A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de São Paulo (ABIH-SP) realizou, nesta terça-feira (4), uma reunião estratégica sobre os impactos da Reforma Tributária nos meios de hospedagem. O encontro aconteceu no Hilton São Paulo Morumbi, na capital paulista, e reuniu proprietários de hotéis e profissionais das áreas financeira e comercial.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Conduzida por Phelippe Grande e Caio Cunha, especialistas da EY (Ernst & Young), a apresentação detalhou as mudanças previstas no sistema tributário e os desafios que deverão acompanhar a transição para o novo modelo.
Antes do evento, Phelippe Grande, economista e sócio da EY, também participou de um vídeo produzido pelo Portal do Hoteleiro da ABIH-SP. No conteúdo, o especialista explicou os principais reflexos da reforma para a hotelaria e apresentou orientações sobre a emissão de notas fiscais diante das novas exigências.
Reforma pode pressionar as margens dos hotéis
Entre os assuntos discutidos estiveram os possíveis impactos sobre os resultados financeiros e as margens dos empreendimentos, as alterações no fluxo de caixa e o aumento da complexidade operacional.
As mudanças também deverão exigir a revisão de procedimentos internos nas áreas comercial, financeira, contábil e tributária.
Segundo Phelippe Grande, a hotelaria está entre os setores que poderão sentir mais intensamente os efeitos do novo sistema. A menor capacidade de geração de créditos tributários, combinada ao aumento estrutural da carga incidente sobre a receita, tende a pressionar as margens.
O risco será maior quando os novos tributos não forem incluídos adequadamente na formação dos preços. Nesse cenário, parte da carga adicional poderá acabar sendo absorvida pelos próprios hotéis.
Hotelaria deve considerar o preço líquido
Uma das principais recomendações apresentadas durante a reunião foi a adoção do conceito de preço líquido. A proposta é que os hotéis deixem de negociar somente o valor final da diária e passem a detalhar os componentes que formam a tarifa.
A orientação é especialmente importante neste momento, quando os empreendimentos começam a negociar contratos, tarifas corporativas e cartas-acordo para 2027.
De acordo com os especialistas e dirigentes da ABIH-SP, os hotéis devem informar com clareza o valor líquido da hospedagem e destacar separadamente a incidência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
A prática pode aumentar a transparência na composição das tarifas e reduzir o risco de os novos tributos serem integralmente absorvidos pelos empreendimentos, com prejuízos para a rentabilidade.
Mudança exige integração entre diferentes áreas
A adoção da nova forma de precificação não ficará restrita aos departamentos financeiro e contábil. O processo exigirá alinhamento entre as áreas comercial, jurídica, tributária e de tecnologia.
Os hotéis também precisarão revisar sistemas de reservas, contratos, propostas comerciais, canais de distribuição e procedimentos para a emissão de documentos fiscais.
A ABIH-SP destacou que as mudanças deverão ser tratadas como uma transformação estrutural do negócio, com efeitos sobre a negociação comercial, a tecnologia, o planejamento financeiro e a competitividade dos empreendimentos.
Preparação deve começar antes das regras definitivas
A indefinição de determinadas alíquotas e normas operacionais foi outro ponto discutido durante o encontro. Apesar das questões ainda pendentes, os hotéis já comercializam reservas, eventos e contratos corporativos para 2027.
Por esse motivo, a entidade recomenda que os empreendimentos não esperem o início da vigência das novas regras para começar a preparação. Entre as medidas indicadas estão diagnósticos tributários, simulações financeiras e análises sobre os impactos nos preços, contratos, margens e fluxo de caixa.
A relação com fornecedores também deverá ser avaliada para identificar como os créditos tributários serão apropriados ao longo da cadeia. O novo modelo de não cumulatividade e mecanismos como o split payment poderão exigir maior controle dos recolhimentos, integração de dados e atualização dos sistemas.
ABIH-SP aposta na capacitação do setor
Com vagas limitadas e participação exclusiva de hoteleiros, a reunião foi voltada principalmente para proprietários de empreendimentos e profissionais envolvidos diretamente na implementação das novas regras.
A iniciativa faz parte das ações da ABIH-SP para ampliar o acesso da hotelaria paulista a informações técnicas e apoiar os associados na tomada de decisões estratégicas durante a transição tributária.
Para a entidade, a adaptação não deve ser encarada somente como uma obrigação fiscal. As mudanças terão reflexos diretos na precificação, nos contratos comerciais, no planejamento financeiro, na tecnologia e na capacidade competitiva dos hotéis.




