Hugo Dias defendeu que a teoria do caos, aliada à informação, à inteligência artificial e à capacidade de adaptação das empresas, pode transformar cenários de instabilidade em oportunidades de crescimento. A palestra encerrou o Encontro Fluminense FBHA, realizado nesta terça-feira (4), no Hotel Sesc Alpina, em Teresópolis (RJ).
Por Paulo Atzingen, de Teresópolis
O diretor comercial e de marketing da Alterdata Software, Hugo Dias, foi o responsável pela palestra de encerramento do Encontro Fluminense FBHA, que reuniu cerca de 200 empresários, gestores e profissionais dos setores de hotelaria, alimentação e turismo. Com o tema “O Caos como Ferramenta de Transformação das Empresas”, o executivo propôs uma reflexão sobre como organizações podem enfrentar períodos de incerteza e utilizá-los como impulso para inovação e crescimento.
“Quero conversar com vocês sobre o caos e mostrar como ele pode transformar os nossos negócios”, afirmou.
Segundo o palestrante, a inspiração para estudar o tema surgiu dentro da própria Alterdata, empresa que hoje reúne quase dois mil colaboradores. Ele contou que, frequentemente, ouvia dos funcionários que era o “agente do caos” da organização. Em vez de rejeitar o rótulo, decidiu investigar o conceito e compreender de que maneira ele poderia ser aplicado à gestão empresarial.

Hugo Dias explica a teoria do caos nos negócios
Para ilustrar a teoria do caos, Hugo Dias utilizou um exemplo simples: um prego na estrada.
“Você acredita que um prego pode mudar a sua vida?”, perguntou ao público. Em seguida, construiu uma narrativa hipotética: um estudante perde o vestibular porque o ônibus em que viajava teve o pneu furado por um prego. Sem ingressar no curso de Direito, acaba estudando Gastronomia, abre um restaurante, forma uma família e constrói uma trajetória completamente diferente.
A partir desse exemplo, explicou que pequenas mudanças de percurso podem desencadear consequências profundas ao longo do tempo.
Segundo ele, a própria participação em eventos como o Encontro Fluminense FBHA pode representar uma transformação futura para empresas e profissionais. A teoria do caos, afirmou, demonstra que pequenas decisões ou acontecimentos aparentemente insignificantes são capazes de alterar completamente um cenário.
Informação, inteligência artificial e velocidade nas decisões
Durante a palestra, Hugo Dias abordou a evolução dos processos de gestão nas empresas. Ele lembrou que, durante décadas, os relatórios serviam apenas para apresentar fatos já ocorridos. Depois vieram a automação dos processos e, mais recentemente, a Inteligência Artificial.
“O desafio agora deixou de ser olhar apenas para o que aconteceu. A pergunta passa a ser: o que pode acontecer com o meu negócio?”, destacou.
Na avaliação do executivo, o verdadeiro diferencial competitivo das empresas passou a ser a capacidade de transformar dados em informação estratégica.
Ele também fez uma retrospectiva da evolução econômica, lembrando que, se nas décadas de 1940 e 1950 predominavam empresas ligadas ao setor de combustíveis, atualmente o protagonismo pertence às grandes empresas de tecnologia. Segundo Dias, quem domina a informação possui hoje uma vantagem competitiva que até poucos anos atrás era impensável.
A geração Z desafia novos modelos de liderança
Outro ponto central da apresentação foi a transformação das relações de trabalho provocada pelas mudanças geracionais.
Hugo Dias observou que a geração Z já representa aproximadamente 20% da força de trabalho ativa e deverá superar 50% até 2030. Além disso, destacou que esse público movimenta cerca de US$ 3 trilhões em renda global e influencia diretamente os hábitos de consumo da maior parte da população.
“Se você quer que seu negócio cresça, precisa aprender a trabalhar com a geração Z”, afirmou.
Segundo ele, liderar profissionais mais jovens exige novas formas de comunicação, maior abertura ao diálogo e compreensão das mudanças culturais trazidas pelas novas tecnologias. Ao citar experiências pessoais e familiares, ressaltou que ferramentas como WhatsApp, mensagens de áudio e vídeos já fazem parte de uma nova lógica de relacionamento, que precisa ser compreendida pelas lideranças empresariais.
Mudança exige preparo emocional
Ao encerrar sua apresentação, Hugo Dias apresentou a Curva da Mudança, modelo desenvolvido a partir dos estudos da psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross. Originalmente criada para compreender as reações humanas diante do luto e das perdas, a metodologia passou a ser amplamente utilizada no ambiente corporativo para orientar processos de transformação organizacional.
Segundo o executivo, compreender as etapas emocionais da mudança ajuda empresas e equipes a enfrentarem momentos de transição com maior segurança, reduzindo resistências e ampliando a capacidade de adaptação.
O Encontro Fluminense FBHA foi promovido pela Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), com apoio institucional da CNC, Sesc RJ e Senac RJ, além do apoio da Fecomércio RJ, Sebrae RJ e de entidades do turismo e do comércio de Teresópolis. Criado em 2023, o projeto já percorreu diversas cidades fluminenses, fortalecendo a integração entre os segmentos de hospedagem, alimentação e turismo.




