A morte de cinco turistas italianos durante uma expedição de mergulho em cavernas submarinas nas Maldivas reacendeu o debate sobre os riscos do turismo de aventura em um dos destinos mais procurados do planeta para atividades subaquáticas. O acidente aconteceu no atol de Vaavu, região famosa pela biodiversidade marinha, pelos recifes preservados e pelos mergulhos em águas profundas que atraem visitantes do mundo inteiro.
REDAÇÃO DO DIÁRIO
Entre as vítimas estão a bióloga marinha e professora da Universidade de Gênova, Monica Montefalcone, sua filha Giorgia Sommacal, além do instrutor de mergulho Gianluca Benedetti, do recém-formado Federico Gualtieri e da assistente de pesquisa Muriel Oddenino. O grupo participava de uma expedição a bordo do iate Duke of York quando desapareceu durante um mergulho realizado na manhã de quinta-feira (14).
Segundo a Força Nacional de Defesa das Maldivas (MNDF), o alerta sobre mergulhadores desaparecidos foi emitido às 13h45 no horário local. As autoridades informaram que o grupo tentava explorar cavernas submarinas localizadas a cerca de 50 metros de profundidade.
Operação de resgate mobilizou mar e ar
As buscas envolveram embarcações, aeronaves e equipes especializadas de mergulho. Um dos corpos foi localizado no início da noite dentro de uma caverna a aproximadamente 60 metros de profundidade.
De acordo com a MNDF, os demais mergulhadores também estariam presos no interior da formação submersa, considerada de difícil acesso e extremamente perigosa. As autoridades locais classificaram a operação como “de alto risco”, agravada pelas condições climáticas desfavoráveis registradas na região.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que o embaixador italiano em Colombo viajou até Malé para acompanhar as operações e prestar apoio às famílias das vítimas.
Veículos internacionais e autoridades locais classificaram o episódio como o pior acidente marítimo da história recente das Maldivas.
Vaavu: o atol que virou referência mundial para mergulho
O atol de Vaavu, onde ocorreu a tragédia, está localizado a cerca de 64 quilômetros da capital Malé e é considerado um dos principais polos de mergulho das Maldivas. A região reúne canais profundos, cavernas submarinas, paredões e intensa vida marinha, características que atraem tanto mergulhadores recreativos quanto praticantes experientes de mergulho técnico.
Conhecido pelas águas cristalinas e pela presença frequente de tubarões, arraias e cardumes tropicais, Vaavu ganhou fama internacional principalmente pelos mergulhos noturnos e pelas experiências em cavernas e passagens submersas.
O turismo de mergulho é um dos pilares da economia maldiva. O arquipélago, formado por cerca de 1.200 ilhas e dezenas de atóis, recebe milhares de visitantes anualmente em busca de resorts de luxo, praias paradisíacas e experiências ligadas ao oceano Índico.
Turismo de aventura exige preparação especializada
Especialistas do setor ressaltam que mergulhos em cavernas submarinas exigem treinamento avançado, equipamentos específicos e planejamento rigoroso. Diferentemente do mergulho recreativo tradicional, esse tipo de exploração apresenta riscos adicionais, como baixa visibilidade, correntes, limitação de saída rápida e profundidades elevadas.
Nas Maldivas, muitos passeios são oferecidos por operadoras especializadas e embarcações conhecidas como liveaboards — iates adaptados para expedições de mergulho de vários dias entre os atóis.
Apesar da imagem de destino paradisíaco, acidentes marítimos e incidentes ligados a mergulho e snorkel não são incomuns no país. Dados divulgados por veículos internacionais apontam dezenas de mortes relacionadas a atividades aquáticas no arquipélago nos últimos anos.
Comunidade acadêmica lamenta mortes
A Universidade de Gênova publicou uma nota manifestando “as mais profundas condolências” às famílias das vítimas. Já a prefeita de Gênova, Silvia Salis, afirmou ao jornal italiano Il Secolo XIX:
“Gênova se une ao luto e à solidariedade, e expressa suas mais profundas condolências às famílias de todas as vítimas envolvidas, seus amigos, colegas, estudantes e todas as pessoas que compartilharam estudos e vidas com eles.”
As causas do acidente ainda são investigadas pelas autoridades das Maldivas.




