Medida aplicada a determinados solicitantes dos vistos B1 e B2 pode exigir caução equivalente a cerca de R$ 105 mil; brasileiros não estão incluídos atualmente
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Viajar para os Estados Unidos pode ficar significativamente mais caro para cidadãos de determinados países. Desde 3 de agosto, o governo americano tornou permanente o programa que permite exigir uma caução de até US$ 20 mil, aproximadamente R$ 105 mil, de alguns solicitantes dos vistos B1 e B2.
A medida já alcança cidadãos de cerca de 50 países. O Brasil, por enquanto, não faz parte da lista de nacionalidades submetidas à exigência.
A caução funciona como uma garantia financeira de que o visitante deixará os Estados Unidos dentro do prazo autorizado pelo visto. Caso as condições estabelecidas sejam cumpridas, o dinheiro pode ser devolvido ao viajante.
Apesar de ter caráter migratório, a política também desperta preocupação no setor turístico por criar uma barreira financeira que pode influenciar diretamente a decisão de viajar.
Caução pode chegar a US$ 20 mil
Na prática, o viajante enquadrado na medida precisa comprovar capacidade financeira para depositar o valor determinado pelo governo americano. Dependendo do caso, a garantia pode chegar aos US$ 20 mil.
Embora o dinheiro não represente necessariamente um custo definitivo, a necessidade de deixar uma quantia elevada indisponível durante o processo pode tornar a viagem inviável para parte dos turistas.
A experiência inicial do programa indica que esse impacto pode ser relevante. Nos primeiros dez meses do projeto-piloto, a emissão de vistos B1 e B2 caiu 83% entre os países submetidos à exigência, segundo dados apresentados durante a regulamentação.
O resultado não permite afirmar que toda a redução tenha sido provocada exclusivamente pela caução, mas demonstra como uma exigência financeira elevada pode interferir no comportamento dos viajantes.
Turismo internacional nos EUA registra queda
A discussão ocorre em um momento de retração do turismo internacional nos Estados Unidos. As viagens internacionais ao país recuaram 4,3% no acumulado de 2026 até junho, segundo dados preliminares citados pela U.S. Travel Association.
Entidades ligadas ao setor já demonstraram preocupação com uma possível expansão de medidas capazes de dificultar a entrada de turistas estrangeiros.
Hotéis, companhias aéreas, restaurantes, atrações e outros negócios ligados à cadeia turística dependem diretamente da chegada de visitantes internacionais, tornando qualquer nova barreira de entrada um ponto de atenção para o mercado.
Brasil continua fora da lista
Até o momento, não existe indicação oficial de que brasileiros serão incluídos na política de caução.
Para Fabiano Rocha, CEO e fundador da Jumpstart, o principal ponto de atenção é o fato de a medida ter deixado de ser apenas uma experiência temporária.
“O Brasil segue fora da lista e não há indicação oficial de mudança. O ponto de atenção está no fato de que a caução deixou de ser um experimento e passou a integrar permanentemente as ferramentas da política migratória americana. Para o turismo, isso significa conviver com a possibilidade de novas barreiras justamente quando o setor precisa recuperar visitantes estrangeiros”, explica Fabiano Rocha, CEO e fundador da Jumpstart.
Medida coloca turismo e controle migratório em lados opostos
A política evidencia dois interesses importantes para os Estados Unidos. De um lado, o governo busca reduzir casos de visitantes que permanecem no país além do período autorizado. Do outro, o setor turístico procura recuperar e ampliar a chegada de estrangeiros.
Caso exigências financeiras como a caução sejam ampliadas, a capacidade de reservar milhares de dólares apenas como garantia pode passar a influenciar diretamente a escolha dos turistas.
Assim, uma ferramenta criada para aumentar o controle migratório também pode acabar restringindo o acesso de parte dos viajantes ao turismo nos Estados Unidos.
Sobre a Jumpstart
A Jumpstart atua com assistência imigratória para fundadores, pesquisadores e empreendedores. A empresa utiliza metodologia estatística, inteligência artificial e revisão jurídica em processos migratórios e trabalha com pedidos de vistos como O-1, EB-1A, EB-2 NIW, E-2, L-1 e H-1B.




