Quais as armadilhas por trás das passagens aéreas com “descontos imperdíveis”?

Por Tom Canabarro*

Você já viu algum banner com os dizeres “Promoção: Passagens aéreas pela metade do preço!”, referente a alguma agência de viagem cujo nome você nunca ouviu falar? E já ficou tentado em fazer essa compra que é aparentemente imperdível e economizar dinheiro para a viagem de férias ou do próximo feriado prolongado?  A tentação é enorme, mas tem algo nessa história que parece suspeito.

É preciso desconfiar. Especialmente se essas passagens (aéreas ou até mesmo rodoviárias) que estão com preço imperdível tiverem duas peculiaridades: só valerem para a emissão de bilhetes em datas próximas (dentro de um ou dois dias no máximo) e se a única forma aceita de pagamento for a transferência bancária – sem cartão de crédito, comprovante ou nota fiscal. A chance de este tipo de oferta ser na verdade algum tipo de golpe é enorme.

Muitos estelionatários se passam por agentes de viagens que aparentemente têm o dom de obter um desconto de 30, 50 ou de até mesmo 65% sobre aquela mesma passagem que você viu em outro site da companhia aérea. Independentemente do dia da semana, do horário ou do destino, só que os métodos que estes agentes utilizam para obterem os bilhetes são muito questionáveis.

Mas, afinal, como funciona o golpe?

Um consumidor desavisado se interessa pela oferta “imperdível” anunciada na internet, entra em contato com o suposto agente de viagens, geralmente por meio de Facebook ou WhatsApp, e acerta a compra da passagem. Nestes casos, as emissões só podem ser feitas para datas próximas.

O pagamento também é imediato, para uma conta cujos dados bancários o agente de viagens informará. O consumidor realiza a transferência e, no mesmo instante, o gera o bilhete e envia o voucher para o cliente com o código do embarque. Negócio fechado, e melhor: com um enorme desconto!

No entanto, o consumidor talvez não saiba que o agente na verdade pode ser um estelionatário que utilizou um cartão de crédito clonado para comprar aquela passagem no site da própria companhia aérea, ou de alguma outra agência de viagens. O golpista obteve os dados do cartão ilegalmente no “mercado negro” e realizou a transação utilizando uma outra vítima. E, como a passagem foi adquirida para embarque próximo, as companhias aéreas ou rodoviárias dificilmente terão tempo hábil para realizarem o cancelamento e barrar aquela fraude.

Por este motivo existe a possibilidade de o suposto “agente” revender por R$ 500 uma passagem que, na verdade, custou R$ 999. É também por este motivo que a única forma de pagamento aceita foi a transferência bancária, que não pode ser revertida, caso o cliente que adquiriu as passagens queira cancelar o negócio e ter o dinheiro de volta.

Quais são os riscos?

Este tipo de golpe, que é muito comum na internet, tem consequências ruins para muitas pessoas e instituições envolvidas. Por exemplo:

Para o cliente desavisado do suposto agente de viagem

Como a compra das passagens foi feita com o cartão de crédito de um terceiro, há o risco de a fraude ser detectada a tempo pelo banco emissor do cartão e a transação ser cancelada. Dessa maneira, quando o cliente chegar ao aeroporto ou à rodoviária para viajar, pode ter uma surpresa bem desagradável e ser informado de que aquele voucher não é mais válido e que a passagem não existe.

Como a compra das passagens foi feita com o cartão de crédito de um terceiro, há o risco de a fraude ser detectada a tempo pelo banco emissor do cartão e a transação ser cancelada

Para a companhia aérea ou a agência de viagem vítima do golpe

Se a passagem comprada ilegalmente pelo fraudador não for cancelada a tempo da viagem, a empresa terá que arcar com o prejuízo e devolver o dinheiro daquela compra para o consumidor portador do cartão vítima de fraude. Há também a experiência negativa que este acontecimento gerará – afinal, a marca do negócio ficará atrelada à sensação de compra fraudulenta.

Para o portador do cartão vítima do golpe

É sempre muito desagradável saber que foi vítima de um golpe. Por mais que o dinheiro daquela compra fraudulenta seja devolvido ao portador do cartão, a sensação de vulnerabilidade pode ser tão grande que ele poderá ficar inseguro em fazer pagamentos pelo cartão na internet ou até mesmo em fazer novas compras pela internet. Além disso, as marcas que foram vítimas do golpe poderão perder pontos no inconsciente do consumidor, prejudicando a sua credibilidade. Ademais, ele irá dividir essa situação com o seu ciclo de amigos, com o objetivo de evitar que eles caiam no mesmo golpe – ou seja, a sua imagem não será bem vista perante essas pessoas também.

Para o banco emissor do cartão

O banco também tem custos operacionais e de atendimento para cancelar o cartão clonado do cliente e emitir um novo plástico – e esse processo não é barato. Além da experiência negativa do correntista, que pode achar que utilizar cartões daquele banco “não é seguro”.

Como evitar este golpe?

É claro que uma suposta “promoção imperdível”, em que é oferecido um desconto de até 65% sobre o valor real de um bilhete aéreo ou rodoviário, pode fazer um turista ficar na dúvida. Entretanto, é importante ter em mente que há o risco (grande) de a fraude ser detectada a tempo, e o viajante que adquiriu os bilhetes a partir de um criminoso ter férias as frustradas momentos antes do embarque. Além disso, o valor gasto provavelmente não será reembolsado. Sem falar, é claro, que este tipo de golpe é uma prática criminosa.

Por este motivo, a melhor solução para o consumidor evitar essa armadilha é desconfiar de ofertas muito generosas como estas. O mais seguro é realizar as compras das passagens diretamente nos sites das companhias aéreas e das agências de viagem ou, então, com agentes muito bem referenciados.

Tom_* Tom Canabarro é co-fundador da Konduto, sistema antifraude inovador e inteligente para barrar fraudes no e-commerce sem prejudicar a performance das lojas virtuais.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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