Cafés, símbolos parisienses, retornam atividades na capital da França

Em meio ao tinir de xícaras de café e a suspiros de alívio, os franceses retornaram aos cafés e restaurantes, ontem, depois de esses estabelecimentos passarem 11 semanas fechados em razão do coronavírus, numa das primaveras europeias mais quentes da história.

Financial Times

“Voltamos a estar vivos”, exclamou Thierry Fermond, um dos gerentes do famoso Café de Flore, enquanto clientes endinheirados saboreavam seus cafés e croissants em mesas cuidadosamente distanciadas na calçada do Boulevard Saint-Germain.

Da mais elegante brasserie parisiense aos bares de esquina mais humildes nas províncias, essas instituições são a força social da França e seu sucesso ou fracasso pós-pandemia ajudará a decidir o destino econômico do país nos próximos meses e anos.

A área de turismo, hotelaria e restaurantes emprega 2 milhões de pessoas, 10% da força de trabalho do setor privado na França. Por isso, não foi surpresa que o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, tenha permitido que o filmassem tomando um café e batendo papo, ontem de manhã, na Praça da Bastilha, no Café des Phares, um “café-filo” que promove discussões filosóficas.

Alguns momentos antes, ele havia previsto, em entrevista a uma emissora de rádio, que a economia francesa provavelmente encolherá 11% neste ano como resultado do “choque extremamente violento” da pandemia. “O pior [para a economia] ainda está por vir”, disse à rádio RTL. “Pagaremos por isso na forma de crescimento [negativo].”

Quase 29 mil pessoas morreram de covid-19 na França desde 1º de março, mas os números diários de infecções e mortes no país diminuíram muito nas últimas semanas.

A volta dos cafés e restaurantes à normalidade, porém, deverá ser lenta e demorada. Para começar, estão fora de cena os turistas internacionais que normalmente se amontoavam em Paris – uma das três cidades mais visitadas do mundo, ao lado de Londres e Bangcoc – nesta época do ano.

Os cafés e restaurantes também restringiram o número de clientes, impondo regras de distanciamento social – por enquanto não será permitido atender clientes de pé nos bares – e medidas rigorosas de higiene, a exemplo do uso de máscaras pelos garçons.

Nas proximidades da catedral Sacré Coeur, no norte de Paris, o coração turístico de Montmartre, tudo ainda parece muito quieto. Os cafés e restaurantes ao redor da Place des Tertre abriram ontem, mas estavam praticamente desertos ao meio-dia, já que normalmente não são frequentados por clientes locais.

Temos 40 mesas disponíveis ao ar livre e todas estão vazias, até um cego pode ver que temos um problema”, disse Mélanie Carette, garçonete no restaurante Sabot Rouge.

“Não é fácil”, disse Christophe, que administra um café de esquina chamado Le Comptoir des Saints-Pères, referindo-se aos últimos dois anos, marcados pelos protestos dos “coletes amarelos” contra o governo, as greves do setor público e, agora, a covid-19. “Estou fazendo isso [a reabertura parcial] para agradar meus clientes. Não vou ganhar dinheiro algum.”

 

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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