Turismo médico: sol, mar e cirurgia – por Fábio Steinberg*

Medicina associada a turismo tem “liga”? A primeira reação é que esta combinação é incompatível, e para alguns até de mau gosto. Mas a prática tem demonstrado exatamente o contrário. De operações cardíacas de by-pass a plásticas estéticas, este negócio está bombando. Basta dizer que impressionantes 143 bilhões de dólares são estimados para este mercado mundialmente em 2022, indica um relatório da Allied Market Research.

 Fatores como custos, disponibilidade, e fácil acesso a serviços de saúde, com apoio de entidades privadas e governamentais do turismo prometem alavancar esta florescente indústria. E, de carona, acirrar ainda mais a concorrência entre países que querem atrair mais pacientes-turistas.

 Na contramão, restrições de cobertura de seguro e limites de reembolso dos planos de saúde, além de dificuldades, como obtenção de vistos e barreiras de idioma ainda limitam um maior desenvolvimento do setor.

 O tratamento de câncer em países das regiões da América do Norte (México, seguido dos Estados Unidos) e Ásia-Pacífico (Tailândia, Cingapura e Índia) mantém a liderança desta nova modalidade de turismo, com a concentração de até 60% da renda gerada.

Em paralelo, o segmento que mais se expande é o neurológico, provocado pelo estilo de vida caótico e estressante da civilização moderna. Tailândia, Malásia, Índia e Cingapura são os países que apresentam as melhores taxas de sucesso em procedimentos clínicos e uma excelente relação custo-benefício.

 Fatores como custos, disponibilidade, e fácil acesso a serviços de saúde, com apoio de entidades privadas e governamentais do turismo prometem alavancar esta florescente indústria

Nesta mesma trilha, surgiram não só agências de viagens especializadas em lidar com tratamentos médicos, como consultorias que fornecem informações sobre a disponibilidade e qualidade dos serviços nos diversos países, assim como suporte para os trajetos e acomodações tanto para antes como depois dos procedimentos, na fase de recuperação. 

Com a facilidade do acesso online, a fórmula que mescla tratamento médico com viagem num só pacote se popularizou. Destinos turísticos se apressam a participar deste promissor mercado, como Dubai, que quer ser conhecida como a “cidade dos cuidados com a saúde”.

A consultoria Transparency Market Research estima um potencial de renda de 32,5 bilhões de dólares em 2019 só para países como Costa Rica, Coréia do Sul, Filipinas, Tailândia, Brasil, Turquia, Índia, Taiwan, Índia, Polônia, Dubai México, Malásia e Cingapura. Ou seja, sem levar em consideração nestes valores os gigantescos e consagrados mercados dos Estados Unidos e Europa. Diante de tão rico filão, até países africanos começam a se interessar.

A mesma consultoria avalia em outro estudo o mercado dental, e aponta como novos polos de atração de estrangeiros a Índia, Turquia e Hungria, embora Alemanha e Inglaterra ainda liderem. Igualmente gulosa, a China tampouco pretende deixar de lado este saboroso mercado, e só em cirurgia plástica abocanhou 100 bilhões de dólares com estrangeiros em 2014.

Na Ásia, os países estão se dividindo por especialização. A Índia está focada em cirurgia cardíaca, enquanto Cingapura domina os procedimentos mais complexos. Já a Malásia, com a firme intenção de atrair 2 milhões de pacientes até 2019, preferiu ampliar sua gama de serviços médicos, implantando para isto uma moderna infraestrutura de serviços e uma rede de profissionais altamente capacitados. 

Por que os Estados Unidos, onde se localizam os centros médicos mais avançados do mundo, exportam tantos pacientes para o resto do mundo? A resposta está nos preços para lá de salgados. Um by-pass que nos Estados unidos sai por 88 mil dólares não passa de 31 mil dólares na Costa Rica. Da mesma forma, um novo quadril que custaria 33 mil dólares é quase três vezes mais barato na Tailândia. A conta de uma plástica se reduz de 6.200 dólares para 2.800 dólares no México.

Claro que a pergunta final e que não quer se calar se refere ao Brasil. Já que contamos com uma medicina de reconhecida qualidade e uma boa infraestrutura turística e uma taxa de dólar muito favorável aos estrangeiros, o que falta para também participarmos deste mercado?  Avaliações e conclusões podem ser enviadas para a portaria do Ministério do Turismo, e quem sabe com sorte serão analisadas por algum futuro titular de plantão.

* Fábio Steinberg é jornalista –
https://blog.steinberg.com.br

1 COMENTÁRIO

  1. Por estudar o Metabolismo, sob a ótica Médica, em virtude de ser paciente hepático (em tratamento, geralmente, por conta própria: pela alimentação e exercícios) desde o segundo semestre de 2005, digo que a Medicina Brasileira está muito voltada ao diagnóstico por imagem. É difícil encontrar um médico que fale sobre Crise Metabólica no contexto em que esta questão se insere: apenas uma Geneticista de Campinas/SP e um Endocrinologista de São José/SC, foram pontuais em comentar sobre o assunto. Entrei em contato com duas conceituadas Instituições Médicas em São Paulo e, obtive como resposta que estão em constante pesquisa. A Medicina é uma área do conhecimento que requer Pesquisas em velocidade idêntica às inovações tecnológicas: não se póde admitir que haja tanta demora em liberar medicamentos, como o que noticiado recentemente e, que dá sobrevida aos portadores de câncer, em que os pacientes estão atestando a melhora antes da conclusão das pesquisas!!! Aliar tratamento médico com turismo, me parece interessante: viajo por orientação médica, para melhora dos problemas de saúde que tenho. Sugiro até interessados em Pesquisas Médicas, como às ligadas à Genética, utilizarem espaços como estes ou redes sociais, para trocarem idéias com pacientes, lembrando, que o Turismo como a Internet, “encurtam distâncias” entre pessoas com objetivos comuns.

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