O Carnaval do Rio tem que ser repensado

 Uma cidade que se veste para o carnaval precisa ser decorada. Faltou uma tematização carnavalesca nas principais vias da cidade.

por Bayard Do Coutto Boiteux*

O Rio é sem dúvida um dos maiores produtos turísticos de turismo. Entre os eventos que aqui ocorrem está o Carnaval. Mostra sempre a alegria de uma cidade partida e sofrida mas que coloca toda sua força positiva durante a semana momesca. O Carnaval  foi ao longo dos anos mudando seu foco e hoje os blocos desempenham papel fundamental na sua operação. No entanto, são blocos em demasia e que acabam restringindo a população que mora nos arredores de sair de casa. Vivenciei pessoalmente tal fato quando no sábado de carnaval, por volta do meio dia, tentei chegar na casa de minha irmã, que mora na Praça Santos Dumont, no Jardim Botânico. Quase não cheguei e fiquei parado em vários momentos no meio dos foliões. Acredito que deva se fazer uma avaliação dos locais e horários onde acontecem e que sejam concentrados em locais de maior espaço e que não prejudiquem o morador.

Uma cidade que se veste para o carnaval precisa ser decorada. Faltou uma tematização carnavalesca nas principais vias da cidade. Não vi também placas de boas vindas, em vários idiomas no aeroporto, na rodoviária e no próprio sambódromo. No entanto, senti que os postos de informações turísticas funcionaram bem e até foram elogiados pelos brasileiros, na pesquisa feita pela Associação dos Embaixadores de Turismo. Sugiro que no ano que vem sejam também colocados funcionários bilíngues nas estações do metro e do BRT, pois muitos turistas ficavam perdidos e não sabiam a direção correta, sobretudo neste serviço de transporte.

Nosso grande problema foi o Sambódromo. Faltaram personalidades internacionais. O próprio prefeito poderia ter comparecido mesmo se não o fez por motivos religiosos pois é uma forma de demonstrar seu compromisso com o turismo e àqueles que passam meses se preparando para o grande desfile da era moderna. Muitas escolas mostraram inovação e compromisso social e com a sustentabilidade. No entanto, falhamos no quesito segurança. Carros desabando e atropelando foliões ganharam manchetes internacionais, em países emissores importantes, como os EUA, Alemanha, Grã Bretanha, Argentina, para citar alguns e colocaram em discussão a segurança do evento. Em 2018, vamos ter que buscar procedimentos de controle, supervisão e quiçá certificação nos carros alegóricos. Falta fiscalização efetiva e os próprios componentes alegam superlotação nos carros. Acredito que num momento assim, deva ser dada uma resposta rápida pelas autoridades competentes com ações de relações públicas.

Por  outro lado, é necessário rever as politicas de preços dos hotéis, que cresceram sem planejamento efetivo e que amargaram ocupação, em alguns casos de apenas 55%. A cidade é uma das mais caras do mundo, no alojamento e na alimentação. E nem sempre o serviço prestado corresponde ao padrão de preço.

É necessário rever as politicas de preços dos hotéis, que cresceram sem planejamento efetivo e que amargaram ocupação, em alguns casos de apenas 55%

Agora, como faz falta os concursos de fantasia. São um componente essencial da mostra da suntuosidade e originalidade, que sempre contemplaram lindas fantasias no Hotel Gloria. Vamos apoiar a volta de um grande concurso e convidar o Embaixador do Rio, Bellino Mello, para resgatar um Rio de Janeiro Perdido….

Sentimos que são os mesmos camarotes, as mesmas feijoadas, os mesmos bailes e se compararmos fotos dos últimos três anos, com as mesmas pessoas. Falta criatividade, empreendedorismo na gestão de tais eventos, que também se esvaziam pelos preços irreais cobrados para turistas estrangeiros.

Malgré tout, como dizem os franceses, o Carnaval aconteceu com muito menos turistas estrangeiros e mais brasileiros.Vamos reavaliar bastante o posicionamento estratégico do evento e criar um conselho com quem entende do riscado, para que 2018 nos surpreenda.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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