“O turismo só se torna verdadeiramente competitivo quando deixa de depender de ações isoladas e passa a ser conduzido por políticas públicas permanentes, construídas de forma participativa e capazes de atravessar diferentes gestões.” Essa foi a principal mensagem de Vanessa Paganelli, técnica do Conselho Empresarial de Turismo (Cetur) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), durante a palestra “Vai Turismo: Políticas Públicas para um Turismo Sustentável e Competitivo”, realizada nesta segunda-feira (4), no Encontro Fluminense FBHA – Integração do Turismo Regional, no Hotel Sesc Alpina, em Teresópolis.
Por Paulo Atzingen, de Teresópolis*
Vanessa apresentou os resultados do programa Vai Turismo, iniciativa do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da CNC que mobiliza o trade para formular propostas de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do setor. As recomendações são elaboradas em cada estado, entregues aos candidatos antes das eleições e acompanhadas posteriormente por meio de um painel de monitoramento.
Turismo precisa de continuidade
Segundo a palestrante, o turismo depende de planejamento contínuo e de uma construção coletiva.
“É uma necessidade da coletividade. Precisamos compreender, priorizar, planejar, implementar e monitorar políticas públicas para corrigir a rota sempre que necessário.”
Ela ressaltou que políticas públicas bem estruturadas beneficiam turistas, empresas, trabalhadores e moradores ao ampliar a competitividade, gerar segurança jurídica, qualificação profissional, melhorar os serviços públicos e valorizar a identidade local.


Programa fortalece governança
Vanessa explicou que o Vai Turismo surgiu durante a pandemia, após a CNC constatar que, em 2018, apenas seis estados incluíam propostas para o turismo em seus planos de governo.
“O turismo praticamente não estava na agenda política dos candidatos.”
A partir desse diagnóstico, o programa passou a reunir representantes do setor para definir prioridades estaduais, elaborar propostas e acompanhar sua execução.
Ela também destacou a atuação integrada da CNC com federações, sindicatos, Sesc e Senac, combinando formulação de políticas, turismo social e qualificação profissional.


Inteligência para orientar investimentos
A metodologia do programa segue os nove eixos dos Destinos Turísticos Inteligentes (DTI Brasil), do Ministério do Turismo, organizando grupos de trabalho estaduais para definir prioridades e fortalecer a governança regional.
Hoje, o painel do Vai Turismo monitora cerca de 2.700 projetos, que somam aproximadamente R$ 11 bilhões em investimentos. A plataforma permite comparar o desempenho dos estados e acompanhar iniciativas alinhadas ao Plano Nacional de Turismo e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
No Rio de Janeiro, lembrou Vanessa, a oficina reuniu 24 participantes, que definiram acessibilidade e governança como prioridades, reforçando que o potencial turístico do estado vai muito além da capital.
Planejamento além dos mandatos
Na conclusão da palestra, Vanessa defendeu que municípios adotem a mesma metodologia para assegurar a continuidade das políticas públicas.
“Reúnam o trade, os guias, os empresários e todos os envolvidos para construir um documento de políticas públicas e entregá-lo aos candidatos. O objetivo é garantir continuidade.”
Ela observou que a interrupção de projetos a cada mudança de governo continua sendo um dos principais obstáculos ao desenvolvimento do turismo.

Encerrando sua participação, Vanesssa reforçou que atrativos naturais, por si só, não garantem competitividade. “Não adianta termos apenas os atrativos. Precisamos de políticas públicas que sustentem a experiência do visitante. O turismo exige planejamento, estrutura e gestão para que o destino seja realmente competitivo”, pontuou.
O Encontro Fluminense FBHA foi promovido pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), com apoio institucional da CNC, Sesc RJ e Senac RJ, além do apoio da Fecomércio RJ, Sebrae RJ e de entidades do turismo e do comércio de Teresópolis. Criado em 2023, o projeto já percorreu diversas cidades fluminenses, fortalecendo a integração entre os segmentos de hospedagem, alimentação e turismo.
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