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O novo motor do turismo: Como a economia das apostas esportivas financia e impulsiona o setor no Brasil

Uma final de Copa do Mundo movimenta muito mais do que a torcida em frente à TV. Hotéis lotam, passagens sobem de preço e restaurantes reservam mesas com semanas de antecedência. Eventos como esse deixaram de ser só entretenimento esportivo e hoje funcionam como um ecossistema econômico completo.

No Brasil, parte dos recursos gerados pelos eventos esportivos passou a financiar diretamente o turismo no país. Isso ocorreu após a Lei das Bets definir as regras de distribuição dos valores arrecadados com os impostos das casas de apostas.

O pacto tributário: o impacto direto das apostas no caixa do turismo nacional

O marco que deu um novo impulso ao setor foi a Lei nº 14.790/2023, a chamada Lei das Bets, que reorganizou a cobrança sobre as apostas de quota fixa no país. Do total arrecadado sobre a Receita Bruta de Apostas (GGR), 12% são destinados a áreas sociais. Desse bloco, 28% vai para o turismo: 22,4% para o Ministério do Turismo e 5,6% para a Embratur.

O primeiro repasse concreto saiu em maio de 2025, quando o Ministério do Turismo liberou R$ 40 milhões para a Embratur. O valor entrou direto em campanhas de promoção internacional de destinos brasileiros, reforçando a presença do país em feiras e ações de marketing turístico no exterior.

Essa destinação de recursos ao turismo foi possível graças a um passo regulatório recente. Na prática, as apostas esportivas são legalizadas desde 2025, com a tributação sobre o GGR em vigor desde 1º de janeiro daquele ano. Dessa forma, todas as casas que atuam legalmente precisam cumprir requisitos operacionais e tributários.

Ministério da Fazenda adverte: Aposta não é investimento. +18.

Ao longo de 2025, o volume de recursos repassados cresceu significativamente em relação ao primeiro repasse. Um levantamento da Pay4Fun com base em dados do Ministério da Fazenda mostra que o turismo é o segundo maior beneficiado pela arrecadação do setor regulado, com R$ 1,26 bilhão recebido no ano, atrás só do esporte, que somou R$ 1,6 bilhão. Juntas, essas duas áreas concentraram mais de 60% de todos os recursos distribuídos pela União.

O novo perfil do turista de eventos e a experiência digital integrada

As fan zones estruturadas para acompanhar competições internacionais já se tornaram atrações turísticas por si só. A de Copacabana, no Rio de Janeiro, reuniu mais de 70 mil torcedores na fase inicial da Copa do Mundo de Clubes de 2025 e mais de 10 mil pessoas por jogo na Copa do Mundo de 2026.

Isso demonstra como uma estrutura montada para um único evento pode se transformar em um ponto turístico por si só. Hotéis em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre já tratam o calendário de junho e julho, marcado por grandes eventos esportivos, como uma fonte previsível de receita, e não mais como um pico isolado. 

A ocupação, a diária média e o RevPAR sobem nas semanas de grandes jogos, movimento que ajudou o mercado de eventos no Brasil a somar R$ 141,1 bilhões em 2025, alta de 8,4% sobre o ano anterior.

O receptivo local também mudou de postura. Hotéis e vans de transfer próximos aos estádios passaram a oferecer conectividade constante e check-in simplificado, serviços que o torcedor de hoje trata como parte do ingresso. O brasileiro também mudou a forma de decidir uma viagem. 

Um levantamento recente mostra como o turismo esportivo influencia decisões de viagem de última hora, com passagem e hospedagem fechadas poucos dias após a confirmação de um jogo decisivo.

Da ativação de marca ao desenvolvimento regional: o futuro da parceria

Uma das maiores casas de apostas do Brasil, patrocinadora do Brasileirão e da Copa do Brasil, patrocinou a primeira fã zone oficial da Copa América de 2024 na praia de Copacabana. O espaço reuniu shows, área gastronômica com food trucks e telão para acompanhar os jogos da Seleção.

Com o sucesso do evento, um ano depois, a mesma operadora repetiu a estrutura no mesmo trecho da orla durante a Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025. A fan zone transmitiu 17 partidas da primeira fase e recebeu mais de 70 mil torcedores, demonstrando que o modelo se tornou um ativo turístico recorrente.

Para a Copa do Mundo de 2026, a empresa apoiou cinco fã zones em cidades brasileiras, além de cobertura digital própria do torneio. Mesmo sem partidas em solo nacional, o público brasileiro continua sendo considerado prioritário nas ativações do evento.

O próximo passo já aparece no horizonte com contratos de patrocínio que devem incorporar tecnologia de “smart stadium” e pacotes de viagem personalizados por inteligência artificial, recursos já testados por operadoras e agências para prever demanda de hospedagem.

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