Um grupo de 22 crianças atendidas pelo Centro de Ensino e Reabilitação (CER) participou de uma experiência inédita de turismo cívico inclusivo em Brasília. Totalmente adaptado para pessoas com deficiência, o passeio permitiu aos participantes conhecer de perto espaços históricos e institucionais da capital federal.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações do MTur
A atividade, realizada nesta quinta-feira (17), marcou a estreia do programa “Roteiros da Cidadania e Cultura”, desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Instituto Artetude Cultural. A proposta é utilizar o turismo como instrumento de inclusão, educação e aproximação da população com a história do país.
Ao longo de 12 meses, estão previstas 60 visitas guiadas com mediação educativa. A expectativa é atender diretamente mais de 2 mil pessoas, entre estudantes do ensino médio, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), participantes de cursos técnicos da rede pública do Distrito Federal, integrantes de instituições comunitárias e pessoas com deficiência.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a iniciativa amplia o papel do turismo cívico como ferramenta de aprendizado e inclusão social.
“Queremos aproximar nossos estudantes da história de Brasília e do Brasil, transformando monumentos em uma verdadeira aula sobre os valores democráticos. Garantir que jovens de escolas públicas e pessoas com deficiência vivenciem esses espaços é valorizar o conhecimento e a cidadania. Esse contato direto desperta o sentimento de pertencimento e amplia horizontes. Seguiremos investindo para que a nossa capital seja, cada vez mais, uma referência de aprendizado, cultura e acesso para todos”, afirmou.
Roteiros também valorizam outras regiões do DF
O circuito não se restringe aos prédios públicos da região central de Brasília. A programação também estabelece conexões com áreas importantes para a formação e a identidade do Distrito Federal, incluindo Ceilândia e Planaltina.
Entre as 60 atividades previstas, seis serão exclusivas e totalmente adaptadas para pessoas com deficiência. Essas visitas contarão com suporte especializado, trajetos acessíveis, intérpretes de Libras, audiodescrição e materiais informativos em Braille.
Para Maria de Nazaré Silva dos Santos, presidente do Centro de Ensino e Reabilitação, proporcionar às famílias e aos usuários da instituição a possibilidade de conhecer espaços como o Senado e a Câmara dos Deputados ajuda a ampliar o acesso à cidade.
“É muito importante porque a maioria das famílias não tem essa oportunidade de visitar e conhecer os lugares com todo suporte de acessibilidade”, afirma Nazaré.
Ela também destaca a importância do sentimento de inclusão proporcionado pela iniciativa.
“Estar presente nesses espaços, faz com que essas pessoas se sintam pertencentes a esses lugares que integram o seu dia a dia. É muito importante para vivência, para a vida e para o pertencimento das pessoas com deficiência”.
Famílias destacam acolhimento durante passeio
Sandra Gomes, mãe de Bruna, uma das estudantes atendidas pela instituição, conheceu os monumentos pela primeira vez e destacou a reação da filha ao longo da experiência.
“Eu senti alegria, porque pela primeira vez eu a vi se interessando por algo. Ela ficava passando as páginas e mostrando os lugares”, comemora a mãe.
Sandra também ressaltou o atendimento oferecido pela equipe responsável pelo roteiro.
“Ela se sentiu acolhida. Em muitos lugares nossos filhos não são assim tão bem recebidos. Às vezes, em alguns locais, eu sinto a exclusão deles, mas aqui não. Foi maravilhoso”.
Turismo cívico transforma Brasília em sala de aula
Além da visita aos monumentos, o projeto busca apresentar aos participantes a função das instituições e o contexto histórico dos espaços percorridos.
Segundo o guia de turismo Cedric Valente, a programação foi desenvolvida com abordagem educativa para transformar o passeio em uma experiência de conhecimento.
“Todo esse conhecimento que a gente traz é alinhado pedagogicamente. Fazemos uma abordagem para eles saberem um pouquinho de como funcionam as instituições, como foi e como está sendo construída essa nação”, detalha Cedric.
O guia também destaca a importância da contextualização histórica durante a visita.
“O guia de turismo faz toda essa abordagem e contextualização histórica, permitindo que o visitante não só passe a observar o monumento, mas entender o que é aquele símbolo, qual a sua representatividade”, complementa.
Para Cedric, o estímulo às visitas aos espaços cívicos e arquitetônicos da capital também pode beneficiar diferentes atividades ligadas ao turismo.
“Cria ali um cenário que movimenta desde os vendedores de lembrancinhas até os guias de turismo, os profissionais de ônibus, injetando dinheiro na cadeia produtiva local”, pontua o guia.
Brasília reforça vocação para o turismo cívico
A escolha de Brasília como palco do programa está relacionada à concentração de espaços ligados à história política e institucional brasileira, além do patrimônio arquitetônico e cultural da cidade.
Fabiana Oliveira, diretora do Departamento de Ordenamento, Inteligência e Desenvolvimento do Turismo do Ministério do Turismo, destaca as características da capital para o desenvolvimento desse segmento.
“Brasília reúne todos os atributos para que a gente possa contar essa história. Tem uma importância política, um valor histórico muito grande. É uma cidade classificada como patrimônio mundial da UNESCO”, explica a diretora.
Segundo Fabiana, o projeto também pretende aproximar os moradores do Distrito Federal do patrimônio existente na própria região.
“É importante contextualizar os circuitos guiados para Brasília, justamente para que as pessoas que moram no entorno possam conhecer melhor do patrimônio cultural e político da cidade”.
A iniciativa está alinhada à Portaria MTur nº 24, de 22 de junho de 2026, que regulamenta o turismo cívico no âmbito da Lei Geral do Turismo. A norma estabelece o segmento como uma modalidade do turismo cultural ligada à memória política e à vida institucional dos destinos, com diretrizes voltadas à diversidade, inclusão e capacitação de educadores.




