HOTÉIS desperdiçam energia. Adivinha quem paga? – por Fábio Steinberg*

Quase 20% das contas de luz estão erradas, estima a Eletrobrás, responsável pela geração, transmissão e distribuição de energia no país. Se o problema já parece grave, o que dizer do recente aumento das tarifas em até 70%?

Quanto aos hoteleiros brasileiros – 70% deles sem pertencer a uma rede – restam dois caminhos.  O primeiro é corrigir as perdas dentro de casa, com medidas que chegam a economias de até metade do consumo. A segunda, mais cômoda e infelizmente a mais adotada, é transferir os custos para as diárias.

“A nossa energia é hoje a mais cara do mundo, e de péssima qualidade”, explica o engenheiro Gerson Sampaio Filho, dirigente da Tekner, uma consultoria de gestão estratégica e eficiência energética voltada para o mercado hoteleiro e empresarial. Ele demonstra isto pela comparação internacional de tarifas mais impostos – estes, que no Brasil chegam a 52% do total, contra uma média mundial de 4%.

Medido por MWh (megawatts / hora), pagamos R$ 274, seguidos pela Dinamarca com R$ 222, o Japão (R$ 214) e Holanda (R$ 167). Já países muito mais ricos como os Estados Unidos (26º mais caro, com R$ 81) e Canadá (31º, com R$ 60,) perceberam a importância estratégica da energia para o desenvolvimento e cobram entre 3 e 5 vezes menos que o Brasil.

Para Sampaio, a situação atual se deve à falta de planejamento, com medidas sem qualquer critério de longo prazo. Pior: são decisões equivocadas que acabam poluindo nossa matriz energética com usinas térmicas de baixo rendimento, construídas e operadas em critérios políticos, gerando fortunas para alguns e prejuízos para toda a sociedade.

Esta situação catastrófica estimulou a ascensão de um novo tipo de atividade: os caçadores de energia perdida. São equipes especializadas em obter economias, começando por medições e investigação de cabos oxidados ou vazamentos causados por instalações antigas ou mal realizadas. Mas o trabalho não para por aí. Inclui ações preventivas, como separar a conta de luz por áreas de controle, transferir custos para as empresas terceirizadas, estabelecer medições e metas de consumo, usar gases de refrigeração bem mais econômicos, substituir lâmpadas convencionais por LED, estudar sistemas alternativos como o solar e eólico, geração local ou cogeração (vapor e eletricidade), entre outras.

Quando se trata de economia de energia, a regra número 1 para os hotéis é mudar a atitude. Isto quer dizer que é para não aceitar passivamente uma conta como se fosse um ato divino consumado. E muito menos transformar o bolso do cliente em para-raios de despesas operacionais mal geridas.

Fábio Steinberg é carioca, administrador e jornalista. Tem três livros publicados: Ficções Reais, Ficciones Reales (espanhol), Viagem de Negócios e O Maestro. É fundador do blog Viagens & Negócios

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1 COMENTÁRIO

  1. Neste quesito de custos operacionais, um detalhe que merece destaque é o mercado reagir frente às questões que o atual governo está impondo: se pagar caro por serviços, motivado pela falta de investimentos: efetivamente necessários e justificáveis, como a temática da energia elétrica; por mais que o consumidor residencial economize, a conta continua vindo alta. Imagina numa atividade comercial como a hoteleira que atende a um público eclético: na questão de administrar o quanto cada hóspede irá consumir de energia elétrica em sua estadia. Irá variar de pessoa para pessoa, em conformidade com a conscientização da necessidade de utilizar sem desperdício, evitando por exemplo, ambientes iluminados (como banheiros) sem ter ninguém nele. Na internet, via operadoras de telefonia móvel, estamos presenciando o surgimento da “franquia de internet”, o que impõe mais uma vez, se pagar caro por serviços que muitas vezes fica inoperante. Quem é de minha geração (faixa de 40 a 50 anos) e tem formação em Administração, sabe que é algo de se ficar perplexo, a empresa poder definir o quanto irá ofertar (prestação de serviço) ao cliente. Não faz sentido termos crédito de celular e não podermos usar a internet porque a franquia definida pela operadora, expirou. Já pensou se a “moda pega” e os supermercados, fármacias e TV/s abertas definirem o quanto cada cliente póde consumir! Esta na hora do empresariado e clientes mostrarem sua importância na economia: restabelecendo o efetivo direito de empreender uma atividade e o efetivo direito do consumidor dispor da quantidade de produto e/ou serviços que desejar, ainda mais quando já tenha sido pago antecipadamente (modalidade pré-pago).

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