Viva Air suspende todas as operações, incluindo voos ao Brasil

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A Viva Air, companhia aérea colombiana de baixo custo, suspendeu todas as operações na noite de segunda-feira (27) devido a problemas financeiros, segundo comunicado da empresa. Não há previsão de retorno. As informações são da Folha Press, em artigo assinado por Rafael Balago.

Essa suspensão inclui rotas da Colômbia para Buenos Aires e São Paulo. A Viva opera 35 rotas, com frota de 20 aviões, e tem uma subsidiária no Peru.

“Lamentamos informar a suspensão temporária de nossas operações dada a falta de definição oportuna da [autoridade de] Aeronáutica Civil sobre a aliança entre Viva e Avianca, única possibilidade para seguir voando e cumprir com nossos compromissos”, disse a Viva, em comunicado.

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“Informamos aos passageiros com voos vigentes com a Viva que não poderemos honrar agora seus planos de viagem. Informaremos oportunamente os passos a seguir depois desta decisão”, prossegue a nota.

A empresa também se comprometeu a trabalhar para “preservar sua capacidade de reiniciar as operações em uma data futura, supondo que a Aeronáutica Civil aprove de imediato a aliança pendente”.

Confusão nos aeroportos

A situação gerou cenas de confusão em aeroportos colombianos nas últimas horas, como longas filas e aglomerações de passageiros em busca de informações. Muita gente chegou para viajar e descobriu só no aeroporto que não teria como embarcar.

Em Bogotá, muitos viajantes passaram a noite no aeroporto depois de terem seus voos cancelados. De madrugada, um grupo deles fez um protesto e bloqueou o acesso ao embarque internacional.

Na manhã desta terça (28), a Aeronáutica Civil disse que as empresas Latam, Avianca e Satena atenderão aos passageiros que tinham voos marcados até quarta (1º) com a Viva, sem custos extras. A remarcação deve ser feita diretamente nos aeroportos.

Em nota, a Avianca disse que realocará os passageiros afetados pela paralisação da Viva em seus voos, de forma gratuita, conforme houver disponibilidade e por ordem de chegada.

“Agora é o momento para nós, como indústria, ajudarmos as centenas de milhares de passageiros que são afetados por uma crise que era claramente evitável”, disse Adrian Neuhauser, presidente da Avianca, no comunicado.

A Viva foi fundada em 2009, pela Irelandia Aviation, mesma dona de empresas de baixo custo como a Ryanair. Atualmente, possuía 15% do mercado colombiano, segundo a AFP.

Desde abril de 2022, a Viva busca a aprovação do governo para sua integração com a Avianca —maior companhia aérea da Colômbia— alegando que é a única maneira de superar seus problemas financeiros. Com a pandemia, as empresas aéreas tiveram grandes prejuízos com a suspensão de voos.

No começo de 2022, Viva e Avianca fizeram um acordo para unificar seus direitos econômicos, mas sem que houvesse mudanças na administração e operação das empresas. Ou seja: um mesmo dono receberia os lucros das duas empresas, mas a gestão delas seria feito de modo separado.

No entanto, meses depois, a Avianca disse que a situação financeira da Viva estava em perigo e propôs unificar parte das operações para cortar custos e poder investir na empresa.

O governo colombiano viu risco à concorrência e abriu um processo para analisar se autoriza a integração. Com a fusão, uma mesma empresa dominaria uma parcela muito grande do mercado do país. Assim, várias rotas poderiam ficar sem concorrência na prática.

Para tentar obter a liberação, as empresas se comprometeram a abrir mão de slots no aeroporto de Bogotá, o principal do país, e manter as duas marcas ativas, sendo que a Viva seguiria como uma empresa de baixo custo.

Depois de meses de debates, em janeiro, a Aeronáutica Civil anulou o caso porque encontrou uma “irregularidade substancial no processo administrativo”. Com isso, o trâmite teve de recomeçar do zero.

Na segunda (27), a Aeronáutica Civil reconheceu que o caso da Viva é de interesse de terceiros, o que abre espaço para que outras companhias tenham suas propostas analisadas. Na prática, isso atrasará ainda mais o processo de análise de fusão entre Viva e Avianca.

A Viva diz que a indefinição do governo faz com que os credores se recusem a renegociar dívidas da empresa, que está em recuperação judicial desde o começo de fevereiro.

A Avianca está em um processo de união com a companhia brasileira Gol. Em 2022, elas assinaram um acordo com a Gol para criar a Abra, uma holding que juntará as operações das duas marcas.

A junção busca reduzir custos ao comprar insumos e ampliar possibilidades. As duas empresas concorrem em poucas rotas, e a união delas potencializa a malha: a Gol tem muitos destinos no Brasil e a Avianca traz conexões para a América Latina, EUA e destinos europeus.

A expectativa é que as duas marcas sigam operando de modo independente. A inspiração para a Abra, que terá sede no Reino Unido, é o grupo IAG, que reúne marcas como Iberia e British Airways, e a KLM Air France, cuja união também manteve duas estruturas separadas. (FolhaPress)

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