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Copa do Mundo 2026 preocupa hotéis nos EUA com baixa procura por reservas

A menos de um mês do início da Copa do Mundo de 2026, o setor hoteleiro da América do Norte começa a demonstrar preocupação com o ritmo das reservas. Apesar da expectativa em torno do maior Mundial da história, com 48 seleções e 104 partidas distribuídas entre Estados Unidos, Canadá e México, hotéis de várias cidades-sede ainda operam abaixo das projeções iniciais.

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do NY Post

Dados divulgados pela empresa de análise imobiliária CoStar e repercutidos pelo jornal New York Post mostram que a ocupação hoteleira em diversos destinos está inferior aos índices registrados no mesmo período do ano passado. A situação levanta dúvidas sobre o impacto real do torneio para o turismo internacional e para a hotelaria.

Algumas cidades mantêm demanda aquecida

Embora parte do mercado esteja abaixo das expectativas, alguns destinos ainda apresentam desempenho positivo. Cidade do México, Monterrey, Dallas e San Francisco aparecem entre os mercados com melhores índices de reservas até o momento.

Segundo analistas do setor, essas cidades possuem fatores que ajudam a sustentar a demanda, como maior fluxo turístico tradicional, infraestrutura consolidada e presença de seleções que costumam mobilizar muitos torcedores.

Já em outros mercados, o cenário é mais tímido. Em Vancouver, por exemplo, a ocupação média dos hotéis nas datas dos jogos está em torno de 39%, abaixo dos 53% registrados no mesmo período do ano anterior. Boston também apresenta retração, com ocupação na faixa dos 32%, contra 44% há um ano.

Nem mesmo a partida entre Brasil e Marrocos, marcada para Nova Jersey, conseguiu impulsionar significativamente a hotelaria de Nova York. Os hotéis da cidade registram cerca de 31% de ocupação para a data do confronto, bem abaixo dos 43% observados anteriormente.

Custos altos e viagens complexas preocupam torcedores

Especialistas apontam que o contexto econômico global pode estar influenciando diretamente o comportamento dos turistas internacionais. O aumento das passagens aéreas, a inflação e os elevados custos relacionados ao evento aparecem entre os principais obstáculos para quem planeja acompanhar os jogos presencialmente.

Outro fator considerado decisivo é o formato inédito da competição. Diferentemente de edições anteriores realizadas em um único país, a Copa de 2026 será dividida entre três nações, exigindo deslocamentos maiores e mais caros para os torcedores que pretendem acompanhar suas seleções em diferentes cidades.

Jan Freitag, diretor nacional de análise de hospitalidade da CoStar, afirmou ao New York Post que o torneio pode acabar se tornando uma “história de dois meses”, com demanda mais fraca nas fases iniciais e crescimento apenas durante os confrontos eliminatórios.

“Nos jogos das fases iniciais, é possível que eles não tenham a atração esperada, e isso implica menor ocupação dos quartos”, declarou o executivo ao New York Post.

Freitag também observou que seleções menos tradicionais podem não gerar grandes deslocamentos internacionais de torcedores. Ele citou Curaçao, que fará sua estreia em Copas do Mundo, como exemplo de equipe que dificilmente provocará uma grande movimentação turística.

Hotéis relatam reservas abaixo das previsões

Outro levantamento, realizado pela American Hotel & Lodging Association com empreendimentos de 11 cidades-sede, reforça o cenário de cautela.

Segundo a pesquisa, 80% dos hotéis consultados afirmaram que as reservas estão abaixo das projeções iniciais. Em mercados como Boston, Filadélfia, Seattle e San Francisco, quase 80% dos entrevistados disseram operar abaixo da demanda típica do verão norte-americano.

Os empresários do setor também apontam questões geopolíticas e dificuldades relacionadas à emissão de vistos como fatores que afetam o fluxo internacional de turistas. Além disso, muitos hotéis relataram cancelamentos de blocos de quartos previamente reservados pela FIFA, o que acabou alterando completamente o planejamento inicial de ocupação.

Preços dos ingressos viram alvo de críticas

O valor elevado dos ingressos também vem gerando repercussão negativa entre torcedores e especialistas do setor turístico.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a criticar os preços cobrados para os jogos da competição. Em entrevista ao New York Post, afirmou que nem ele pagaria os US$ 1 mil necessários para assistir à estreia da seleção americana contra o Paraguai, em Los Angeles.

Enquanto isso, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a política de preços durante um evento recente. Segundo ele, ingressos revendidos para a final da competição, marcada para o MetLife Stadium, já ultrapassavam US$ 2 milhões.

Infantino ainda brincou que entregaria pessoalmente “um cachorro-quente e uma Coca-Cola” para qualquer pessoa disposta a pagar esse valor.

De acordo com o dirigente, o preço médio dos ingressos para a final está próximo de US$ 13 mil, muito acima dos cerca de US$ 1,6 mil registrados na Copa de 2022. Já algumas entradas para partidas no SoFi Stadium aparecem listadas a partir de US$ 1.079.

Críticos afirmam que o aumento dos preços, somado ao mercado de revenda e ao sistema de tarifas dinâmicas, pode afastar parte dos torcedores tradicionais, mesmo diante da expectativa de recorde de público e vendas anunciada pela FIFA.

Fonte: NY Post

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