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O que mudou nos aviões e aeroportos 25 anos após o 11 de Setembro

Portas reforçadas na cabine, raio-X, controle de bagagens e restrições a líquidos estão entre as mudanças que transformaram a experiência nos aeroportos

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias

Passar a bagagem pelo raio-X, esvaziar os bolsos, retirar objetos durante a inspeção e enfrentar controles cada vez mais rigorosos antes do embarque virou parte da rotina de quem viaja de avião. Muitos desses procedimentos, porém, ganharam força após os atentados de 11 de setembro de 2001, que completam 25 anos nesta sexta-feira (11).

Os ataques nos Estados Unidos mudaram profundamente os protocolos de segurança da aviação comercial e influenciam até hoje a experiência dos passageiros nos aeroportos.

“Esta tragédia foi um divisor de águas para a Aviação, porque os níveis de segurança tiveram que ser aumentados. Até hoje, sem sombra de dúvida, a experiência no aeroporto continua sendo influenciada por esse fato”, afirma Alexandre Faro, coordenador do curso Aviação da Universidade Anhembi Morumbi, integrante da Ânima Educação.

Cabine dos pilotos passou a ter acesso restrito

Uma das mudanças mais importantes adotadas depois dos atentados foi o reforço das portas das cabines de comando e a criação de protocolos mais rígidos para controlar o acesso aos pilotos.

Antes de 2001, visitar a cabine durante uma viagem era uma experiência relativamente comum, especialmente para crianças e apaixonados pela aviação.

“Antes do 11 de setembro, a cabine de pilotagem fazia parte de algo relacionado à experiência do voo. Era muito comum que crianças visitassem o local e pessoas aficionadas pela aviação fossem até lá e tirassem fotos”, conta Faro.

Depois que sequestradores assumiram o controle de quatro aviões comerciais nos ataques de 2001, impedir o acesso não autorizado aos comandos das aeronaves tornou-se prioridade.

“A cabine passou a ser algo inviolável”, acrescenta.

Novas ameaças trouxeram mais regras aos aeroportos

As transformações na segurança aérea não aconteceram de uma só vez. Outros episódios nos anos seguintes provocaram novas alterações nos procedimentos adotados pelos aeroportos.

Em 2002, uma tentativa de utilizar explosivos escondidos em calçados aumentou a atenção sobre sapatos durante as inspeções de segurança.

Quatro anos depois, em 2006, a descoberta de um plano envolvendo explosivos líquidos provocou o endurecimento das regras para o transporte de líquidos na bagagem de mão.

Ao longo dos anos, detectores, scanners, inspeções de bagagens e restrições a determinados objetos passaram a formar sucessivas barreiras de segurança. “Houve um aumento no rigor da inspeção dos passageiros e a área de embarque passou a ser muito mais vigiada”, afirma Faro.

Segurança começa antes do passageiro chegar ao avião

Parte dos procedimentos acontece diante do viajante, mas outra parcela funciona nos bastidores dos aeroportos.

Segundo Faro, o sistema pode ser dividido em quatro grandes frentes: triagem de passageiros, controle das bagagens, monitoramento das áreas operacionais do aeroporto e acompanhamento das aeronaves.

A triagem engloba identificação e inspeção antes da entrada nas áreas restritas. No caso das malas despachadas, as bagagens ficam associadas ao passageiro e passam por monitoramento durante o trajeto até o avião. Caso algo suspeito seja detectado, podem ser encaminhadas para verificações adicionais.

Outra camada envolve o chamado “lado ar”, região operacional dos aeroportos que inclui pátios e áreas próximas às aeronaves, onde o acesso é controlado.

O acompanhamento continua durante a operação do voo, com informações das aeronaves transmitidas e monitoradas pelas companhias aéreas.

Segurança aérea continua em transformação

Mesmo 25 anos depois dos atentados, os protocolos não são considerados definitivos. Novas tecnologias podem melhorar a segurança, mas também criar desafios até então inexistentes.

“Isso vai acontecer ao longo da história da aviação. É uma coisa viva e constante, porque as ameaças nunca estarão totalmente identificadas. Na medida em que há evolução da tecnologia, também pode haver evolução nas formas de ataque e de terrorismo”, analisa Faro.

O aumento da segurança também trouxe consequências perceptíveis para quem viaja. Inspeções, filas, scanners e verificações adicionais tornaram o processo de embarque mais demorado e complexo em relação ao período anterior a 2001.

“É necessário? Sim, mas a experiência dentro do aeroporto para o passageiro ficou muito mais cansativa”, avalia.

A herança do 11 de Setembro, portanto, permanece presente em praticamente todas as etapas de uma viagem aérea. Procedimentos hoje vistos como parte natural do embarque foram desenvolvidos ou reforçados ao longo dos últimos 25 anos para tentar reduzir vulnerabilidades e acompanhar a evolução das ameaças à aviação.

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