Para muitos brasileiros, a ansiedade de uma viagem aos Estados Unidos não termina quando o avião pousa. Antes de iniciar o roteiro de férias, compras ou compromissos profissionais, os visitantes precisam passar pela entrevista de imigração, etapa considerada decisiva para a autorização de entrada no país.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Embora o processo costume ser rápido, as perguntas feitas pelos agentes ainda geram dúvidas e insegurança entre os viajantes. A recomendação dos especialistas é simples: responder com sinceridade, objetividade e manter coerência entre as informações apresentadas e a documentação da viagem.
De acordo com a advogada de imigração Dra. Larissa Salvador, fundadora da Salvador Law, a aprovação do visto não garante automaticamente a entrada nos Estados Unidos.
“A entrevista tem como principal objetivo confirmar as informações apresentadas pelo visitante e verificar se o propósito da viagem está alinhado com o visto utilizado para entrar no país”, explica.
1. Qual o motivo da sua viagem?
Esta costuma ser a primeira pergunta feita pelo agente de imigração. O objetivo é confirmar se a finalidade da visita é compatível com o tipo de visto utilizado pelo viajante.
“As pessoas acreditam que precisam dar detalhes excessivos ou tentar parecer mais convincentes, quando, na verdade, o mais importante é ser transparente. Se a viagem é para turismo, basta informar isso e, se solicitado, apresentar informações sobre o roteiro, hospedagem ou duração da estadia. O oficial busca consistência entre o que está sendo dito e os documentos apresentados”, afirma Salvador.
2. Quanto tempo você pretende ficar nos Estados Unidos?
Outra pergunta bastante comum envolve a duração da estadia. Os agentes costumam comparar a resposta do viajante com passagens, reservas de hospedagem e demais comprovantes da viagem.
“É importante saber exatamente quantos dias pretende permanecer no país e apresentar informações coerentes com passagens, reservas de hospedagem e demais documentos”, orienta Larissa.
3. Você conhece alguém nos Estados Unidos?
A questão busca identificar se o visitante possui familiares, amigos ou outros vínculos no país. Segundo a especialista, ter conhecidos nos Estados Unidos não representa um problema. O importante é fornecer informações verdadeiras e consistentes.
Quando o turista informa que ficará hospedado na casa de um familiar ou amigo, é comum que o agente solicite detalhes adicionais sobre a hospedagem e o relacionamento entre as pessoas envolvidas.
“Quando o viajante afirma que ficará hospedado com um familiar ou amigo, é natural que o oficial faça perguntas adicionais para confirmar a coerência das informações. Se a pessoa sabe onde vai ficar, quem vai receber sua visita e qual é o objetivo da viagem, geralmente consegue responder com tranquilidade”, afirma Larissa.
4. Quanto dinheiro você está trazendo?
Os agentes também podem questionar como o visitante pretende custear sua permanência nos Estados Unidos. Cartões de crédito, extratos bancários, comprovantes financeiros e reservas já pagas ajudam a demonstrar capacidade para arcar com as despesas da viagem.
A análise busca verificar se o turista possui recursos compatíveis com o período de permanência informado durante a entrevista.
5. Qual é a sua profissão?
Embora pareça uma pergunta simples, a ocupação profissional do viajante é considerada uma informação importante para as autoridades de imigração.
Segundo Larissa Salvador, o objetivo é compreender quais vínculos o visitante mantém com seu país de origem e quais são os motivos que justificam seu retorno após a viagem.
“A imigração procura entender se o viajante possui razões concretas para retornar ao seu país de residência após a viagem. Um emprego formal, um negócio próprio, compromissos acadêmicos, são exemplos de elementos que demonstram laços com o Brasil e ajudam a contextualizar o propósito da visita aos Estados Unidos”, explica.
A especialista ressalta que não existe uma profissão considerada mais favorável ou desfavorável para aprovação da entrada no país.
Transparência é a melhor estratégia
Apesar da preocupação que a entrevista costuma gerar, a advogada destaca que o processo não deve ser encarado como um interrogatório, mas como uma etapa de verificação das informações prestadas pelo viajante.
“Em vez de pensar na resposta perfeita, o viajante deve se preocupar em responder de forma verdadeira e objetiva. A entrevista não é um teste para encontrar contradições, mas um procedimento para confirmar as informações da viagem. Quanto mais natural e consistente for a comunicação, mais tranquilo tende a ser o processo”, conclui a advogada.
Sobre a Dra. Larissa Salvador
Advogada de imigração licenciada na Flórida e em Washington DC, Larissa Salvador é fundadora da Salvador Law, escritório especializado em atender brasileiros nos Estados Unidos. Atua em processos de vistos, regularização migratória e defesa em questões de imigração. Saiba mais em: https://salvadorlawpa.com.




