De 30 de setembro a 2 de outubro, no Expo Center Norte (SP), maior feira de turismo da América Latina reúne mais de 2 mil expositores e projeta receber 40 mil visitantes
Por Cecília Fazzini e Zaqueu Rodrigues
A Abav Expo 2026 foi inaugurada há pouco no Expo Center Norte, em São Paulo. Um dos grandes encontros do mercado de turismo na América Latina, a tradicional feira B2B da Associação Brasileira de Agentes de Viagens (Abav Nacional) acontece até 2 de outubro, com expectativa de receber 40 mil visitantes.
De volta a São Paulo após 7 anos, a Abav Expo reúne mais de 2 mil marcas nacionais e internacionais e conecta representantes de todos os segmentos que compõem o turismo: hospedagem, aviação, transporte, operadoras, guias, agentes de viagens… A Abav Talks, área de conteúdo da Abav Expo, apresenta mais de 50 palestras e painéis em 4 arenas.
Nesta quarta (30), a cerimônia de abertura reuniu autoridades, empresários, investidores e profissionais do turismo. “Estamos muito felizes em reunir aqui tantos profissionais que trabalham todos os dias para fazer o turismo brasileiro acontecer”, iniciou a presidente da Abav Nacional, Ana Carolina Medeiros.

Ela apontou que a Abav Expo 2026 ampliou a participação internacional. Além da estreia da China, destino internacional destaque desta edição, a edição deste ano marca o retorno da África do Sul e do Caribe Mexicano. “Que outro evento consegue mobilizar a participação de mais de 520 agentes de viagens?”, questionou a anfitriã, dando a dimensão do evento.
“O Brasil está na moda, batendo recordes de turistas internacionais. Para contribuir com a chegada de mais viajantes internacionais, a Abav, em parceria com a Embratur, trouxe à feira compradores convidados de 13 países, que participarão de passeio e rodadas de negócios.”
Momento de união
A necessidade de o turismo trabalhar de modo integrado e com visão de longo prazo deu o tom das falas durante a solenidade de inauguração da Abav Expo 2026.
A presidente da Abav Nacional destacou que o trabalho conjunto é fundamental para o desenvolvimento do setor. “Este é o momento de união do turismo”, sintetizou a anfitriã.
“Quando a aviação enfrenta dificuldades, o agenciamento sente. Quando a hotelaria enfrenta dificuldades, o agenciamento sente. Quando o agenciamento é enfraquecido, toda a cadeia sente. Nenhum elo da cadeia do turismo trabalha sozinho.”
Ana Carolina enfatizou que o turismo só é verdadeiramente forte quando toda a sua cadeia está forte. “É com essa convicção que a Abav trabalha todos os dias, capacitando, conectando, criando oportunidades e representando o agente de viagens.”

Para Bruno Reis, presidente da Embratur, o turismo brasileiro vive um período de evolução e transição de mentalidade. Ele compartilhou os números das últimas décadas. Em 2006, o Brasil recebeu 5 milhões de turistas internacionais e gerou 4 bi de dólares; dez anos depois, foram 6,5 milhões de visitantes e 6 bi de dólares em receita. Agora, de janeiro a agosto de 2026, já recebemos 5,6 milhões de turistas e 7 bi de dólares em receita.
“Mesmo diante de um cenário geopolítico e macroeconômico extremamente complexo, o turismo brasileiro continuou crescendo, gerando receita, aumentando a produtividade e o número de turistas internacionais. Isso só aconteceu por conta do trabalho realizado com coerência, estratégia, união e visão de longo prazo”, disse o presidente da Embratur.
A integração das iniciativas públicas e privadas é o caminho para o turismo, apontou Bruno. “A responsabilidade pelo crescimento do turismo é de todo mundo que está aqui, que trabalha todo dia e acredita na potência do turismo. Temos que ter consciência dessa força e saber dialogar e influenciar as diferentes esferas de poder. E faremos isso trabalhando com espírito coletivo e compromisso com o Brasil.”

