Um indicador ganha terreno para gerar valor para a personalização e negócios para a hotelaria. Ao abordar “Como as Indicações Geográficas Agregam Valor à Hotelaria”, Bianca Antonini, especialista em turismo, hospitalidade e gastronomia, atuando como consultora do Sebrae Turismo – Santa Catarina, apresentou reflexões a um público de profissionais do setor de hotéis. A palestra integra o conteúdo do 37º Encatho & Exprotel, que termina nesta quinta-feira (13), no CentroSul, em Florianópolis.
por Cecília Fazzini, de Florianópolis*
A entrega para o turista foi a pergunta-chave, com o questionamento sobre o quanto a hospedagem pode ir além da condição de commodity na forma de atrair o cliente. Classificou que 83% dos visitantes buscam exclusividade e experiências únicas e que a localização define a escolha de 2 em cada 3 hóspedes, principalmente aquelas que são referência e têm identidade própria.
A questão central é definir como as especificidades regionais agregam valor ao negócio da hospedagem. “Quando o empreendimento é único, sem similar em nenhum outro lugar, a sensação de quem busca a opção se amplifica”, assegurou Antonini. Em Santa Catarina, exemplificou atrativos na gastronomia serrana que passam pelo vinho, maçã, cachaça, banana, entre outros, que se transformam em roteiros e polos de visitação.

A IG – Indicação Geográfica se classifica em duas frentes: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). No mundo, as referências consagradas são a região francesa de Champagne – que denomina o festejado espumante; o presunto de Parma – ícone da localidade italiana do produto que tem fama mundial; e o uísque scotch, símbolo detido pela Escócia.
No Estado de Santa Catarina há novas IGs em construção, a exemplo do camarão de Laguna, ostras de Florianópolis, móveis de São Bento e uma lista que só se avoluma. O que o hotel ganha com essa expressão geográfica? Para a largada, a especialista aponta que “a estrutura pode ser replicada, a identidade cultural, não”.
Critérios
Para sedimentar o conceito de IG há um figurino a ser seguido, onde pesam três ciclos: qualidade e rastreabilidade; história e narrativa – que invoca a memória afetiva com elementos como a gente e produtos locais; exclusividade e diferenciação, que potencializam a experiência.
A IG catarinense vem sendo trabalhada com a hotelaria para gerar soluções de experiência para os empreendimentos hoteleiros do estado. Com o apelo da regionalização, a consultora listou o café da manhã com produtos locais, constituído por queijos serranos, salame, mel, geleias, espumante, tudo com a procedência identificada à mesa. O diferencial fica por conta também dos ingredientes utilizados na confecção dos alimentos servidos. Amenities também evocam a identidade, produzidas com insumos locais, de novo com a devida informação de origem. A gastronomia, ajudada por cardápios temáticos, harmonização com vinho regional, piqueniques, se difunde para um turista exigente que busca exclusividade.
IG é sinônimo de economia – com aumento do ticket médio – e também de sustentabilidade, com gestão social, porque se insere na cadeia da hospitalidade. “O uso dos ingredientes, obrigatoriamente associado à comunicação ao consumidor é o que dá corpo à essa identificação”, garante Antonini. “O hotel é o embaixador do turismo”, a opinião da consultora arrematou aos presentes à palestra, o quanto negócio e lugar estão associados e somam valor ao que se entrega na experiência ao hóspede.
*A jornalista viajou convidada pela Encatho com seguro viagem da GTA




