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Iphan tomba definitivamente a casa que conta a história de formação de Campinas (SP)

“O Iphan reconhece a Casa Grande e Tulha como Patrimônio Cultural do país como forma de preservar e valorizar esse importante símbolo da identidade e memória do povo paulista e brasileiro”, destaca a presidente do Iphan, Larissa Peixoto

Edição DIÁRIO com agências

A Casa Grande e Tulha, Antiga Chácara das Campinas Velhas que conserva a história de formação da cidade de Campinas (SP), foi eleita Patrimônio Cultural Brasileiro.

O tombamento foi publicado no Diário Oficial da União pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia federal da Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo.

O bem está inscrito no Livro de Tombo Histórico desde 2015 por aprovação do Conselho Consultivo do Iphan, que considerou a importância do local para a compreensão da história da região. O processo de tombamento foi aberto no ano 2000 a pedido do então proprietário Antonio da Costa Santos.

Com o tombamento em nível federal, quaisquer intervenções na Casa Grande e Tulha, bem como em seu entorno, passam a exigir manifestação prévia do Iphan.

“O Iphan reconhece a Casa Grande e Tulha como Patrimônio Cultural do país como forma de preservar e valorizar esse importante símbolo da identidade e memória do povo paulista e brasileiro”, destaca a presidente do Iphan, Larissa Peixoto.

A Casa Grande e Tulha também é tombada em níveis municipal e estadual. É a segunda edificação protegida pelo Iphan na cidade de Campinas, que também abriga o Palácio dos Azulejos, tombado desde 1967.

A Casa

O local compõe a trajetória de formação da cidade de Campinas (1774) e seus ciclos econômicos. Representa a cultura material de construção da economia açucareira e do café entre os séculos XVIII e XIX, bases para a consolidação do projeto industrial paulista.

A Antiga Chácara das Campinas Velhas, que depois passou a se chamar Chácara Paraíso, com suas edificações, é parte de uma antiga propriedade rural, com origem numa das duas primeiras sesmarias concedidas pelo então governador da capitania de São Paulo, Conde de Sarzedas, em 1732.

Na época, o lugar foi destinado à construção de ranchos que deveriam servir de apoio para os viajantes que se dirigissem à região das “Minas dos Goyazes”. Trata-se do primeiro grande eixo de acesso que levou à ocupação do Brasil Central a partir do século XVIII.

Em seu parecer sobre o processo de tombamento, o conselheiro relator Nestor Goulart Reis destacou o excepcional interesse histórico do bem cultural. “Com sua história bem documentada, em uma das regiões mais importantes do país, oferece elementos para compreensão de todas as etapas de sua formação”.

O lugar também foi palco para o desenvolvimento de trabalhos importantes dos pioneiros da engenharia industrial e do urbanismo moderno no Brasil. A descrição cartográfica da fazenda foi feita por Antonio Francisco de Paula Souza, fundador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, no ano de 1880. O documento é fundamental para o Plano de Abastecimento de Água e Saneamento Básico de Campinas.

Na Casa Grande e Tulha também foram feitos estudos e ensaios preliminares de Anhaia Mello, fundador da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Posteriormente, também foram realizados estudos do engenheiro urbanista Prestes Maia, que resultou no Plano de melhoramentos Urbanos de Campinas (1934-938) de remodelação do centro e ampliação da cidade.

A arquitetura das edificações apresenta, até hoje, as características originais da época, com paredes em taipa de pilão. A importância da localidade e do monumento arquitetônico fez com que o local fosse considerado um sítio arqueológico totalmente preservado.

Tombamento

O tombamento é um instrumento para reconhecer e proteger o Patrimônio Cultural, de modo a preservá-lo para as próximas gerações. São contemplados pelo tombamento os bens móveis e imóveis existentes no país e que tenham valor histórico, arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.

Depois de tombados, os bens passam a ser submetidos à fiscalização do Iphan, que verifica as condições de conservação. As reformas, restaurações e outras intervenções nesses bens também precisam ser previamente autorizadas pela autarquia. A responsabilidade pela conservação, uso e gestão do bem continua a ser do proprietário.

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