minha avó. Porém, os planos mudaram e eu acabei fazendo jornalismo e logo no meu primeiro estágio – numa empresa chamada JLS Comunicação –  trabalhei com a jornalista Luíza Sampaio que atendia uma empresa chamada AHT – Associação de Hotéis 5 Estrelas do Rio de Janeiro.

Não muito tempo depois, Luiza Sampaio abriu a Arteiras Comunicação e me chamou para ser sócia dela. A AHT se fundiu com a ABIH/RJ – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Também passamos a atender muito hotéis como o Meridian, Ipanema Plaza, rede Othon e a Rede Luxor, além do Petrópolis Convention Bureau e da Soletur e muitas outras empresas e entidades do setor de hotelaria e turismo. E, paralelo a isso, minha família, continuava com o hotel em Minas Gerais.

Dez anos se passaram e eu trabalhando como coordenadora das contas de turismo da Arteiras Comunicação decidi me desligar da empresa e abrir meu próprio negócio também na área de comunicação. Outra coincidência enorme é que meu primeiro cliente foi a ABIH Nacional, cujo presidente da época era o senhor Álvaro Bezerra de Melo que era da rede Othon. A minha ex-sócia na Arteiras também atendia a rede Othon.

Então minha vida profissional e pessoal, o tempo inteiro, quase sempre foram permeadas pelo turismo e a hotelaria, desde criança, pois eu cresci dentro de um hotel. Alguns anos se passaram, terminei a sociedade e fui trabalhar com diretora de comunicação da Secretaria de Estado de Turismo, depois fui para o setor de transportes e fiquei dois anos na área e quando sai, voltei para a área de turismo, atendendo novamente a ABIH Nacional, mas agora sob a gestão do Dilson Fonseca e depois nos mandatos do senhor Manuel Linhares durante até hoje.

E assim, por coincidências, o turismo sempre esteve presente, seja na minha atividade profissional ou na vida pessoal. Porém, nunca trabalhei, nunca fiz nada em favor do turismo de Cambuquira ou para o hotel. Só que agora, em outubro passado, minha avó morreu e eu herdei o hotel da família.

Alexandra, ao lado dos avós, em Cambuquira (MG)

Cambuquira é uma cidade onde o turismo já não é uma vertente há muito tempo. Uma cidade que, como milhões de outras do Brasil, foi esquecida pelos seus prefeitos. E, hoje, eu tenho um hotel para administrar em plena pandemia, que é o único da cidade, e ainda não sei muito bem o que fazer com ele, porque a minha avó durante 60 anos é que mandou e comandou o negócio. Além disso, estamos todos meio perdidos por causa dessa pandemia. Então, na verdade, o momento que eu estou vivendo, me coloca diante de algumas questões: serei hoteleira? Vale à pena ser hoteleira? Esse vai ser realmente meu destino? Não sei. Estou, como todos, à espera de um sinal que pode vir, porque não, diretamente dos céus ou com a vacinação da população brasileira. A sorte está lançada…


*Paulo Atzingen é jornalista

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2 COMENTÁRIOS

  1. Que história magnífica. Grande profissional. Se eu pudesse dar palpite- sou de uma família grande onde o palpite é obrigatório- diria” assuma o hotel da tua infância. Tu farás a diferença nessa cidade”.jurema Josefa

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