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Annie Morrissey, diretora da rede Bourbon: “continuaremos fiéis à nossa proposta de valor: entregar produto e serviço de alta qualidade”

Annie Morrissey, diretora comercial e de marketing da Rede Bourbon, analisa desafios econômicos e estratégias da hotelaria nacional para o segundo semestre de 2025

Em um cenário marcado por incertezas que impactam diretamente o mercado brasileiro —  — o setor de hospitalidade se vê diante de mais um capítulo de adaptação estratégica. Para compreender os reflexos desse novo contexto e os rumos traçados por uma das redes hoteleiras mais tradicionais do país, conversamos com Annie Morrissey, diretora comercial e de marketing da Bourbon Hospitalidade.

 Ao longo da entrevista, Annie comenta sobre o reposicionamento estratégico para o segundo semestre de 2025, as iniciativas voltadas ao público corporativo e de lazer, o fortalecimento dos canais diretos e a importância da comunicação transparente com os hóspedes — especialmente diante de plataformas de reserva não oficiais que oferecem riscos ao consumidor.

DIÁRIO – A recente imposição de tarifas de 50% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros tem gerado apreensão em diversos setores da economia. Qual sua leitura sobre os possíveis reflexos dessa medida para o setor de hospitalidade e turismo, especialmente no que tange à confiança do investidor e à movimentação do mercado corporativo?

Ainda é cedo para prever os impactos práticos desse anúncio. É preciso observar se, de fato, a medida será implementada e como será operacionalizada. Já vimos esse tipo de decisão ser reavaliada, inclusive com outros países. No entanto, é inegável que movimentos como esse geram instabilidade e o mercado corporativo tende a reagir com cautela em cenários incertos.

A hotelaria brasileira, no entanto, já atravessou momentos econômicos muito mais desafiadores e mostrou resiliência. É um momento que exige adaptação, paciência, estratégia e trabalho. E, acima de tudo, é uma oportunidade para diversificar mercados e clientes, buscando segmentos menos vulneráveis ou mais estáveis diante desse tipo de oscilação.

DIÁRIO – Ainda nesse contexto, o turismo internacional pode sofrer efeitos indiretos, com uma eventual desaceleração econômica e desvalorização cambial. A Bourbon já vislumbra algum tipo de reposicionamento comercial ou de tarifas como resposta preventiva a esse novo cenário?

Temos acompanhado os movimentos do mercado com atenção, mas seguimos otimistas com o crescimento do setor. Em 2025 observamos um ciclo de retomada e ajustes, especialmente com o fim do Perse e a pressão dos custos, especialmente em alimentos.

A Bourbon continua fiel à sua proposta de valor: entregar um produto e um serviço de alta qualidade, que gera reconhecimento e fidelização do nosso hóspede. Nossa experiência de mais de seis décadas nos dá clareza para navegar ciclos econômicos mais complexos e manter a entrega de valor tanto para os clientes quanto para os nossos investidores.

DIÁRIO – Em períodos de instabilidade econômica, muitas redes investem em reforçar o relacionamento com o mercado interno. A Bourbon pretende ampliar esforços de fidelização ou criar campanhas específicas para o público nacional no segundo semestre?

Sem dúvida. Já temos ações em curso voltadas ao nosso público corporativo e a participação ativa em feiras estratégicas, como a ABAV no Rio de Janeiro, o Travel Next em Belo Horizonte e o BTM em Fortaleza — todas localizadas em regiões onde temos presença hoteleira relevante. Nosso foco é fortalecer as relações já existentes, explorar novas oportunidades regionais e estreitar laços com parceiros que compartilham dos nossos valores.

DIÁRIO – Passado o primeiro semestre, quais são os principais direcionamentos da estratégia comercial da Bourbon para o restante de 2025? Quais canais e iniciativas de marketing devem ganhar mais protagonismo nesse novo ciclo?

Nossa estratégia para o segundo semestre está ancorada na diversificação de públicos e na integração entre as áreas comercial e de marketing, com planos segmentados para os mercados B2B e B2C. Estamos fortalecendo nossos canais diretos com foco em performance digital, fidelização e geração de relacionamento de longo prazo.

No mercado de lazer, as experiências com curadoria ganham ainda mais protagonismo. Programações culturais, gastronômicas e de bem-estar são pensadas para criar conexões genuínas com o hóspede, respondendo às novas exigências do consumidor e às oportunidades de mercado com a qualidade e o cuidado com os detalhes que caracterizam a entrega da Bourbon.

DIÁRIO – O comportamento do consumidor tem mudado significativamente, com mais ênfase em flexibilidade, personalização e canais digitais. Como a Bourbon tem trabalhado a comunicação com seus diferentes perfis de hóspedes e quais aprendizados recentes têm norteado as decisões da rede?

O comportamento do consumidor vem evoluindo de forma acelerada: cada vez mais conectado, exigente e em busca de experiências personalizadas e flexíveis. Temos acompanhado essas transformações com atenção e incorporado aprendizados de forma prática e constante em nossas estratégias de comunicação.

Trabalhamos com segmentações refinadas, com campanhas e jornadas pensadas para cada perfil de hóspede. Ao mesmo tempo, temos investido em conteúdo de valor, tanto nos canais digitais quanto nos ambientes físicos como, por exemplo, a Gazetta Bourbon, nosso jornal distribuído em todos os hotéis da rede a cada nova estação. Nosso compromisso é manter a Bourbon como uma marca com essência sólida e, ao mesmo tempo, capaz de dialogar com diferentes gerações e perfis de viajantes.

DIÁRIO – Recentemente, a rede publicou um alerta sobre reservas feitas por plataformas como Viagens Promo, 123 Milhas, Maxmilhas e Lance Hotéis. O comunicado ressalta que essas reservas estão condicionadas ao repasse prévio dos valores. Quais riscos o consumidor corre ao utilizar esses canais não oficiais e qual a orientação da rede para garantir uma experiência segura de reserva?

O consumidor está mais atento e bem-informado do que nunca — e isso é ótimo. Mesmo assim, é importante reforçar: plataformas que oferecem valores fora da realidade ou condições muito abaixo do mercado devem ser analisadas com atenção redobrada. A grande questão é que em caso de imprevistos, esses canais nem sempre oferecem suporte, atendimento pós-venda ou canais de SAC estruturados. O risco de cancelamento sem respaldo ou de reservas não honradas é real. Por isso, sempre orientamos que as reservas sejam feitas diretamente com a rede ou com agentes parceiros credenciados.

 

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