A Meliá Hotels International reforçou, durante a ABAV Expo 2026, sua estratégia de fidelização de clientes, relacionamento com o trade e ampliação da presença junto ao público de lazer em São Paulo. Em entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO, Danilo Gomes Andrade, Head de Vendas para os Hotéis Brasil da companhia, destacou o papel do programa Meliá Rewards, a importância das agências de viagens na decisão de compra e a mudança no perfil de ocupação dos hotéis da capital paulista.
Paulo Atzingen (entrevista) com Redacao
Segundo o executivo, embora São Paulo continue fortemente associada ao turismo de negócios e eventos, a hotelaria vem acompanhando o crescimento das viagens motivadas por gastronomia, cultura e entretenimento, especialmente aos finais de semana. Para a Meliá, esse movimento abre espaço para novas experiências e produtos voltados ao visitante de lazer.
Fidelização ganha peso na estratégia da Meliá
Um dos principais pilares comerciais da companhia é o Meliá Rewards, programa de fidelidade que permite ao hóspede acumular pontos a partir dos gastos realizados nos hotéis da rede e utilizá-los posteriormente em diferentes produtos e serviços.
“Hoje, como relevância para o viajante, a Meliá tem um programa de fidelidade com presença forte em grande parte dos hotéis e destinos, muito focado nessa questão da fidelização do cliente e para que ele possa fazer toda a dinâmica de resgate dos pontos, não só nos hotéis Meliá, mas também com parceiros relevantes para as marcas”, explicou Danilo.
O sistema permite que os valores gastos durante a hospedagem sejam convertidos em pontos do programa.
“Basicamente, o que o cliente gasta nos nossos hotéis, em reais, retorna para ele em pontos Meliá Rewards. Ele pode resgatar tanto em hospedagem quanto em serviços de alimentação, restaurante, bar e eventos.”
Para o executivo, contar com um programa global representa uma vantagem importante para uma rede com atuação internacional.
“Quando você tem um programa de fidelidade global, consegue ter uma base de clientes muito grande. Isso é extremamente relevante para qualquer marca de hotelaria.”
Danilo avalia que a fidelização deixou de ser apenas uma tendência e passou a ocupar espaço central na relação entre empresas e consumidores.
“Hoje, essa questão da fidelização do cliente tem sido mais do que uma tendência. É uma realidade. Toda marca precisa garantir que dialogue e consiga fidelizar esse público.”
Agentes de viagens seguem essenciais mesmo com avanço digital
Durante a entrevista, Danilo também ressaltou o papel das agências de viagens e das operadoras na estratégia comercial da Meliá.
Para ele, mesmo com o avanço de plataformas digitais, mudanças nos canais de distribuição e crescimento do uso de inteligência artificial, o profissional de turismo continua tendo influência relevante sobre o consumidor.
“A gente sabe que o mundo tem mudado cada vez mais, com tecnologia e players digitais, mas acredita muito na importância que a parceria com as agências de viagens e com o trade tem e representa.”
Essa relação, segundo Danilo, também explica a presença constante da rede em grandes eventos do setor turístico.
“A gente não deixa de estar presente nas maiores feiras em nível mundial. Tivemos agora a FIT Argentina, estamos aqui na ABAV, participamos da WTM e de uma série de eventos em que fazemos questão de estar.”
Na avaliação do executivo, a transformação digital não elimina a importância da atuação humana durante o processo de escolha de uma viagem.
“Mesmo com a evolução digital, a transformação dos canais de vendas e a presença agora da inteligência artificial, entendemos o quanto o parceiro, o agente de viagens e a operadora são importantes no processo de tomada de decisão e na influência sobre o viajante.”
Por isso, acrescentou, a participação em eventos do setor continua sendo uma das ferramentas utilizadas pela Meliá para fortalecer seu relacionamento com os parceiros comerciais.
“A gente sempre considera estar presente nesses eventos para consolidar as parcerias com o trade.”
Meliá acompanha transformação do turismo em São Paulo
A capital paulista também ocupa espaço importante na estratégia brasileira da rede.
“Em São Paulo, hoje estamos presentes basicamente nas principais regiões. Temos hotéis desde a Zona Leste até a Zona Sul”, afirmou Danilo.
Segundo o executivo, a Meliá trabalha globalmente com diferentes níveis de posicionamento de marcas, permitindo atender públicos com necessidades variadas.
“A Meliá trabalha com três patamares de marcas: essenciais, premium e luxo. Hoje, no Brasil, temos marcas que conseguem atender desde o viajante que prefere um hotel com melhor custo-benefício até aquele que busca categorias mais altas.”
Essa diversidade também permite atender clientes corporativos, executivos e outros públicos que demandam serviços de hotelaria de maior padrão.
Ao mesmo tempo, a companhia observa uma mudança importante na dinâmica turística da capital paulista.
“São Paulo é conhecida por dois patamares: turismo de negócios e turismo de eventos. Só que a gente vem acompanhando também o crescimento da parte de entretenimento e gastronomia, além, obviamente, da parte cultural.”
O reflexo desse movimento já pode ser percebido na ocupação dos hotéis, segundo Danilo.
“A gente vê a ocupação dos hotéis melhorando ano contra ano nos finais de semana.”
Lazer ganha espaço nos hotéis da capital
Com essa mudança, a Meliá passou a observar com maior atenção o comportamento do hóspede que chega a São Paulo exclusivamente para lazer.
“Sabemos que São Paulo é uma cidade com hotéis muito corporativos, mas temos olhado com muito critério para o público de lazer, pensando na experiência do final de semana.”
A estratégia inclui a criação de experiências voltadas a públicos específicos. Entre as ações mencionadas por Danilo está uma iniciativa preparada para o período do Dia das Crianças, inspirada em Alice no País das Maravilhas.
“A Meliá está preparando uma ação muito focada para o público infantil, que é um chá da Alice, com um café da manhã com personagens de Alice no País das Maravilhas.”
A iniciativa busca atrair, entre outros perfis, famílias do interior paulista que realizam deslocamentos de curta duração até a capital.
Segundo o executivo, esse comportamento vem ganhando força. “Temos visto esse movimento de viagens curtas crescer ano após ano.”
Para Danilo, São Paulo tende a ampliar cada vez mais seu espaço como destino de lazer, sem perder a força tradicional dos segmentos corporativo e de eventos. “A gente acredita muito não só no turismo de eventos e no turismo de negócios, mas também nesse vetor cultural e de entretenimento para os finais de semana.”




