Editorial: “O sabor amargo da incerteza”

Conselho Editorial do DIÁRIO

15 ANOS DIÁRIOS – PUBLICADO DIA 23 DE MAIO DE 2015

 

Por que o cheiro de quebradeira se espalha no ar? Às vezes por simples boataria, o mais inflamável dos combustíveis, mas também por forças da macro-economia culminando em insolvências empresariais mais pujantes e abrangentes.

 

Viajemos ao passado e veremos que vez ou outra há ajustes no mercado do turismo e um ou outro vira a bola da vez.

 

Uma acomodação normal que acaba se originando em crises de crédito, mas às vezes o maior problema se resume em gestão. Aprendemos com o passado?

 

Claro que não. Voltemos, por exemplo aos anos 80, para não voltarmos muito.

 

Quem foi a bola da vez nas crises passadas? As operadoras Nacional e a Dimensão, por exemplo, no final dos anos 80. Lembram do caso Sightseeing que operava com o marítimo? Ela deixou centenas de passageiros no cais e um deles era um juiz, que abriu um processo contra a empresa. Tivemos outras que entraram em processo falimentar, por diversos motivos como a Louvre, DN e a Concorde…quem lembra?

 

Mais tarde vimos a derrocada da Sttela Barros (Copa de 1998), que deixou torcedores na mão com os ingressos da Copa da França, depois a Soletur, a Panexpress, a Ati, não necessariamente nessa ordem…

 

O que serviu de exemplo? Tivemos mais quebradeiras por causa de gestões equivocadas do que pela velha desculpa atribuída ao câmbio, pela inadimplência, ou  pelos custos operacionais.

 

É comentado sempre no mercado que depois da quebradeira feita, o fato cai no esquecimento.  No entanto é preciso lembrar que quem paga a conta é o passageiro que acaba não viajando ou não têm seu dinheiro reembolsado.

 

O que nos preocupa é a tendência atual do mercado em operar no sistema de antropofagia tarifária e não o boato. E a dura situação econômica em que o país passa, que nos torna mais vulneráveis. Excelente momento para os aproveitadores de plantão.

 

As entidades precisam ser demasiadamente fortes e não permitir que o prejudicado seja o passageiro, em primeiro lugar, depois ver métodos para socorrer o associado.

 

Que este episódio do momento não seja mais um registro de fracasso gerencial. É preciso fazer valer o velho bordão do futebol quando dizem: Segue o jogo.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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1 COMENTÁRIO

  1. Em Administração usa-se a expressão “diferencial” para destacar aquelas empresas que vão além do óbvio, podemos assim dizer, da sua atividade. Quando se pensa em Turismo devemos pensar numa atividade que requer inovação constante. Há uma tendência em “copiar” do que ser “original” em questão de novas idéias, neste segmento de atividade. Estamos presenciando os hotéis pedindo o depósito antecipado do valor da hospedagem, em substituição ao pagamento de uma diária no check-in e a diferença do valor da hospedagem, no check-out, como vigorava, em alguns hotéis. Outra opção que havia, era o pagamento integral da hospedagem no check-out e, havia até estabelecimentos que ofereciam possibilidade de parcelar o pagamento no cartão de crédito. Traçando um comparativo entre Hotéis e, demais meios de hospedagem, com as Companhias Aéreas, percebemos que os Aeroportos demonstram estarem com mais passageiros em relação a taxa de ocupação de leitos (número de hóspedes): pressupõe que exista uma demanda considerável que poderia permanecer mais tempo nas cidades de destino, alavancando a economia dessas cidades, se o pagamento das diárias de hospedagem pudessem ser feitas no molde do pagamento das passagens; mas, na ausência deste consenso prevalece o chamado “bate e volta” (sem hospedagem), acarretando enorme cansaço ao turista, aliado à ausência de conforto (geral) na viagem.

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