Tragédia do voo AF447 volta ao centro das atenções internacionais após a Justiça francesa declarar, nesta quinta-feira (21), a Air France e a fabricante Airbus culpadas pelo acidente aéreo que matou 228 pessoas na rota Rio-Paris, em 2009. A decisão histórica do Tribunal de Apelações de Paris reverte a absolvição concedida às empresas em primeira instância e atribui às duas companhias responsabilidade exclusiva pela maior catástrofe da aviação francesa.
As empresas foram condenadas por homicídio culposo e receberam a multa máxima prevista pela legislação francesa: 225 mil euros, o equivalente a cerca de 260 mil dólares. A decisão foi amplamente repercutida pela imprensa internacional, incluindo veículos europeus que acompanharam o caso desde o início das investigações.
O acidente ocorreu na madrugada de 1º de junho de 2009, quando o Airbus A330 que operava o voo AF447 desapareceu sobre o Oceano Atlântico poucas horas após decolar do Rio de Janeiro com destino a Paris. A bordo estavam passageiros de 33 nacionalidades, entre eles 58 brasileiros, 61 franceses, dois espanhóis e um argentino, além de uma tripulação composta por 12 pessoas.
A nova sentença marca uma reviravolta no processo judicial da tragédia do voo AF447. Em abril de 2023, o Tribunal Correcional de Paris havia absolvido a Airbus e a Air France da acusação criminal, apesar de reconhecer responsabilidade civil das empresas. Na época, os magistrados alegaram que não era possível comprovar uma relação causal definitiva entre as falhas apontadas e o acidente.
No entanto, o Ministério Público francês mudou de entendimento meses depois e pediu a condenação das companhias por homicídio culposo. Durante o julgamento no Tribunal de Apelações, a acusação sustentou que erros operacionais e falhas técnicas contribuíram diretamente para a queda da aeronave.
As investigações sobre a tragédia do voo AF447 apontaram que o congelamento dos tubos de Pitot — equipamentos responsáveis pela medição da velocidade da aeronave — provocou informações inconsistentes nos sistemas do avião em meio a fortes turbulências próximas à linha do Equador. As caixas-pretas confirmaram que a pane desencadeou uma sequência de decisões equivocadas na cabine.
Segundo os procuradores franceses, a Airbus subestimou os riscos relacionados às falhas nos sensores de velocidade e demorou a alertar companhias aéreas sobre a gravidade do problema. Já a Air France foi criticada por não oferecer treinamento adequado aos pilotos para situações de congelamento dos tubos de Pitot em voos de alta altitude.
Durante a audiência, as duas empresas negaram responsabilidade criminal e atribuíram o acidente às reações adotadas pelos pilotos diante da emergência. Ainda assim, o tribunal considerou que houve negligência grave por parte das companhias.
A condenação reacende a dor das famílias das vítimas da tragédia do voo AF447, considerada um dos acidentes aéreos mais emblemáticos da aviação moderna. Em declarações reproduzidas pela imprensa europeia, os promotores franceses afirmaram que a decisão “deve servir de alerta para toda a indústria aeronáutica”.
“Esta condenação lançará uma sombra de vergonha e descrédito sobre estas duas empresas”, declarou o procurador Rodolphe Juy-Birmann, segundo informações divulgadas pela AFP.
DA REDAÇÃO
Com informações da AFP e jornais internacionais.




