O turismo brasileiro registrou faturamento recorde de R$ 24,5 bilhões em agosto de 2026, crescimento de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do resultado positivo, o avanço dos preços, especialmente das passagens aéreas, acende um alerta para o setor.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da FecomércioSP
A análise faz parte da edição de outubro da Carta Setorial de Turismo, elaborada pelo Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que acompanha indicadores econômicos e tendências do mercado.
De janeiro a agosto, o turismo nacional acumulou receita de R$ 192,9 bilhões, aumento de 3,4% na comparação com os oito primeiros meses de 2025. Os números mostram a força da atividade, mas também revelam diferenças importantes no desempenho dos segmentos.
Enquanto os serviços de alimentação ligados ao turismo apresentaram crescimento de 7,5%, o setor de alojamento avançou apenas 0,7%. Já o transporte aéreo registrou aumento de 3,1% no faturamento.
Passagens aéreas ficam 14,5% mais caras
Um dos principais pontos de atenção identificados pela FecomercioSP está no comportamento das tarifas aéreas. Em agosto, o preço médio das passagens subiu 14,5%, passando de R$ 678,40 para aproximadamente R$ 777.
No mesmo período, a quantidade de passageiros transportados pelas companhias aéreas cresceu somente 2,3%, percentual bastante inferior ao reajuste observado nos bilhetes.
Essa diferença indica que parte do crescimento financeiro do setor está relacionada ao encarecimento dos serviços, e não necessariamente a um aumento equivalente no número de viajantes.
Para as empresas, o cenário exige equilíbrio entre a manutenção das receitas e a capacidade de consumo dos brasileiros, especialmente diante dos juros elevados e das pressões sobre o orçamento das famílias.
Viagens corporativas movimentam R$ 19 bilhões
O segmento de viagens de negócios também apresentou resultados positivos. Segundo o Levantamento de Viagens Corporativas (LVC), desenvolvido pela FecomercioSP em parceria com a Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), o mercado faturou R$ 19 bilhões em agosto.
O resultado representa crescimento de 4,1% em relação ao mesmo mês de 2025 e estabelece um novo recorde para o período.
Nos oito primeiros meses de 2026, o faturamento das viagens corporativas atingiu R$ 132,9 bilhões, avanço de 5,5% na comparação anual.
Mesmo com a movimentação financeira crescente, os custos de deslocamento e hospedagem continuam entre os desafios enfrentados pelas empresas. Nesse contexto, o planejamento antecipado, a negociação de tarifas e a busca por alternativas de transporte ganham importância na gestão das despesas.
Hotelaria avalia impactos da escala 5×2
Além dos indicadores econômicos, a publicação aborda os possíveis efeitos da adoção da escala de trabalho 5×2 na hotelaria brasileira.
O tema é analisado por Guilherme Dietze, economista e presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP, em artigo publicado no Hotelier News.
A discussão considera as particularidades dos hotéis, que precisam manter suas operações durante todos os dias da semana, incluindo fins de semana e feriados.
Entre os pontos examinados estão os custos adicionais que uma eventual mudança na jornada pode provocar, a necessidade de reorganização das equipes e as diferenças entre a capacidade de adaptação de grandes redes e pequenos empreendimentos.
Por outro lado, Dietze também aponta a possibilidade de a nova organização do trabalho contribuir para a atração e a permanência de profissionais no setor.
FecomercioSP analisa perspectivas para o turismo
A Carta Setorial de outubro também apresenta uma avaliação do cenário macroeconômico, considerando a inflação de setembro, o patamar dos juros e seus possíveis reflexos sobre investimentos e consumo.
A edição destaca ainda o reconhecimento de Guilherme Dietze na lista dos 100+ Poderosos do Turismo de 2026, elaborada pela Panrotas. A indicação valoriza sua atuação no desenvolvimento de estudos e debates relacionados ao turismo brasileiro.
O levantamento reforça que, embora o turismo continue registrando receitas históricas, acompanhar a evolução dos preços e do volume de viajantes será fundamental para compreender a sustentabilidade do crescimento nos próximos meses.




