O potencial da gastronomia para fortalecer destinos, preservar identidades culturais e gerar oportunidades para comunidades locais esteve no centro de um webinar internacional realizado pela ONU Turismo em parceria com o Basque Culinary Center (BCC). O encontro, promovido nesta terça-feira (29), reuniu especialistas e gestores de diferentes países.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do MTur
Durante a participação brasileira, o Ministério do Turismo apresentou estratégias adotadas no país para estruturar e ampliar o turismo gastronômico. A exposição foi conduzida por Gustavo Assis, coordenador de Produção Associada ao Turismo da Coordenação-Geral de Produtos e Experiências Turísticas (CGPRO) da pasta.
Segundo a abordagem apresentada, o desenvolvimento do segmento passa pela transformação de produtos locais em experiências turísticas, além da capacitação de produtores e empreendedores para receber visitantes. A organização da oferta também deve considerar aspectos como qualidade, segurança e comercialização.
Gastronomia como identidade dos destinos
Um dos principais pontos discutidos durante o webinar foi a necessidade de valorizar as características particulares de cada território.
Em vez da criação de experiências padronizadas, a proposta é explorar elementos capazes de diferenciar os destinos, como histórias, tradições, culturas, conhecimentos locais, produtos regionais e modos de vida.
Em um país de dimensões continentais e marcado por uma ampla diversidade gastronômica, o Ministério do Turismo também destacou a importância da articulação entre produtores, empreendedores, gestores públicos, comunidades e empresas do setor turístico.
Essa integração pode contribuir para transformar a gastronomia em uma experiência capaz de ampliar a permanência do visitante, valorizar produtos locais e fortalecer a identidade dos destinos.
Boas práticas internacionais
A programação também destacou a publicação Good Practices in the Implementation of Gastronomy Tourism (“Boas Práticas na Implementação do Turismo Gastronômico”).
O documento reúne experiências e iniciativas desenvolvidas em sete países: Brasil, Canadá, República Tcheca, Chile, Eslovênia, Espanha e México.
A troca internacional de experiências busca apresentar caminhos para integrar gastronomia, turismo e desenvolvimento territorial, considerando as particularidades sociais, econômicas e culturais de cada destino.
Experiências do Brasil
Entre as iniciativas brasileiras apresentadas esteve o programa Experiências do Brasil, desenvolvido pelo Ministério do Turismo e apontado durante o webinar como referência para a aproximação entre produtores e a cadeia de valor do setor.
O projeto foi implementado inicialmente junto a agricultores familiares e empreendimentos ligados ao turismo rural, com o objetivo de transformar produtos agroalimentares em experiências turísticas conectadas à identidade dos territórios.
Posteriormente, a metodologia também chegou a comunidades indígenas, quilombolas e assentamentos rurais, ampliando as possibilidades de participação desses grupos na atividade turística.
Capacitação e geração de renda
A experiência do programa mostrou que a presença de um produto de qualidade, isoladamente, não é suficiente para garantir sua inserção no turismo.
Entre os fatores considerados essenciais estão a capacitação dos produtores, o acompanhamento técnico, a aproximação com o mercado turístico e a articulação entre os diferentes integrantes da cadeia.
Outro princípio defendido é que o turismo funcione como atividade complementar à produção tradicional das comunidades. Dessa forma, pode gerar novas oportunidades de renda e valorização dos produtos locais sem substituir atividades, conhecimentos e modos de vida já existentes nos territórios.




