A gestão de viagens corporativas vem conquistando cada vez mais espaço nas estratégias das empresas brasileiras. Responsáveis por administrar uma atividade que movimentou R$ 147,8 bilhões em 2025, segundo dados do Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), realizado pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (ALAGEV), esses profissionais assumem hoje atribuições que vão muito além da organização de deslocamentos corporativos.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
O cenário é detalhado no estudo “Panorama do Gestor de Viagens no Brasil 2026: desafios, oportunidades e expectativas”, desenvolvido pela ALAGEV com patrocínio da Paytrack. O levantamento ouviu 119 profissionais entre março e abril deste ano e traça um retrato atualizado da carreira, dos desafios da área e das perspectivas para o futuro.
Os resultados mostram que a gestão de viagens corporativas passa por um período de transformação. Ao mesmo tempo em que ganha relevância dentro das organizações, o setor ainda busca avanços em eficiência operacional, integração tecnológica e reconhecimento profissional.
Perfil dos gestores de viagens no Brasil
A pesquisa revela que a área é predominantemente feminina. As mulheres representam 84% dos profissionais entrevistados, enquanto os homens correspondem a 16%.
Em relação à faixa etária, a maior concentração está entre profissionais de 35 a 44 anos, que representam 45% da amostra. Na sequência aparecem os gestores com idade entre 45 e 54 anos, responsáveis por 23% das respostas.
O levantamento também aponta um elevado nível de qualificação. Mais da metade dos profissionais possui pós-graduação lato sensu ou MBA (55%), enquanto 35% têm graduação. Além disso, 70% investem regularmente em cursos, treinamentos e certificações voltados ao segmento.
Diferença salarial ainda preocupa
Apesar da forte presença feminina no setor, o estudo aponta desigualdades salariais significativas.
Segundo a pesquisa, 61% dos gestores recebem até R$ 8 mil mensais. Entre as mulheres, a concentração é maior nas faixas salariais de até R$ 5 mil e entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Já os homens aparecem proporcionalmente em cargos com remunerações mais elevadas, que podem ultrapassar R$ 12 mil por mês.
O levantamento indica ainda que a diferença salarial se amplia ao longo da carreira. Após uma década de atuação na área, a distância entre os rendimentos de homens e mulheres pode chegar a quase uma faixa salarial completa.
“A diferença salarial entre gêneros, sobretudo nos níveis mais elevados de remuneração, é um dado que chama a atenção, ainda mais porque a equiparação salarial de gêneros é uma pauta de extrema relevância. O levantamento contribui para ampliar uma discussão importante sobre desenvolvimento de carreira, oportunidades de crescimento e valorização profissional em um setor que passa por um processo de transformação e amadurecimento”, afirma Luana Nogueira, diretora-executiva da ALAGEV.
Profissionais acumulam múltiplas responsabilidades
A pesquisa mostra que a gestão de viagens corporativas raramente funciona de forma isolada nas empresas.
De acordo com os dados, 74% dos gestores também são responsáveis por outras áreas, como recursos humanos, compras, financeiro, facilities e eventos. Além disso, 43% dos entrevistados atuam há mais de dez anos no segmento, o que reforça seu papel estratégico dentro das organizações.
“A gestão de viagens deixou de ser uma atividade predominantemente operacional. Hoje, o profissional participa de discussões relacionadas à eficiência financeira, governança e experiência dos colaboradores, o que exige atualização constante e uma atuação multidisciplinar”, diz a executiva.
Redução de custos lidera lista de desafios
Controlar despesas continua sendo o principal desafio enfrentado pelos gestores de viagens corporativas.
O estudo aponta que 73% dos profissionais citam a redução de custos como principal preocupação. Na sequência aparecem questões relacionadas ao compliance (60%), à falta de integração entre sistemas e processos (54%) e ao engajamento dos viajantes (52%).
Segundo a ALAGEV, o papel desses profissionais deixou de ser exclusivamente operacional e passou a envolver decisões estratégicas ligadas à governança e à eficiência corporativa.
“Os desafios da área deixaram de estar concentrados apenas na gestão de orçamento. Hoje existe uma combinação de fatores que envolve tecnologia, dados, governança e comportamento dos viajantes. Isso exige uma atuação cada vez mais estratégica dos gestores”, afirma Luana Nogueira.
Transformação digital avança, mas ainda encontra barreiras
Embora as empresas estejam investindo cada vez mais em tecnologia, a digitalização da gestão de viagens corporativas ainda não é uma realidade completa.
Apenas 30% das operações possuem alto nível de automação. Em contrapartida, 71% dos gestores afirmam conviver com processos manuais em alguma etapa da operação.
Entre as ferramentas mais utilizadas estão os Online Booking Tools (OBTs), presentes em 85% das empresas, seguidos por sistemas de Business Intelligence (68%) e plataformas ERP (64%).
A Inteligência Artificial também começa a ganhar espaço no setor. Atualmente, 91% dos gestores já utilizam algum recurso de IA em suas atividades. No entanto, apenas 7% contam com a tecnologia integrada diretamente às plataformas de gestão.
A digitalização aparece, inclusive, como principal prioridade de investimento para 48% das empresas participantes da pesquisa. Outros focos incluem negociação (23%), segurança (10%) e iniciativas relacionadas a ESG (6%).
Qualidade dos dados ainda limita decisões
A pesquisa também identificou desafios relacionados à confiabilidade das informações utilizadas nas operações.
Segundo os resultados, 44% dos gestores consideram que possuem apenas precisão moderada nos dados disponíveis. Outros 17% classificam a confiabilidade como baixa, enquanto 11% afirmam trabalhar com informações fragmentadas ou inconsistentes.
O cenário é ainda mais delicado em operações fortemente dependentes de processos manuais. Nesses casos, 83% dos profissionais afirmam não confiar totalmente nos dados utilizados, o que pode impactar decisões estratégicas, negociações com fornecedores, controle financeiro e ações de compliance.
Para a ALAGEV, o estudo contribui para ampliar a compreensão sobre a evolução da gestão de viagens corporativas e os desafios enfrentados pelos profissionais da área.
“O levantamento oferece um retrato consistente de quem são os profissionais que lideram a gestão de viagens corporativas no Brasil e dos desafios que acompanham a evolução da área. Nossa expectativa é que essas informações ajudem empresas e profissionais a identificar oportunidades de desenvolvimento e fortaleçam ainda mais o papel estratégico da gestão de viagens nos próximos anos”, conclui Luana.




