O turismo sênior vive um momento de expansão no Brasil e já se consolida como um dos segmentos mais estratégicos do mercado de viagens. Durante palestra realizada nesta sexta-feira (8), na Expo Turismo Paraná 2026, o consultor especializado no público 60+, Ariel Figueroa, destacou que viajantes acima dos 60 anos estão cada vez mais ativos, conectados e interessados em experiências com propósito.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
Segundo o palestrante, o setor ainda carrega uma visão ultrapassada sobre o turista maduro, frequentemente associado apenas a viagens tranquilas e roteiros convencionais. Para ele, a realidade atual é completamente diferente. “O público acima de 60 anos já viveu muita coisa. Não quer mais apenas praia, descanso e um roteiro básico. Eles procuram propósito”, afirmou.
Turismo 60+ ganha força com envelhecimento da população
Durante a apresentação, Figueroa chamou atenção para a mudança demográfica em curso no Brasil. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que o país tinha, em 2022, cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população.
O consultor explicou que o aumento da longevidade, aliado aos avanços tecnológicos e às mudanças de comportamento, criou uma geração mais independente e aberta a novas experiências. Segundo ele, quando bem atendido, esse público pode realizar até quatro viagens por ano, entre férias prolongadas, escapadas curtas e viagens de fim de semana.
Outro dado apresentado durante a palestra foi da Fundação Seade, que mostra que 52% da população idosa do Estado de São Paulo pratica atividade física regularmente. Em 2019, esse índice era de aproximadamente 30%.
Experiências com significado ganham espaço
Mais do que destinos tradicionais, o turista sênior busca viagens com conexão emocional, aprendizado e experiências transformadoras. Figueroa destacou que o conceito de “slow travel”, conhecido como turismo lento, tem ganhado força entre viajantes maduros interessados em vivências mais profundas e autênticas.
Além disso, cresce a procura por roteiros culturais, religiosos, de bem-estar, aventura e desenvolvimento humano. As chamadas viagens de memória afetiva também aparecem entre as tendências mais relevantes do segmento.
Segundo o especialista, muitos viajantes desejam revisitar cidades, bairros e locais que marcaram momentos importantes da vida, transformando a experiência em algo emocionalmente significativo.
Turismo multigeracional impulsiona o mercado
Outro comportamento em expansão é o turismo multigeracional, especialmente entre avós e netos. De acordo com Figueroa, esse tipo de viagem fortalece vínculos familiares e cria experiências marcantes para diferentes gerações.
O consultor também reforçou que o mercado precisa abandonar modelos genéricos de venda e investir em atendimento mais personalizado. “Essa geração escuta música atual, frequenta academia e busca vivências diferentes. Aquele conceito de velhice passiva já não existe mais”, comentou.
Para ele, o agente de viagens terá papel fundamental na adaptação do setor às novas demandas do público 60+. “O agente de viagens precisa ouvir mais e vender menos no automático. Esse público sabe exatamente o que quer e valoriza atendimento de qualidade”, afirmou.
Personalização será decisiva para o futuro do turismo sênior
Ao encerrar a palestra, Figueroa destacou que o turismo sênior não representa apenas uma tendência passageira, mas uma transformação estrutural do mercado de viagens.
Segundo ele, o envelhecimento da população brasileira e a busca crescente por experiências significativas abrirão novas oportunidades para agentes de viagens, operadoras e destinos turísticos. O desafio do setor, agora, será criar produtos mais personalizados, humanizados e alinhados aos interesses desse público.





