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Para quem não viu: brasileiro comparado a poodle e mí­dia espontânea

Deselegância de gerente do Valle Nevado se juntou à da assessoria da Gramadotur que divulga o alcance de mídia espontânea como um troféu. Ao contrário, é um desrespeito à cadeia produtiva do turismo, da cultura e do entretenimento porque ignora o trabalho de profissionais da comunicação.

CONSELHO EDITORIAL DO DT


Dois fatos considerados no mínimo deselegantes chegaram nesta segunda-feira aos canais do DIÁRIO DO TURISMO. O primeiro, um post no grupo de whatsapp do DT – com base em uma notícia da revista Veja Online – em que o gerente do Valle Nevado, Rodrigo Côrtes, compara o brasileiro a cachorro de raça poodle.

A segunda, outra dose de deselegância e grosseria velada, recebemos por email: um release da assessoria da Gramadotur fazendo um balanço de mídia espontânea no 51º Festival de Gramado. Segundo a diretora da Pauta Conexão e Conteúdo, a assessoria, mais de meio bilhão de pessoas foram impactadas pela mídia online, já nas matérias televisivas e radiofônicas, a audiência foi de 283 milhões de espectadores. É preciso avisar a essa assessoria que alardear o sucesso de mídia espontânea é proporcionalmente desrespeitar a cadeia econômica do turismo, da cultura e do entretenimento. É ignorar o trabalho de centenas, milhares profissionais de comunicação que trabalham em rádio, televisão, jornais impressos e digitais.

Entenda o 1º Caso

Rodrigo Côrtes, é gerente de operações hoteleiras, dos três hotéis que formam o Valle Nevado Ski Resort, e atendeu o repórter Valmir Moratelli, da revista Veja online. Uma das perguntas do jornalista foi: “Como os brasileiros se comportam no dia a dia?”

A resposta de Rodrigo Côrtes foi essa:

“Bom, por exemplo no café da manhã, que começa às 7h, o turista americano já está na porta às 6h45. Encerramos o café às 10h. O brasileiro costuma chegar às 10h15, batendo na porta, gritando para abrirmos. Não gostam de normas para nada! A gente diz: ‘Senhor, sua reserva é às 19h’, eles chegam às 21h30. Esse comportamento é bem brasileiro. É uma cultura diferente, alegre, menos quadrada. Mas querem desfrutar de tudo sem horários”.

“E como lida com isso?” perguntou novamente o repórter:

O brasileiro parece com o Poodle, é muito bravo, mas nem tanto. Isso acontece com vocês. Ficam bravos, falam, mas se falamos que vamos chamar a polícia, aí param, acaba a valentia. São bravos com o garçom, a recepcionista. Mas quando chega alguma autoridade, param.

Este primeiro caso de grosseria está rendendo inúmeros comentários nas redes sociais e nos grupos de whatsapp.

“Não foi elegante ! Foi infeliz na colocação ao maior mercado deles ! Por outro lado é uma verdade a indisciplina dos brasileiros em seguir horários  e comportamento adequados . A imagem do nosso país e esta“, afirmou o hoteleiro Orlando Giglio, no grupo do DIÁRIO

Para Wilian Périco foi muito deselegante a afirmação do gerente. “Se ele passar para a sua equipe está visão dos Brasileiros é muito ruim,  ainda mais se tratando de 60% do público, na verdade eu já fui para lá e senti exatamente o contrário, pois são muito mal educados com os hóspedes e se acham superiores aos Brasileiros, só que os clientes estão se divertindo e eles trabalhando !!“, afirmou Périco, que é diretor da agência de viagens WingsTur.

Realmente …é impressionante como as pessoas estão deselegantes, rudes e sem total noção de civilidade… logo, logo, com a pressão feita virá as redes sociais  com cara de arrependido pedir desculpas…e assim acreditará que está tudo certo. As máscaras caem e depois não há remendo e nem gambiarra que as sustentem!“, afirmou a professora e organizadora de eventos, Andrea Nakane.

Entenda o 2º Caso 
O Festival de Cinema de Gramado gerou, segundo seus organizadores um retorno de mídia à cidade serrana. Em sua 51ª edição, os números somam R$391.595.466,60. Segundo os dados enviados hoje à redação. O montante é o maior da série histórica, com início em 2012, e representa um aumento de 93% em relação ao registrado na edição anterior. Durante o evento, que ocorreu de 11 a 19 de agosto, foram computadas, de acordo com a SINOPRESS, empresa paulista especializada no monitoramento e na análise de clipagens, 4.379 matérias, englobando veículos de televisão, rádio, impressos e portais”.

Este caso de deselegância é mais sutil. Existe uma cultura desrespeitosa de empresas – não só no turismo, não só na cultura – de acreditar que mídia espontânea é o melhor negócio pois se economiza em investimentos em promoção de marca.

As mídias são espontâneas até a página 3. Acreditamos que dentro da mídia espontânea existe muita coisa de baixa qualidade e muitas vezes essa mídia espontânea está atrelada à lei do menor esforço. Matérias, produções, edições, mal feitas, mal escritas, mal veiculadas…
Defendemos que as matérias precisam ter substância, em especial quando a pauta é cultura e turismo.
Com a pasteurização da mídia digital e com a transformação em commodity quase tudo que se costumou a se chamar de “conteúdo”, muitas empresas e muitas assessorias vêm desrespeitando os profissionais que atuam em toda a cadeia da comunicação, tratando-os não como poodles, mas como vira-latas.

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