Ana Maria Biselli Aidar, secretária de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, defendeu o associativismo como fonte de realizações no turismo. De acordo com ela, “a união das entidades de toda a cadeia faz e fará a diferença”. Ela disse que São Paulo é um estado que representa muitos destinos, com paisagens que ganham cores e emprestam sensações diversas ao visitante, desde a maior metrópole do Hemisfério Sul até lugares longínquos e genuínos.
Biselli ressaltou que a conectividade também é fator que situa o turismo paulista na dianteira. “Só o aeroporto de Guarulhos permite a ligação com 100 destinos brasileiros, e o Porto de Santos, outro impulsionador de viagens, reúne na temporada mais de uma dezena de cruzeiros marítimos.”
O brilho nos olhos de quem recebe é outro diferencial do destino São Paulo, sublinhou Biselli, que projeta cada vez mais as localidades paulistas no mapa da oferta turística. “São Paulo é responsável por 43,4% de toda a receita do turismo brasileiro”, assinalou.
Para a secretária, a Abav Expo é o ponto de partida, onde o trade se encontra, realiza negócios e busca inspiração em iniciativas que se apresentam para uma cadeia que é interdependente.
O Ministério do Turismo, representado pelo secretário executivo Augusto Rocha, comemorou o crescimento de visitantes internacionais, na casa dos 7 milhões, com destaque para a movimentação no turismo doméstico, que atraiu 68 milhões de viajantes e representou R$ 38 bilhões em gastos realizados por este público.
Rocha também reiterou a unidade entre os setores público e privado e assegurou que o governo trata o turismo como política de Estado, seja pela ótica do desenvolvimento econômico, seja pela da inclusão, com investimentos e uma política de crédito direcionada a novos empreendimentos. “Todos somos atores e responsáveis”, sintetizou.

Reforma tributária
A reforma tributária foi apontada como um dos pontos mais importantes de 2026. “O que pedimos não são privilégios. A Abav reconhece e valoriza a importância da reforma para o Brasil, mas que seja um sistema simples, moderno e eficiente.”
“O que temos defendido é que sejam consideradas as particularidades dos diferentes modelos de negócio da nossa cadeia produtiva, especialmente o agenciamento de viagens. É isso que temos demonstrado ao Ministério da Fazenda, ao Congresso Nacional e aos órgãos responsáveis pela regulamentação.”
O diretor da CNC e presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, também reforçou a necessidade de construção de políticas públicas integradas para o turismo. “O turismo requer um novo olhar para ocupar o lugar que merece. Podemos desenvolver muito mais”, afirmou Sampaio, que lança na feira o site Conexões Turismo, parte do Vai Turismo.

Marina Dias Marinho, secretária de Turismo do Rio Grande do Norte e presidente do Fornatur, destacou que o turismo brasileiro está crescendo e se fortalecendo nos estados. “Turismo forte é o que movimenta o turismo na ponta, conectando grandes e pequenos empreendedores, valorizando a diversidade e melhorando a vida das pessoas. O turismo impacta o Brasil inteiro e precisa estar no centro das decisões políticas do país.”

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, também pontuou que os pequenos negócios são estratégicos para o Brasil. “Eventos como a Abav Expo são fundamentais para impulsionar o turismo e conectar oportunidades. 97% do turismo brasileiro é formado por pequenos empreendedores, que estão renovando e tornando o turismo mais competitivo.”
O papel do município
Se a cadeia do setor tem toda a sua ação interligada, Gustavo Lopes de Souza, Secretário Municipal de Turismo da Cidade de São Paulo, falou como anfitrião e destacou a importância do retorno da ABAV Expo para a metrópole. “É preciso lembrar que, embora o papel da federação e dos estados seja relevante, é no município que a atividade turística ganha protagonismo, é onde ela acontece.”
Porta de entrada de visitantes, São Paulo contabilizou os desembarques de 3 milhões de estrangeiros em 2025, sendo que, na primeira metade do atual exercício, este número já alcançou a marca de 1,7 milhão. Entre os pleitos relembrados pelo titular da pasta no município está a necessidade de reiterar a pauta de discussões em torno da responsabilidade solidária, que deposita integralmente sobre as agências de viagens o peso de qualquer tipo de infortúnio ocorrido com o passageiro.

Os efeitos da Reforma Tributária também foram assinalados em sua manifestação, uma vez que acarreta ônus fiscal e coloca destinos brasileiros em posição de desigualdade com polos turísticos, a exemplo da Espanha, cuja incidência do imposto sobre os serviços é mais competitiva.
De acordo com Souza, grandes eventos rotulam São Paulo como a capital capaz de atrair turistas o ano todo. Citou o carnaval de rua, que gera receita de R$ 4 bilhões para os cofres paulistanos, e a perspectiva de uma dezena de jogos da Copa do Mundo de Futebol Feminino, a serem realizados nos estádios da capital. Também citou 2 megashows já previstos para acontecer em 2027, na Avenida Paulista.
Para acomodar a demanda, salientou números da hotelaria, com 61 mil leitos e 156 mil restaurantes, dos quais dois já têm a distinção de 3 estrelas Michelin.





