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Imigrante ou Expatriado – Crônica de Osvaldo Alvarenga*

O brasileiro é muito bem recebido em Portugal. No geral, os portugueses nos conhecem melhor do que nós a eles

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–Ah, já falas bem o português.

–Estou treinando.
–Puxas assim um pouco para o gerúndio.
–É difícil perder, mas estou a praticar…

A Iêda chegou e nos interrompeu para me perguntar qualquer coisa e eu respondi.

–Eia pá! Então tu és brasileiro?
–Sou uai; de onde você pensou que eu fosse?
–Não sei, pensei que fosses estrangeiro, tu não te pareces brasileiro…

A conversa continuou. Foi esta manhã na peixaria do Pingo Doce, a peixeira e eu.

O brasileiro é muito bem recebido em Portugal. No geral, os portugueses nos conhecem melhor do que nós a eles. Conhecem a nossa música, conhecem as nossas expressões, sabem das nossas praias, das nossas paixões, da nossa política, dos nossos problemas, já provaram alguma coisa da nossa gastronomia e ainda há quem veja as nossas novelas. Sentem pelo Brasil algo parecido com o sentimento dos pais de um filho que partiu e, bem sucedido, esqueceu da família, há muito não volta para revê-los na cidadezinha natal: orgulham-se, compreendem, perdoam e admiram o filho que julgam especial.

Dependendo de onde se vá em Lisboa o sotaque brasileiro é mais frequente que o português. Não só turistas ocupando as mesas dos restaurantes, há muito brasileiro do outro lado do balcão também. Somos muitos nesta cidade que é também um pouco do mundo todo.

É como se o filho estivesse amadurecendo e começasse a reconhecer nos pais e na própria origem interiorana valores que antes não via: o brasileiro está descobrindo Portugal. E é recebido aqui como compatriota e não como estrangeiro.

Mas a recepção não é igualmente calorosa para todos. Há mais carinho, admiração e, às vezes, até uma pontinha de submissão para quem chega com dinheiro e investe aqui ou simplesmente vive bem sem ter que trabalhar. Muito diferente daquele vem em busca de trabalho, pior será se for alguém sem formação e humilde.

Mas a recepção não é igualmente calorosa para todos. Há mais carinho, admiração e, às vezes, até uma pontinha de submissão para quem chega com dinheiro e investe aqui

Imigrante e expatriado, sabe a diferença? Ouço com alguma frequência por aqui uma e outra expressão; varia conforme quem a usa ou sobre quem se fala. São substantivos que adjetivam as pessoas: imigrante é o estrangeiro pobre, aquele que foi obrigado a deixar seu país em busca de mais oportunidades; expatriado é o estrangeiro considerado rico que veio para Portugal, mas poderia viver em outro país qualquer. Se expatriado, importa menos a nacionalidade ou a cor, será bem recebido por toda gente. Se imigrante, a cor e a origem contam, poderá ser mais ou menos discriminado. Xenofobia não é um mal português, o país está entre os menos xenófobos da Europa, mesmo assim há muito preconceito; os ciganos que o digam.

Especial é o tratamento reservado aos brasileiros. Entre os lusófonos somos os mais queridos e melhor tratados. Se expatriado são quase mitificados. Se imigrantes, sofrem como sofrem todos com maus empregos em Portugal: o mercado de trabalho é diminuto e baixos os salários.

Imigrante é o estrangeiro pobre, aquele que foi obrigado a deixar seu país em busca de mais oportunidades; expatriado é o estrangeiro considerado rico que veio para Portugal (Crédito: DT)

Toda gente sabe disso

O país é pequeno e está perdendo população. Nascem poucos, morrem uns tantos, muitos vão embora e o número de imigrantes não é suficiente para fechar essa conta. O país está diminuindo e envelhecendo rápido demais, precisa estancar o êxodo português e atrair mais estrangeiros. Toda a gente sabe disso. E já que é necessário abrir as portas, que seja para os brasileiros.

Sobre o articulista: 

Osvaldo Alvarenga, tem 54 anos, reside em Lisboa e escreve para os blogs: Flerte, sobre lugares e pessoas e Se conselho fosse bom…, sobre vida corporativa e carreira. Atuou por 25 anos no mercado de informações para marketing e risco de crédito, tendo sido presidente, diretor comercial e diretor de operações da Equifax do Brasil. Foi empresário, sócio das empresas mapaBRASIL, Braspop Corretora e Motirô e co-realizador do DMC Latam – Data Management Conference. Foi diretor da DAMA do Brasil e do Instituto Brasileiro de Database Marketing – IDBM e conselheiro da Associação Brasileira de Marketing Direto – ABEMD, dos Doutores da Alegria e, na Fecomercio SP, membro do Conselho de Criatividade e Inovação.

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