A rede espanhola Meliá Hotels International encerrou oficialmente suas operações em Cuba, colocando fim a uma presença de mais de 30 anos na ilha. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (24), ocorre em um momento de agravamento da crise econômica cubana e de endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos, fatores que têm provocado um forte impacto sobre o turismo, um dos principais pilares da economia do país.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Reuters
Segundo a companhia, a retirada foi motivada por dificuldades operacionais, jurídicas e financeiras. Até então, a Meliá administrava 34 hotéis em Cuba por meio de sua subsidiária portuguesa Ilha Bela Gestão e Turismo.
O encerramento total das atividades acontece cerca de um mês após a empresa anunciar o fechamento de 15 unidades, indicando que a situação no país se deteriorou rapidamente.
Três gigantes espanholas deixam o mercado cubano
A saída da Meliá também simboliza uma mudança histórica no turismo cubano. Nos últimos meses, as redes espanholas Iberostar e Barceló anunciaram decisões semelhantes, encerrando décadas de atuação no destino caribenho.
Com isso, as três maiores operadoras hoteleiras da Espanha deixam um mercado que, por muitos anos, foi considerado estratégico para o turismo internacional na região.
Queda no turismo agrava cenário econômico
A retração do fluxo de visitantes tem ampliado as dificuldades enfrentadas por Cuba. De acordo com dados citados pela Reuters, entre janeiro e abril de 2026 o país recebeu 328.608 turistas internacionais, volume 56% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Além da redução da demanda, o país enfrenta dificuldades de abastecimento de combustível após o bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos no início deste ano, o que tem agravado ainda mais a crise econômica.
Os efeitos já são sentidos pela população local.
“Não há fluxo de turistas, não há renda e não há economia. O impacto é enorme”, afirmou Teresa Carrillo, moradora de Havana, em entrevista à Reuters.
Sanções dos EUA aceleram saída de empresas
O cenário ficou ainda mais delicado após Washington ampliar as sanções contra Cuba. Neste mês, o governo norte-americano incluiu o Ministério do Turismo cubano em sua lista de sanções, aumentando a insegurança para empresas estrangeiras que mantêm operações na ilha.
Além do setor hoteleiro, companhias dos segmentos financeiro e de logística também passaram a reavaliar sua permanência no país.
Entre as empresas que reduziram ou interromperam atividades estão as operadoras de pagamento Visa e Mastercard. No transporte aéreo, companhias como Air France, Turkish Airlines, Iberia e World2Fly também suspenderam voos para Cuba, reduzindo ainda mais a conectividade internacional do destino.
Fonte: Reuters





