“Uma das principais conquistas políticas do Vai Turismo foi fortalecer a governança do setor em todos os estados”, afirma o diretor da CNC responsável pelo programa, Alexandre Sampaio
Por Zaqueu Rodrigues (Colaboração)
Em junho de 2021, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lançou o programa Vai Turismo – Rumo ao Futuro, um movimento nacional criado por meio do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur) para fomentar o desenvolvimento do setor após a pandemia de coronavírus.
De lá para cá, o programa se fortaleceu, agregou mais de 300 entidades, e se deparou com o principal desafio do turismo brasileiro: a construção de políticas públicas que fundamentem o desenvolvimento sustentável desse setor estratégico para o país. ‘O turismo tem que ser tratado como política de Estado’, afirma Alexandre Sampaio, diretor da CNC responsável pelo Vai Turismo – Rumo ao Futuro.
Sampaio afirma que o objetivo do programa é contribuir para que isso aconteça, apontando que essa conquista vai proporcionar ao setor o reconhecimento adequado, com “planejamento de longo prazo, segurança jurídica e ações capazes de ampliar a competitividade dos destinos brasileiros, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico”.
A iniciativa Vai Turismo estrutura-se em duas fases. A primeiro consiste na formulação de diretrizes para orientar o poder executivo de cada estado nacional sobre as estratégias, necessidades e políticas públicas para o crescimento responsável do setor. A segunda compreende o acompanhamento dessas políticas públicas, monitoramento de resultados e identificação de engajamento de políticos e sistematização de impactos concretos.


Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações
No dia 8 de julho de 2026, o Cetur entregou aos candidatos à presidência do Brasil o documento Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações, elaborado pelo Vai Turismo – Rumo ao Futuro para direcionar o desenvolvimento do setor no período de 2027 a 2030.
O documento apresenta uma agenda estruturada para a formulação de políticas públicas que trabalhem o turismo como vetor estratégico de crescimento econômico, geração de empregos, desenvolvimento regional e atração de investimentos.
Na apresentação do texto entregue aos presidenciáveis, o presidente da CNC José Roberto Tadros sublinha a relevância do setor: “Fortalecer o turismo brasileiro significa fortalecer o desenvolvimento nacional. Significa gerar oportunidades, impulsionar os pequenos negócios, integrar as regiões, preservar os patrimônios culturais e ambientais e ampliar a competitividade do país”.
A CNC destaca que a iniciativa é uma das principais estratégias nacionais de mobilização institucional para transformar demandas do setor em recomendações de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável do turismo, qualificar trabalhadores, elevar o padrão dos serviços, ampliar a competitividade dos destinos brasileiros e criar oportunidades concretas.
No primeiro ciclo do programa Vai Turismo (de 2022 a 2026) foram mobilizados cerca de 1.800 profissionais, 320 instituições e representantes das 27 unidades da Federação, resultando na elaboração de 28 documentos de propostas para governos estaduais e federal, com 359 propostas de políticas públicas recomendadas.
Agora, para o ciclo 2027-2030, o processo incorporou os aprendizados da primeira etapa, utilizou um banco nacional de boas práticas e promoveu 55 oficinas, reunindo 1.373 representantes dos setores público e privado e aproximadamente 830 instituições em todo o país.
Aline Lopes, gerente do Cetur, explica que Políticas Públicas de Turismo – Propostas e Recomendações é resultado de um amplo processo de escuta e construção colaborativa realizado em todas as unidades da Federação. “As recomendações refletem diferentes realidades regionais, mas convergem para um objetivo comum, que é tornar o turismo brasileiro mais competitivo, inovador, sustentável e preparado para os desafios do futuro”.

Fortalecer a governança do setor em todos os estados
Alexandre Sampaio diz que o Vai Turismo possibilitou muitos avanços. “Uma das principais conquistas políticas foi fortalecer a governança do setor em todos os estados, criando espaços de diálogo entre poder público, iniciativa privada e entidades representativas”.
O executivo considera que essa articulação amplia o compromisso dos gestores com ações estruturantes e de longo prazo, contribuindo para que as políticas de turismo tenham continuidade, independentemente das mudanças de governo, e visando impacto socioambiental positivo alinhado aos Objetivos Desenvolvimento Sustentável (ODS).
As recorrentes mudanças políticas representam um dos grandes desafios para o planejamento a longo prazo do setor. Em 20 anos de Ministérios do Turismo, por exemplo, foram 20 ocupantes da cadeira. Essa rotatividade fruto de escolhas políticas alheias ao turismo, prejudica o setor.
“O Vai Turismo – Rumo ao Futuro ajudou a inserir o turismo nos planos de governo e nas agendas estratégicas de estados onde a atividade ainda não recebia a atenção necessária. Esse é um avanço concreto, porque o turismo somente se desenvolve de maneira sustentável, competitiva e equilibrada quando os setores público e privado planejam e atuam de forma integrada”, assegura Sampaio.
A produção e sistematização de dados são grandes conquistas do Vai Turismo, constata Aline Lopes, ressaltando que elas permitem identificar desafios comuns, comparar realidades e aproximar estados de uma mesma região na construção de ações e programas integrados.
“Essa inteligência territorial fortalece o desenvolvimento regional, otimiza recursos e amplia o alcance das políticas públicas. Com indicadores e monitoramento contínuo, é possível verificar como as ações impactam a competitividade dos destinos, a geração de emprego e renda e, principalmente, a qualidade de vida dos moradores”, afirma a gerente do Cetur.
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