Barcelona decidiu endurecer as medidas contra o turismo excessivo após registrar mais de 26 milhões de visitantes em 2025. A capital da Catalunha, um dos destinos mais procurados da Europa, agora aposta em restrições ao turismo de massa para tentar recuperar a qualidade de vida dos moradores e preservar a identidade local.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do The Guardian
A mudança de postura ganhou força com a nomeação de José Antonio Donaire como primeiro comissário de turismo sustentável da cidade. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele resumiu o novo momento vivido por Barcelona: “Chegamos ao fim da linha. Barcelona atingiu o número máximo de turistas que consegue suportar”.
Cidade quer menos turismo de lazer
Segundo Donaire, o objetivo não é simplesmente fechar as portas para visitantes, mas reduzir o impacto do turismo desordenado. Hoje, cerca de 65% dos turistas que chegam à cidade viajam em busca de lazer, cenário que a prefeitura pretende equilibrar.
A ideia é ampliar o número de visitantes ligados a eventos de negócios e atividades culturais, considerados públicos que geram maior retorno econômico e menor pressão sobre os bairros mais turísticos.
“Não queremos mais turistas, nem mais um sequer, mas precisamos administrar os que já temos”, afirmou Donaire ao The Guardian.
Apartamentos turísticos na mira
Uma das principais medidas anunciadas pela prefeitura é o fim das licenças para cerca de 10 mil apartamentos turísticos legais da cidade até 2028. A expectativa é que boa parte desses imóveis volte ao mercado residencial, ajudando a reduzir a crise imobiliária enfrentada pelos moradores.
O crescimento acelerado de plataformas de aluguel por temporada, como Airbnb, é apontado como um dos fatores que encareceram os aluguéis e afastaram moradores das áreas centrais.
“Atualmente, o estoque habitacional cresce em cerca de 2 mil moradias por ano. Se conseguirmos trazer esses 10 mil apartamentos turísticos de volta ao mercado residencial, será o equivalente a cinco anos de crescimento”, declarou o comissário ao jornal britânico.
La Boquería e cruzeiros também entram no debate
Outro símbolo da mudança será o mercado La Boquería, um dos pontos turísticos mais famosos de Barcelona. A prefeitura pretende limitar a venda de lanches rápidos e fortalecer novamente o comércio de alimentos frescos voltado aos moradores locais.
A cidade também quer reduzir o impacto dos cruzeiros marítimos, diminuindo o número de terminais de sete para cinco. Apesar disso, Barcelona continuará recebendo milhões de passageiros por ano.
Para Donaire, parte desse turismo gera pouco retorno financeiro. Segundo ele, passageiros de cruzeiros “criam mais problemas do que benefícios”, afirmou ao The Guardian.




