Thomas Dubaere, CEO da Accor Hotels na América do Sul: “Vemos uma luz no fim do túnel”

Accor divulga balanço do primeiro ano de pandemia e revela as projeções para o futuro da hospitalidade na América do Sul

 

POR ZAQUEU RODRIGUES especial para o DIÁRIO


O avanço da vacinação ao redor do mundo começa a iluminar os horizontes da hotelaria mundial. Na América do Sul, onde as viagens domésticas representam 80% da atividade turística, a recuperação deverá acontecer de modo mais rápido em comparação com os destinos dependentes dos turistas internacionais. Isso se justifica, principalmente, pelas restrições de deslocamentos alinhadas à insegurança do viajante para se lançar em viagens longas. Enquanto a pandemia não chegar ao fim, o tempo será de adaptações.

As constatações presentes no parágrafo acima foram apontadas durante a coletiva de imprensa de 2021 da rede Accor Hotels, realizada na manhã desta quinta-feira (25). Desta vez, o tradicional encontro para divulgar o balanço do último ano e esmiuçar as tendências que irão movimentar a hotelaria aconteceu em formato híbrido. A medida foi adotada em função da pandemia de coronavírus– que já matou mais de 250 mil pessoas no Brasil e que continua ditando a rotina dos viajantes e diretrizes econômicas.

Luz no fim do túnel

“A vacinação está começando a acontecer. Com o seu avanço no mundo, já podemos ver uma luz no fim do túnel”, afirmou o CEO da Accor na América do Sul, Thomas Dubaere, que ocupa a posição desde outubro de 2020. Otimista, ele ressaltou que a pandemia inspirou muitas renovações na cultura hoteleira, e esboçou um panorama positivo para o setor em 2021. Dubaere pontuou ainda que o cenário requer planejamento, principalmente a longo prazo, e estratégias alinhadas às necessidades dos viajantes. “Precisamos pensar na recuperação, virar a página de 2020 e mirar o futuro”.

Em sua análise, o CEO considera que a realização dos eventos sofrerá uma redução de 20% de agora em diante e avalia que os grandes encontros voltarão a acontecer de modo mais vagaroso. “O corporativo internacional deve voltar em um período de 12 meses. Agora, estamos investindo em eventos híbridos e repensando os espaços dos hotéis. Hoje, 90% dos hotéis Accor estão abertos seguindo os protocolos de segurança All Safe, desenvolvidos em parceria com a Bureau Veritas”, disse Dubaere, que destacou a aplicação de recursos para a segurança de hóspedes e colaboradores durante esse período de pandemia.

Os impactos da pandemia ficaram evidentes nos números registrados no período de 2020. Durante a coletiva foi anunciado uma receita consolidada de € 1.621 milhões, 54,8% menor do que 2019. Na América do Sul, a receita obtida foi de € 76 milhões, o que representa uma queda de 58% like-for-like e de 69%. Os resultados globais revelam reduções de 62% no RevPAR e de 32% na taxa de ocupação. Já na América do Sul, a taxa de ocupação diminuiu 34 pontos, alcançando 23%; e uma queda de 61,9% no RevPAR.

Em meio a tantas perdas acumuladas pelo setor durante a pandemia, Dubaere sublinhou que a Accor Hotels também teve muitos motivos para comemorar, como os aprendizados e a expansão do portfólio. O CEO lembrou que a Accor incluiu 14 novos hotéis em sua carteira na América do Sul. Para 2021, a expectativa é inaugurar 30 hotéis. “Há um grande potencial para o segmento de lazer. Entre as prioridades para a expansão na região estão a ampliação de conversões, franquias e investimentos na categoria lifestyle”.

Abel Castro, vice-presidente sênior de Desenvolvimento e Novos Negócios da Accor na América do Sul, ressaltou que o objetivo da Accor agora é investir nos modelos de franquias. “O nosso objetivo é alcançar 42 mil quartos de hotéis até 2024 na América do Sul. Hoje a Accor mantém na região 383 hotéis, 62 mil apartamentos; desses 170 são franquias. 2021 será o ano das franquias”, assegurou ele, frisando o potencial para as conversões. “70% dos hotéis da América do Sul ainda são independentes. Mesmos com as dificuldades impostas pela pandemia, mantivemos o ritmo”.

Aberturas

Castro também anunciou a abertura de hotéis e a chegada de novas marcas no decorrer de 2021. Entre outras se destaca a marca By Mercure, lançada mundialmente no Brasil. O primeiro hotel do mundo a receber a designação By Mercure é o Thermas Olímpia Resorts By Mercure. Em 2024, na categoria lifestyle, a rede abrirá as portas do aguardado ibis Styles Maragogi, primeiro resort da marca ibis Styles.

A estratégia para ampliar a oferta lifestyle também inclui a parceria fechada com o grupo Faena, com hotéis em Buenos Aires e Miami. A cultuada marca hoteleira é especializada no segmento de lifestyle de luxo. Segundo Abel Castro, há planos para a chegada do Faena no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro) e Peru (Lima). Ao longo deste ano, a expectativa da Accor é abrir 6 hotéis de suas marcas de lifestyle e de luxo.

O desempenho neste ano tem como grande propulsor as conquistas ao longo de 2020, como a elaboração e implementação dos protocolos de biossegurança, fundamentais para assegurar a operação segura das a atividades hoteleiras. “2020 foi um ano desafiador e nos trouxe oportunidades de aprendizados que permaneceram, como os protocolos”, assegurou André Sena, Chief Officer da Accor na América do Sul. E completa: “Em pesquisa realizada pela Accor constatamos que 77% dos nossos clientes revelam que a maior preocupação para voltar a viajar é com a segurança”, disse ele, ressaltando a importância de repensar os espaços e os serviços.

Adaptações

Apresentar novos produtos é a chave para acompanhar as atuais transformações econômicas e culturais. Durante a pandemia, Sena cita algumas adaptações realizadas pela Accor para atender às novas demandas. Entre elas, prossegue ele, estão a flexibilização na reserva e cancelamentos, a implantação do room office (quartos preparados para que os hóspedes possam trabalhar, e a digitalização de processos que resultam em agilidade e segurança para os hóspedes. “55% das nossas salas de eventos estão preparadas para receber eventos híbridos. A partir de agora a flexibilidade é uma expectativa permanente do cliente e será essencial para o setor em 2021”.

Sena ainda destaca que os programadas de fidelidade foram muito importantes nesse último ano. “Mais de 50% dos nossos clientes continuaram em nosso programa de fidelidade”, aponta ele, que também avisa: “o segmento de Lazer será o grande foco da hotelaria neste ano”.

Durante a coletiva, Thomas Dubaere se disse muito bem acolhido, ressaltou a resiliência dos profissionais brasileiros e revelou estar muito feliz no Brasil. “Me sinto um brasileiro que não fala português”, brincou ele, que prometeu continuar as duas aulas semanais para aprender o idioma do país que o acolheu de portas e de braços abertos”.

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Zaqueu Rodrigues
Zaqueu Rodrigues
Zaqueu Rodrigues é jornalista há mais de uma década e escreve sobre cultura, hotelaria e destinos CONTATO: zaqueufogaca@gmail.com

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