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Berlim transforma sombra do muro em farol para o turismo

A capital da Alemanha é exemplo de como é possível conseguir transformar uma das páginas mais obscuras da história do século 20 em ponto turístico e elemento genuíno da cidade, teoria provada por Berlim no 25º aniversário da queda do muro que partiu a cidade ao meio e dividiu milhares de famílias berlinenses.

Ao olhar para Berlim hoje com os olhos de turista, monumentos e lugares como a Ilha dos Museus, a catedral, a torre de televisão, a Alexanderplatz e os destroços do muro ganham uma perspectiva histórica especial, apesar de o Portão de Brandemburgo ser protagonista e testemunha de muitos dos episódios que marcam e explicam a história europeia do século 20.

Este é um dos motivos para a avalanche de visitantes que foram a Berlim não só para contemplar sua arquitetura e conhecer suas atrações turísticas, mas também para conhecer de primeira mão como e onde se assinou o final de um dos ferimentos mais profundos do coração da Europa.

Estima-se que cerca de dois milhões de turistas visitaram a capital alemã no último fim de semana para participar dos eventos de celebração da queda do muro.

Em 2013 Berlim bateu o recorde do número de turistas, com quase 30 milhões de diárias de hotel e 11,3 milhões de turistas, consolidando sua posição como "destino top 3 da Europa, atrás de Londres e Paris", destacaram representantes da organização municipal que administra o turismo da cidade, "Visit Berlim".

Entre janeiro e agosto a cidade já tinha registrado 7,8 milhões de turistas (4% a mais que no mesmo período de 2013) e quase 19 milhões de pernoites (6% a mais). Com os incrementos registrados nos últimos meses ligados ao aniversário, "a expectativa é superar amplamente o recorde de 2013", destacou a porta-voz da organização, Christian Tanzler.

O monumento ao muro em Bernauer Strasse e o trecho grafitado que se transformou na East Side Gallery são "bons exemplos" de como foi possível combinar a eliminação do muro da vida cotidiana dos cidadãos com a celebração de uma parte da história, ressaltou Tanzler.

Partes dos 155 quilômetros que, de 1961 até 1989, testemunharam a morte de mais de 130 alemães que tentaram atravessá-lo na cidade, são agora elementos de "decoração" em uma Berlim que continua crescendo e se transformando sem esquecer do pesadelo do qual despertou há 25 anos.

O ranking de turistas aponta os dez primeiros países de origem dos que visitam Berlim: Reino Unido (305 mil), Itália (211 mil), Holanda (189 mil), Espanha e França (150 mil), Dinamarca, Suíça, Rússia, Suécia e Áustria.

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