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Caos no Aeroporto de Confins: buraco na pista paralisa voos e expõe dificuldades na assistência aos passageiros

Caos no Aeroporto de Confins começou com uma avaria no pavimento da pista e se transformou, ao longo de sábado (26), em um efeito dominó de cancelamentos, atrasos, conexões perdidas e longas filas para reacomodação. Mesmo depois da liberação da pista, às 15h08, passageiros ainda enfrentavam horas de espera e reclamavam da falta de informações e assistência.

DA REDAÇÃO com agências

O problema começou pela manhã, quando uma ocorrência no pavimento da pista de pousos e decolagens levou a BH Airport, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, a suspender as operações como medida de segurança.

Inicialmente, a concessionária classificou o serviço apenas como uma “intervenção corretiva pontual”. Reportagens da Itatiaia, UOL, Folha de S.Paulo e outros veículos identificaram a ocorrência como um buraco ou deterioração no pavimento. A pista permaneceu fechada por mais de sete horas e somente foi liberada às 15h08.

Até agora, entretanto, há uma questão ainda sem resposta: o que provocou a deterioração da pista? A BH Airport informou a realização do reparo emergencial, mas não apresentou publicamente, nas informações consultadas pelo DIÁRIO, um diagnóstico técnico sobre a origem da avaria.

Caos no Aeroporto de Confins atingiu dezenas de voos

A dimensão do problema aumentou ao longo do sábado. Um balanço divulgado inicialmente pela concessionária apontava 45 voos cancelados. Posteriormente, a BH Airport informou ao UOL que 50 pousos e 41 decolagens haviam sido cancelados, totalizando 91 movimentos.

A Azul, empresa com forte operação em Confins, informou que 41 voos foram cancelados e outros 36 sofreram atrasos. A Gol também confirmou cancelamentos, mas não informou naquele momento o número total de operações afetadas.

A paralisação teve reflexos que ultrapassaram Minas Gerais. Confins funciona como importante ponto de conexão da malha doméstica e, quando um aeroporto desse porte fica fechado durante horas, aviões deixam de chegar ao local e, consequentemente, também deixam de cumprir os trechos seguintes de suas programações.

O resultado é um efeito cascata: aeronaves e passageiros ficam fora de posição, conexões são perdidas e as empresas precisam reorganizar a malha mesmo depois que a infraestrutura aeroportuária volta a funcionar.

Por isso, a liberação da pista às 15h08 não significou a normalização imediata do aeroporto.

Filas continuaram mesmo depois da reabertura

Esse segundo momento do caos no Aeroporto de Confins aparece nos relatos dos passageiros ouvidos pelo Estado de Minas.

Gorete Lopes e o marido, Paulo Lopes, estavam no aeroporto desde as 11h. O casal havia saído de Sorocaba (SP) às 2h da madrugada e tinha Porto Seguro, na Bahia, como destino final.

Na fila da Gol, Paulo relatou que não havia recebido auxílio com alimentação ou água e reclamou da dificuldade para obter informações. Pelo aplicativo, apareceu a possibilidade de embarque apenas às 16h50 do domingo (27), o que representaria a perda de praticamente dois dias da viagem. O casal permaneceu horas aguardando uma alternativa.

Situação semelhante foi relatada pelo motorista Elionel Aparecido Corrêa, que estava com a mulher e o filho de 2 anos no aeroporto desde as 7h, também com destino a Porto Seguro.

Segundo ele, idosos e crianças chegaram a passar mal durante a espera.

Até agora, entretanto, há uma questão ainda sem resposta: o que provocou a deterioração da pista? A BH Airport informou a realização do reparo emergencial, mas não apresentou publicamente, nas informações consultadas pelo DIÁRIO, um diagnóstico técnico sobre a origem da avaria. (Crédito: Aeroporto Confins Divulgação)

Passageiros ficaram horas dentro dos aviões

O transtorno não se limitou aos balcões.

O cantor católico Fernando César Vinhoti e integrantes de sua banda, que viajavam de Curitiba para Barreiras (BA), com conexão em Confins, relataram ter permanecido cerca de três horas dentro da aeronave enquanto aguardavam uma definição.

O voo deveria deixar Confins às 8h20. Com a demora e o calor dentro do avião, os passageiros foram desembarcados. Depois voltaram à aeronave, mas acabaram retirados novamente.

O voo chegou a ser remarcado para as 14h30, foi posteriormente cancelado e transferido para domingo. O grupo conseguiu também alterar o horário da apresentação que faria em Baianópolis, na Bahia. No fim da tarde, recebeu hospedagem, transporte e alimentação.

Outros passageiros fizeram relatos semelhantes. Uma passageira ouvida pelo UOL afirmou ter permanecido cerca de duas horas dentro de uma aeronave antes de voltar ao saguão.

Problema em Confins coincidiu com dificuldades em São Paulo

O sábado também registrou condições meteorológicas adversas em São Paulo. Congonhas e Guarulhos tiveram voos afetados por nevoeiro, segundo informações das próprias companhias aéreas divulgadas pelo UOL.

Gol e Latam confirmaram cancelamentos, atrasos ou alternâncias relacionados às condições meteorológicas nos aeroportos paulistas.

Isso significa que a malha aérea enfrentava dois problemas simultâneos: a interrupção física da pista em Confins e restrições meteorológicas em aeroportos importantes de São Paulo.

Não é possível atribuir todos os transtornos registrados em Confins ao mesmo fator. No terminal mineiro, porém, a paralisação da pista foi o elemento central para os cancelamentos e atrasos registrados ao longo do sábado.

Assistência aos passageiros é obrigação das companhias

Os relatos de passageiros que afirmam não ter recebido alimentação ou assistência merecem atenção porque as regras da Agência Nacional de Aviação Civil estabelecem obrigações às transportadoras em situações de atraso e cancelamento.

Pelas regras aplicáveis, as companhias devem oferecer assistência material progressivamente, de acordo com o tempo de espera, além das alternativas previstas para reacomodação, reembolso ou continuidade da viagem.

A regulamentação da Anac também estabelece que a reacomodação pode ocorrer gratuitamente em voo próprio ou de terceiros para o mesmo destino, na primeira oportunidade disponível.

Uma atualização da Resolução 400 foi publicada pela Anac em 25 de setembro, mas as novas disposições entram em vigor somente em 26 de outubro de 2026. Portanto, não devem ser confundidas com as regras vigentes no momento do episódio de Confins.

A pergunta que permanece sobre a pista de Confins

O episódio deixa uma questão que vai além dos atrasos e cancelamentos: por que uma avaria capaz de interromper durante mais de sete horas a única pista operacional do aeroporto surgiu a ponto de exigir uma intervenção emergencial?

Até a divulgação das informações consultadas para esta reportagem, a BH Airport havia explicado que suas equipes realizaram uma intervenção corretiva e que a paralisação ocorreu por razões de segurança, mas não detalhou publicamente a origem técnica da deterioração.

A concessionária afirmou que lamentava os transtornos e que acompanhava, junto às companhias aéreas, a retomada gradual das operações.

A suspensão preventiva da pista diante de uma avaria é uma medida de segurança. O ponto ainda a ser esclarecido é anterior a ela: o que causou o problema no pavimento e se havia sinais que permitissem detectá-lo antes de uma paralisação dessa magnitude.

Enquanto essa resposta não vier, a explicação do episódio estará incompleta.

 

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