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O Encontro de Dois Prí­ncipes – por José Augusto Wanderley*

Você sabia que há uma história sobre o piloto e autor do livro “O Pequeno Príncipe”, Antoine de Saint-Exupéry com o bisneto de Dom Pedro II, imperador do Brasil e fundador da cidade de Petrópolis?

O príncipe, Dom João de Orléans e Bragança, segundo na linha sucessória do trono imperial brasileiro, conseguiu ter alguma conexão com o nosso poeta-aviador.

A fase de aventuras da vida de Dom João começa quando ele, após grandes esforços, consegue entrar para a aviação naval brasileira e torna-se piloto de primeira linha. Aí o cenário já lembra Saint-Exupéry, com a mistura dos perigos da carreira à reflexão de suas experiências de voo que se tornaram livros e poesias mais tarde.

O príncipe surge como homem do mundo, convivendo com celebridades, lindas mulheres, reis e governantes. Em uma de suas paradas em Nova York, através de um amigo em comum, o jornalista e também aviador francês Jean Gerard Fleury, o príncipe Dom João, que estava de viagem para receber o equipamento Vultess para trazê-lo ao Brasil, é apresentado a Saint-Exupéry, já famoso pelo lançamento de seu livro “Terra dos Homens”.

Jean Gerard Fleury acabou reapresentando dois grandes homens que também tinham a aviação como paixão e assunto em comum.

O príncipe aviador (Crédito: arquivo pessoal)

Fleury também teve sua relação com o Brasil: viveu no Rio de Janeiro, onde morreu e escreveu um dos livros mais notáveis sobre a aviação, intitulado “A Linha”. E vejam só a coincidência, Saint-Exupéry, quando apresentado ao príncipe, logo o reconheceu como seu companheiro de juventude, das aulas de desenho de Madame Papin, em Paris, na escola mundialmente mais famosa na formação de artistas e pintores, a Escola de Belas Artes, logo após o término da Primeira Grande Guerra, em 1918. Essa importante escola foi fundamental para a evolução artística de Saint-Exupéry, onde pode-se perceber claramente em seus desenhos anos mais tarde, em “O Pequeno Príncipe”.

O encontro de Saint-Exupéry e Dom João, ocorreu no período em que a família imperial já era exilada com a proclamação da República no Brasil. Dom João foi levado pela Princesa Isabel e o Conde D’Eu para aprender arte nessa conceituada escola. Depois de se reencontrarem por assim dizer, Saint-Exupéry gostou de saber que agora Dom João também tinha relação com a arte e na aviação assim como ele.

Neste encontro, Dom João pôde notar o semblante cansado de Saint-Exupéry, já exausto com a guerra. Tamanha foi a afeição um com o outro, que Saint-Exupéry se queixava amargamente dos absurdos da guerra praticados pelos nazistas.

E uma curiosidade, é que quando o príncipe estava em Nova York, era na época, integrante da Aviação Militar Brasileira. Quando retorna ao Brasil, as próprias forças armadas o desaconselharam a voar pelos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial (assim como Saint-Exupéry), já que era da Família Real, e obviamente todos temerem por uma perda, como de fato teve, com um dos filhos da Princesa Isabel, depois de sequelas gravíssimas na Primeira Guerra Mundial.

Colaborou: Jornalista Nicole Vieira


José Augusto Cavalcanti Wanderley é administrador, jornalista, publicitário e o criador da casa da cultura do Pequeno Príncipe, a “La Grande Vallée”, em Itaipava, no Rio de Janeiro. É ali que Augusto Wanderley inspira os ares da Mata Atlântica e se inspira na obra e na vida do escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry. Augusto Wanderley recebeu títulos de destaque como Homem de RH e Marketing Best do Estado do Rio de Janeiro, é cidadão Petropolitano e Embaixador do Turismo pelo Rio de Janeiro por seus serviços prestados à preservação da memória da aviação.

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