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Europa monitora avanço do Ebola, mas rejeita suspensão de voos

Autoridades de saúde europeias acompanham com atenção o avanço do novo surto de Ebola na África Central, mas, ao contrário dos Estados Unidos, não defendem neste momento restrições de viagens ou suspensão de voos vindos das regiões afetadas.

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Euronews

O surto registrado na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda já foi classificado como emergência de saúde pública de interesse internacional e soma ao menos 131 mortes e cerca de 500 casos confirmados.

Enquanto o governo norte-americano anunciou medidas como triagem de passageiros e restrições de entrada para viajantes vindos de países afetados, especialistas europeus afirmam que o risco de disseminação no continente ainda é considerado baixo.

Bélgica reforça monitoramento por ligação aérea com Kinshasa

A Bélgica aparece entre os países europeus em maior estado de atenção por manter voos diretos frequentes com Kinshasa, capital da RDC. O Aeroporto de Bruxelas é atualmente uma das principais portas de entrada da Europa para passageiros vindos da região.

A Brussels Airlines opera voos diários entre Bruxelas e Kinshasa utilizando aeronaves Airbus A330, com capacidade para cerca de 290 passageiros.

Segundo o virologista belga Steven Van Gucht, a situação exige vigilância, mas não há motivo para pânico.

“A situação na RDC é séria e deve ser enfrentada de forma decisiva no local. Bruxelas realmente possui ligações diretas com Kinshasa, o que justifica vigilância”, afirmou à Euronews.

Apesar disso, o especialista ressaltou que experiências anteriores mostram que o risco para a Europa permanece reduzido.

Companhias aéreas mantêm operações normalmente

A Brussels Airlines informou que segue monitorando o cenário em contato com autoridades sanitárias e que, até o momento, todos os voos continuam operando normalmente.

“Estamos monitorando a situação de perto, seguindo nossos procedimentos padrão. Mantemos contato com todas as autoridades relevantes e ajustaremos nossas operações se isso for necessário”, declarou Joëlle Neeb, gerente sênior de relações com a mídia da companhia.

A empresa destacou ainda que suas tripulações são treinadas para lidar com situações envolvendo doenças infecciosas.

“Nossas equipes são treinadas para isso. Entre outras coisas, monitoram possíveis sintomas, aplicam medidas de higiene, como higienização frequente das mãos, e limitam o contato quando necessário.”

Especialistas questionam eficácia da triagem em aeroportos

De acordo com especialistas europeus, o Ebola não é transmitido pelo ar, mas sim pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e sintomáticas.

Outro ponto considerado importante é o período de incubação da doença, que pode variar entre dois e 21 dias. Isso faz com que medidas como aferição de temperatura em aeroportos tenham eficácia limitada.

“Um viajante no período de incubação ainda não apresenta febre e, portanto, não será detectado”, explicou Steven Van Gucht.

A avaliação também é compartilhada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). A especialista Celine Gossner afirmou que o órgão não recomenda, neste momento, triagem de entrada nos aeroportos europeus.

“A triagem em aeroportos exige recursos substanciais, mas possui eficácia limitada”, declarou.

Segundo os especialistas, o controle sanitário ainda nos países afetados tende a ser mais eficiente para conter a propagação do vírus.

Europa descarta restrições de viagem

Diferentemente dos Estados Unidos, o ECDC não recomenda restrições de entrada ou suspensão de voos. Para Steven Van Gucht, medidas desse tipo podem gerar mais impactos negativos do que benefícios.

“Essas medidas trazem pouco benefício epidemiológico, prejudicam a ajuda humanitária e as cadeias de suprimentos e podem levar a atrasos na notificação dos surtos”, afirmou.

O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças também se posicionou contra o fechamento de fronteiras.

“A posição do CDC África é clara: restrições generalizadas de viagem e fechamento de fronteiras não são a solução para surtos”, informou o órgão em comunicado.

Ebola: vigilância e rastreamento seguem como prioridade

Autoridades europeias afirmam que o foco atual está em protocolos de segurança para passageiros com sintomas, rastreamento de contatos e rápida identificação de possíveis casos importados.

O Aeroporto de Bruxelas informou que possui procedimentos específicos para doenças infecciosas e que passageiros suspeitos podem ser encaminhados diretamente para atendimento especializado.

Especialistas também orientam que viajantes vindos das áreas afetadas procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como febre, dores de cabeça ou mal-estar dentro de até 21 dias após o retorno.

“Esse sistema de alerta precoce é mais importante do que a triagem ampla de temperatura de todos os passageiros”, afirmou Van Gucht.

Segundo o ECDC, equipes técnicas já foram enviadas para a República Democrática do Congo para apoiar ações de coordenação e resposta ao surto.

Fonte: Euronews

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