O turismo movimentou R$ 17,2 bilhões no Rio de Janeiro no primeiro semestre de 2026, segundo balanço divulgado pela Riotur em agosto. Entre janeiro e junho, a cidade recebeu 6,4 milhões de visitantes, resultado que representa crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Do impacto econômico registrado no período, R$ 11,3 bilhões foram gerados por turistas brasileiros e outros R$ 5,9 bilhões por visitantes estrangeiros. O aumento do fluxo amplia as oportunidades para restaurantes, comércio, serviços, hospedagem, transporte e pequenos negócios, mas também exige preparação para converter movimento em resultados financeiros.
Jornada do turista começa no ambiente digital
Para Lucas Trindade, especialista em vendas e estratégias de crescimento, a escolha de onde comer, comprar ou contratar um serviço frequentemente acontece antes mesmo de o visitante chegar ao estabelecimento.
Avaliações, redes sociais, localização, preços e informações disponíveis na internet passaram a funcionar como uma vitrine permanente para os negócios que desejam conquistar esse público.
“O turista não começa a consumir quando entra na loja ou senta no restaurante. Muitas vezes, essa decisão começa no celular, quando ele pesquisa o que fazer, onde comer ou o que vale a pena conhecer. Para o negócio local, estar bem posicionado digitalmente deixou de ser apenas uma questão de divulgação e passou a fazer parte da experiência do consumidor.”
Mais movimento nem sempre significa mais lucro
O crescimento do turismo também exige atenção à gestão financeira. Simone Santolim, especialista em gestão financeira estratégica, alerta que o aumento das vendas pode ser acompanhado por custos maiores com estoque, equipe e operação.
“Movimento não significa necessariamente lucro. O empreendedor precisa saber quanto realmente sobra de cada venda e entender se o aumento da demanda está contribuindo para o caixa ou apenas aumentando custos. Antes de contratar, comprar estoque ou ampliar a operação, é preciso colocar essa conta no papel”, destaca Simone.
Segundo ela, o planejamento é fundamental para que os períodos de maior circulação de consumidores tenham impacto efetivo sobre a rentabilidade.
“Quando existe um aumento de circulação de pessoas, a primeira reação da empreendedor costuma ser querer vender mais a qualquer custo. Mas aumentar vendas sem olhar margem, custos e capacidade de operação pode gerar uma falsa sensação de crescimento. O objetivo precisa ser transformar demanda em resultado”, conclui.
Experiência precisa conectar online e presencial
Filipe Brandão, estrategista de negócios, aponta ainda a importância de uma estratégia omnicanal, capaz de integrar posicionamento, presença digital, localização, atendimento, reputação e experiência presencial.
“A jornada do turista começa muito antes da chegada ao estabelecimento. Ele pode descobrir uma marca no Google, validar a escolha pelas avaliações, conhecer seu posicionamento nas redes sociais e só depois decidir comprar. Por isso, SEO, GEO, presença digital e experiência presencial precisam contar a mesma história. Não basta ser encontrado, é preciso construir confiança e entregar uma experiência coerente com aquilo que a marca prometeu” relata.
Com 6,4 milhões de turistas em apenas seis meses, o desempenho do setor reforça o potencial de diferentes segmentos da economia carioca. Para pequenos negócios, o desafio passa por aproveitar esse fluxo sem perder de vista custos, margem de lucro e qualidade da experiência oferecida ao visitante.




