Enoturismo expande combinando natureza e tradições

O turismo vinculado à cultura, tradição e apreciação de vinhos surge como uma opção ideal para os viajantes durante o período atual

Edição DIÁRIO com agências

Após a profunda crise instaurada pela pandemia de Covid-19, o turismo começa a dar sinais de recuperação à medida em que a vacinação avança no Brasil e no mundo.

Neste momento, roteiros de viagens que permitem passeios ao ar livre, como o enoturismo, estão despertando atenção e ajudando na retomada do segmento.

O turismo vinculado à cultura, tradição e apreciação de vinhos (enoturismo) surge como uma opção ideal para os viajantes durante o período atual.

Segundo a Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), antes da pandemia, o número de “enoturistas” vinha crescendo de 10% a 15% ao ano no Brasil. Os dados apontam que, só em 2019, por exemplo, 1,5 milhão de turistas passaram por Bento Gonçalves, município do Rio Grande do Sul conhecido por ser uma tradicional região produtora de vinho.

Além das características favoráveis do enoturismo para passeios responsáveis, há outro fator que contribui para o crescimento da atividade no País. De acordo com dados da Organização da Vinha e do Vinho (OIV), houve um aumento de 18% no consumo da bebida em 2020 no Brasil.

Dessa forma, a tendência é a de que apareceçam novos enoturistas para movimentar a atividade durante a retomada das atividades econômicas.

O enoturismo é uma viagem diferente, na qual o principal objetivo é visitar as regiões que se dedicam à produção do vinho. Nelas, é possível conhecer o cultivo, a prensagem, a fermentação, o amadurecimento e o envase dos mais diversos tipos de vinhos e espumantes, além de degustar e adquirir rótulos.

Trata-se de um passeio responsável em meio à pandemia porque, na maior parte do tempo, ocorre em locais ao ar livre, como nas videiras. A atividade reserva uma experiência única que proporciona contato com a natureza, aprendizado sobre a cultura do vinho e paisagens deslumbrantes.

Durante o tour dentro das instalações das vinícolas, o turista se depara com diversos protocolos sanitários, como a obrigatoriedade do uso de máscaras, medição de temperatura e higienização com álcool gel. Os estabelecimentos também reduziram o número de visitantes, facilitando o distanciamento físico nos espaços.

O setor vitivinícola tem levado a sério a conformidade aos protocolos. Muitas vinícolas, inclusive, já possuem o selo Turismo Responsável, do Ministério do Turismo, para que os visitantes se sintam seguros ao frequentar o local.

Todos os públicos podem desfrutar dos passeios: famílias, casais, idosos e pessoas com deficiências (PCDs). Pessoas com menos de 18 anos de idade não podem consumir bebidas alcoólicas, mas é possível se divertir entre as uvas e as complexas etapas de produção das bebidas.

Os destinos que se dedicam ao enoturismo também contam com uma completa infraestrutura para servir os visitantes, com hospedagem, transporte, gastronomia e cultura para oferecer.

O enoturismo no Brasil e no mundo

Os turistas que buscam opções para viajar dentro do Brasil encontram na região Sul diversas produtoras de vinhos.

É o caso da Serra Gaúcha (RS), a mais representativa região vinícola do Brasil. As principais experiências se concentraram nas cidades de Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Garibaldi e Carlos Barbosa.

No mesmo Estado, a Serra do Sudeste, Campanha e os Campos de Cima da Serra também são adeptos das atividades do enoturismo. Já na vizinha Santa Catarina, o Planalto Catarinense é a região que se destaca.

Mas o enoturismo não é exclusivo do Sul. A prática também ocorre no Vale do São Francisco, um destino inusitado, localizado entre a Bahia e Pernambuco, uma região drenada pelo rio São Francisco, que vem se destacando no mercado.

Para quem busca experiências internacionais, há países que estão recebendo novamente os brasileiros e que têm forte tradição na produção da bebida alcoólica, tanto na América Latina quanto na Europa.

Os vizinhos Argentina e Chile têm seus polos vitivinícolas nas regiões de Mendoza, Patagônia e Salta, e nos Vales del Maipo, Aconcágua, Casablanca e San Antoni, respectivamente.

No continente europeu estão as mais tradicionais regiões produtoras de vinho do mundo, o que fomenta o enoturismo local.

A Toscana, na Itália, é uma região que compreende 280 comunas como Firenze, Siena e Pisa, com um ar renascentista, que mesclam belas paisagens a vinhos italianos únicos. São exemplos o Chianti e o Brunello di Montalcino. Quase todos os vinhos da região são feitos com as uvas Sangiovese.

Na França, a região de Champagne-Ardenne é a única que produz o verdadeiro champagne, mas o país conta ainda com outras regiões vitivinícolas.

Os históricos château de Bordeaux e os vinhedos mais famosos do mundo, como Romanée-Conti, Musigny, Montrachet, em Borgonha, também são destinos enoturísticos.

Na região espanhola de Aragón é possível conhecer vinhos rústicos e artesanais, como a vinícola Esteban Martín, conforme mostra um artigo da Wine, que vem se destacando pela cadeia de produção inovadora e sustentável, e que também tem recebido prêmios por todo o mundo.

Já em Portugal, há duas regiões que os enoturistas devem conhecer: o Porto, ao sul, produtor do fortificado vinho do Porto e o Alentejo, ao sul do rio Tejo, com sua produção das castas tradicionais portuguesas Trincadeira e Aragonez.

O turismo em torno do vinho, além de delicioso para os apreciadores e seguro para todos os viajantes, proporciona belezas naturais e experiências únicas ideais para quem está prestes a embarcar nessa viagem.

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