Festival Internacional da Cerâmica de Cunha chega à 18ª edição entre os dias 29 de maio e 7 de junho com uma programação gratuita dedicada às origens da tradição ceramista da cidade paulista. Com o tema “Raízes”, o evento homenageia paneleiras e oleiros, personagens fundamentais da história moldada pelo barro e pelo fogo em Cunha.
REDAÇÃO e EDIÇÃO DO DIÁRIO com agências
Pela primeira vez reconhecido oficialmente com chancela internacional, o festival reafirma a importância de Cunha como um dos maiores polos de cerâmica artística do Brasil. A tradicional Feira Internacional da Cerâmica, que acontece entre 4 e 7 de junho no Parque Lavapés, reunirá cerca de 100 expositores e fornecedores do Brasil e de diferentes países — o maior número já registrado pelo evento.
Criado em 2005 a partir da mobilização dos próprios artistas locais, o festival nasceu para fortalecer a arte cerâmica produzida na cidade, hoje reconhecida como Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura. Ao longo dos anos, o encontro consolidou-se como um dos mais relevantes do segmento no país, atraindo artistas, pesquisadores, estudantes, colecionadores e admiradores da cerâmica.

Festival Internacional da Cerâmica de Cunha terá mais de 50 atividades
Além da feira, a cidade receberá uma extensa programação cultural, com mais de 50 atividades gratuitas. Entre os destaques estão exposições de arte, apresentações musicais, manifestações populares como a congada, abertura de fornos, workshops, palestras e performances ao vivo de ceramistas produzindo esculturas, modelagens e pinturas.
A expectativa da organização é ampliar ainda mais o alcance do evento. Após receber 19 mil visitantes em 2025, o festival projeta público de 25 mil pessoas em 2026, além de repetir a ocupação de 95% da rede hoteleira da cidade. No ano passado, a movimentação econômica estimada foi de R$ 2,5 milhões, incluindo vendas de peças, gastronomia, equipamentos e serviços.
Segundo Giltaro Suenaga, organizador do evento e descendente da segunda geração de ceramistas japoneses que chegaram a Cunha nos anos 1970, esta será a maior edição já realizada. O objetivo é transformar o FICC em uma referência mundial da cerâmica artística.

Raízes da cerâmica e intercâmbio internacional
Embora a chancela internacional seja novidade, o intercâmbio cultural faz parte da história da cerâmica de Cunha há décadas. A influência de artistas japoneses e portugueses foi essencial para introduzir técnicas que transformaram a cidade em referência nacional na cerâmica de alta temperatura.
Nesta edição, o Festival Internacional da Cerâmica de Cunha contará com convidados de países como Japão, Peru, Argentina e Chile. Um dos destaques será o artista peruano Taki, responsável pela montagem de um forno pré-colombiano de Cuzco, em diálogo com o tema “Raízes”.
O resgate histórico também ganha protagonismo ao homenagear paneleiras e oleiros — figuras ligadas às origens da produção artesanal da cidade. Enquanto as paneleiras produziam utensílios domésticos em barro, os oleiros dedicavam-se à fabricação artesanal de tijolos e outros elementos em argila, práticas que ajudaram a construir a identidade ceramista do município.
Hoje, Cunha reúne cerca de 70 ceramistas e concentra a maior quantidade de fornos Noborigama do país, capazes de atingir temperaturas de até 1.400 graus. A cidade também preserva técnicas variadas, como raku, queima a gás, elétrica e de baixa temperatura.
Como chegar
Cunha está localizada a cerca de 230 quilômetros da capital paulista. O acesso principal é pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), saindo em Guaratinguetá e seguindo pela Rodovia Paulo Virgínio (SP-171). Para quem utiliza transporte público, há linhas intermunicipais entre Guaratinguetá e Cunha.

SERVIÇO
Festival Internacional da Cerâmica de Cunha
Datas: 29 de maio a 7 de junho
Feira Internacional da Cerâmica de Cunha
Data: De 4 a 7 de junho
Local: Parque Lavapés – Rua Francisco da Cunha Menezes, s/n – Vila
Parque Lavapés, Cunha
Entrada gratuita. Livre.
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