Golpe da Agência é como clientes estão tratando o caso envolvendo uma empresa de turismo no Rio de Janeiro acusada de vender passeios e excursões que teriam sido sucessivamente adiados ou cancelados, sem a devolução dos valores pagos. Mais de 500 pessoas afirmam ter sofrido prejuízos, e parte delas já procurou a Polícia Civil.
DA REDAÇÃO com agências
As denúncias foram inicialmente divulgadas pelo G1 e pela TV Globo. Segundo os relatos, a agência utilizava grupos em aplicativos de mensagens, alguns com cerca de mil participantes, para anunciar passeios e excursões. Desde o fim de 2025, porém, os cancelamentos e adiamentos teriam se tornado cada vez mais frequentes.
Outra publicação sobre o caso, do Agenda do Poder, identifica a empresa como Gil Viagens e informa que alguns consumidores relatam prejuízos de até R$ 7 mil. A Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon) e a 22ª DP, na Penha, investigam as denúncias.
Uma das clientes ouvidas pelo g1 afirmou ter adquirido nove pacotes, posteriormente cancelados. As denúncias apontam Giovana Rangel Machado como responsável pela agência. Segundo a reportagem, algumas vítimas registraram ocorrência na Decon na terça-feira (22).
Pagamentos por Pix e ausência de contrato
Um dos pontos relatados pelos consumidores é a informalidade das negociações. Uma cliente afirmou ao g1 que os pagamentos eram realizados por Pix e que não havia contrato. Segundo ela, as viagens vinham sendo adiadas desde maio, sem que fosse oferecida a possibilidade de reembolso.
Os consumidores afirmam ainda que os perfis da agência nas redes sociais teriam sido apagados e que as tentativas de contato deixaram de ser respondidas. A TV Globo procurou Giovana Rangel Machado, mas não havia recebido resposta até a última atualização da reportagem.
Golpe da Agência: outros casos recentes no Rio
O episódio não é isolado. Nos últimos meses, a Polícia Civil do Rio investigou outros casos envolvendo a comercialização de pacotes turísticos e a suposta não prestação dos serviços contratados.
Em maio de 2026, a Polícia Civil deflagrou a Operação Cartão Vermelho, contra a Outsider Tours. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil com base na investigação policial, consumidores teriam adquirido pacotes internacionais e enfrentado problemas no recebimento dos serviços. A Decon cumpriu nove mandados de busca e apreensão em diferentes bairros do Rio.
Outro episódio ocorreu em agosto. Uma sócia da Latitude Outdoor Adventure foi presa preventivamente durante investigação sobre a venda de pacotes turísticos. De acordo com o R7, a empresa anunciava viagens nacionais e internacionais pelas redes sociais, e consumidores relataram cancelamentos próximos às datas previstas.
Reportagem do portal Eu, Rio!, baseada nas informações da Polícia Civil, apontou que a empresa formalmente constituída era usada, segundo a investigação, para dar aparência de legitimidade às operações. Os clientes pagavam por Pix e, em alguns casos, descobriam perto da viagem que passagens e hospedagens não haviam sido reservadas.
Os casos são independentes entre si e estão em diferentes estágios de investigação, mas revelam a importância de cuidados adicionais antes do pagamento de pacotes e excursões.
Ministério do Turismo recomenda verificar o Cadastur
O Ministério do Turismo recomenda que, antes da contratação, o viajante verifique se a agência está regularmente inscrita no Cadastur, cadastro oficial dos prestadores de serviços turísticos. O registro é obrigatório para as agências de turismo.
A presença no Cadastur, entretanto, não deve ser encarada isoladamente como garantia de segurança. O próprio Ministério orienta o consumidor a verificar também a procedência da empresa por outros meios. Entre os sinais de alerta estão ofertas muito abaixo dos preços praticados no mercado, perfis recentes ou suspeitos nas redes sociais e solicitações de pagamentos para terceiros.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) lembra ainda que, na contratação de viagens, hospedagens e passeios, o cliente tem direito a informações claras sobre preços, condições da oferta, formas de pagamento, regras de cancelamento e eventuais cobranças adicionais.
No caso investigado no Rio, a apuração permanece sob responsabilidade da Decon e da 22ª DP. Até o momento das informações consultadas, não havia conclusão policial sobre as responsabilidades atribuídas à responsável pela agência.




