UNEDESTINOS considera a suspensão da isenção de vistos precipitada

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A Unedestinos – União Nacional dos Convention & Visitors Bureaus e Entidades de Destinos considerou, por meio de estudo do professor da USP, Glauber Santos, que a isenção trouxe resultados positivos mesmo em curto período de efetivo rigor. Sem a pandemia, projeção aponta a entrada de R$800 milhões de receita.

Recentemente, o Governo Federal anunciou que irá suspender a isenção unilateral de vistos para turistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão, sob argumento de pouco impacto sobre o turismo internacional receptivo no Brasil. Entretanto, medida que entrou em vigor em 17 de junho de 2019, apresentou resultados positivos na atração de turistas dos países supracitados, ainda que em um curto período pré-pandemia.

“A medida tinha grande potencial para estimular o turismo receptivo internacional. Contudo, oito meses depois, a atividade turística foi quase arruinada pela pandemia de COVID-19. Sendo assim, a isenção de vistos teve muito pouco tempo para mostrar resultados”, aponta Glauber Santos, Professor do Programa de Pós-Graduação em Turismo da Universidade de São Paulo (PPGTUR-USP).

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Toni Sando, Presidente da União Nacional de CVBs e Entidades de Destinos (UNEDESTINOS), explica que a medida de 2019 tornou os destinos brasileiros mais competitivos na captação de eventos internacionais. “Convention & Visitors Bureaus trabalham na promoção e apresentação de destinos para atração de congressos, feiras, convenções e simpósios para uma cidade, apresentando seus atributos e diferenciais, em um esforço de convencimento. A indústria de eventos mobiliza toda uma cadeia produtiva, gerando novas oportunidades, negócios, emprego e renda, injetando a economia com dinheiro novo. A isenção de visto para países estratégicos é um atributo a mais para o destino, uma vez que irá receber palestrantes, profissionais, expositores, imprensa e milhares de potenciais participantes”, conta o executivo. “Em uma candidatura na qual os concorrentes não possuem necessidade de visto, tal fator pode ser crucial na definição do destino”, completa.

“Nos oito meses em que a isenção de vistos teve condições de mostrar resultados antes do choque da COVID-19, os quatro países isentados enviaram ao Brasil quase 80 mil turistas a mais do que o previsto”, esclarece Prof. Glauber Santos, a partir de uma análise econométrica que comparou o número de chegadas de turistas internacionais no Brasil registrado pelo Ministério do Turismo, com o número previsto de turistas caso a isenção de vistos não tivesse sido implementada.

“Considerando-se o perfil de gastos dos turistas desses países no Brasil, estima-se que a receita adicional tenha sido de R$ 328 milhões. Além disso, os dados mostram que o efeito da isenção de vistos ainda estava se consolidando quando foi abruptamente interrompido pela pandemia. A diferença entre o número real e o previsto estava crescendo a cada mês. Isso é esperado, pois o efeito da isenção de vistos não é imediato já que o mercado consumidor leva algum tempo para se ajustar às novas regras. Se a tendência crescente tivesse se mantido, estima-se que o resultado da medida poderia ter passado de 200 mil turistas e R$ 800 milhões por ano”, complementa o Professor. As previsões contrafactuais foram elaboradas por meio de uma metodologia econométrica consagrada para séries temporais e analisou o padrão dos fluxos turísticos desde 1989.

O professor ainda detalha que a isenção de vistos tem sido repetidamente evidenciada pela pesquisa científica como uma política com efeito positivo sobre a atração de turistas. “Por exemplo, um estudo de pesquisadores da Universidade de Michigan, que analisou os fluxos turísticos internacionais de 124 países ao longo de 14 anos, constatou que o efeito da dispensa de vistos é positivo”. Segundo a pesquisa, fluxos turísticos isentos de vistos são até 120% maiores do que aqueles em que o documento é exigido. “Além disso, os pesquisadores mostraram que o efeito da isenção sobre o turismo cresceu significativamente ao longo dos anos”, aponta Santos. Outro estudo, desenvolvido por pesquisadores de universidades taiwanesas acerca dos países da OCDE, também demonstrou que o impacto da desobrigação dos vistos é positivo. “Contudo, esse trabalho sugere que as oportunidades de ganhos têm diminuído nos últimos anos à medida em que o número de países com isenção tem aumentado. Parece estar havendo uma corrida por isenções e turistas em que o Brasil acaba de tomar a contramão”, sugere.

O crescimento apontado pela análise foi intensamente afetado pela crise da Pandemia da COVID-19, decretada em março de 2020, que praticamente paralisou toda a atividade do setor de turismo, eventos e viagens. “Durante praticamente dois anos, todas as decisões de captação de eventos foram interrompidas. O momento atual é de clara retomada e o Brasil precisa estar competitivo para que esses novos encontros possam incrementar a economia nacional. A medida anunciada nas últimas semanas se torna um contra-argumento”, opina Toni Sando, da UNEDESTINOS. “Não houve tempo hábil, por conta da pandemia, para se concluir de forma definitiva de que a isenção de vistos não é positiva de forma plena para o turismo no Brasil”, completa.

“Os números apresentados sugerem que a isenção de vistos em 2019 teve um impacto positivo considerável sobre o turismo. Contudo, é verdade que houve pouco tempo de normalidade para avaliar os resultados da política de forma mais definitiva. As estimativas aqui apresentadas contam com uma margem de erro não desprezível em razão do curto período avaliado. De qualquer forma, as evidências sugerem que o Brasil não é diferente do que reza a literatura científica acerca dos outros países: aqui também a isenção de vistos atrai muitos turistas”, finaliza o Professor.

*Para mais informações sobre a UNEDESTINOS, o interessado deve acessar Unedestinos.com.br. Para mais detalhes sobre a análise do Professor Glauber Santos, o e-mail para contato é glauber.santos@usp.br.*

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