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Anac suspende voos panorâmicos de quatro empresas no Rio após fiscalização

Agência identificou possíveis irregularidades em diários de bordo, falhas operacionais e problemas relacionados à manutenção; nove das 18 aeronaves fiscalizadas tiveram operações suspensas

DA REDAÇÃO com jornais locais

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações de voos panorâmicos de quatro empresas no Rio de Janeiro após uma fiscalização identificar possíveis irregularidades em registros de voo, além de problemas no gerenciamento operacional e na manutenção de aeronaves. Entre as empresas atingidas está a Voo Rio Panorâmicos (VRP), envolvida no acidente com um helicóptero na região da Vista Chinesa, que deixou quatro mortos — três turistas colombianas e o piloto.

As empresas que tiveram as operações suspensas são Voo Rio Panorâmicos (VRP), Broad Fly, Nobre Turismo e Mr. Top Fly.

De acordo com a Anac, entre as irregularidades investigadas estão possíveis fraudes nos registros dos diários de bordo, com suspeita de omissão de minutos efetivamente voados em operações panorâmicas. A fiscalização também apontou problemas relacionados à gestão operacional das empresas e à manutenção das aeronaves.

A agência informou que a fiscalização sobre o setor será intensificada e terá caráter permanente.

Nove aeronaves são suspensas

O anúncio das medidas foi feito pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, e pelo diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein.

Segundo Faierstein, 12 empresas estavam autorizadas a realizar voos turísticos no Rio. Nove delas já haviam sido fiscalizadas e outras três ainda passariam pela inspeção. Das nove verificadas, quatro tiveram suas operações suspensas.

A situação das aeronaves também chamou a atenção da agência. Das 18 fiscalizadas, nove tiveram as operações suspensas.

“Esse é um número preocupante e altíssimo. Essas ações serão frequentes até que todas as empresas sejam fiscalizadas”, afirmou o diretor-presidente da Anac.

Faierstein acrescentou que a fiscalização deverá alcançar todas as empresas de táxi aéreo e também as organizações responsáveis pela manutenção das aeronaves, com o objetivo de reforçar a segurança das operações de helicóptero no Rio de Janeiro e no restante do país.

Antes das suspensões, segundo a Anac, 12 empresas e 46 aeronaves estavam autorizadas a realizar voos panorâmicos na cidade.

Cinco empresas ficam impedidas de usar heliponto da Lagoa

Além das medidas adotadas pela Anac, a Prefeitura do Rio informou que cinco empresas estão impedidas de utilizar o heliponto da Lagoa.

A determinação alcança Be Faster Serviços Aéreos, Bal Harbour Holding Patrimonial Limitada, Nobre Turismo Aéreo Limitada, Infinity Serviços Aéreos Limitada e Voo Rio Panorâmicos (VRP).

Segundo a prefeitura, essas empresas possuíam termo de compromisso que permitia pousos no heliponto, mas o documento não representava autorização para a realização de voos panorâmicos.

Com a medida, a Helisul permanece como a empresa autorizada a operar voos panorâmicos a partir do heliponto da Lagoa, conforme as informações divulgadas pela administração municipal.

O prefeito Eduardo Cavaliere destacou que os próprios passageiros podem verificar se a empresa contratada possui autorização para realizar esse tipo de operação.

“Além das empresas autorizadas, a gente tem empresas que não estão autorizadas tentando fazer voos ilegais a partir de algum hangar ou algum heliponto que não têm autorização para usar. Doze não são 200, não são 500 empresas”, afirmou.

Acidentes aumentam pressão sobre voos panorâmicos

A fiscalização ocorre em meio ao debate sobre a segurança das operações de helicóptero no Rio. Recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que os voos panorâmicos sejam concentrados em um corredor aéreo sobre o mar, já existente entre a Barra da Tijuca e o Arpoador.

A proposta não foi comentada durante o anúncio das medidas da Anac e da Prefeitura.

A preocupação aumentou depois de uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no estado. Treze pessoas morreram em três ocorrências somente em 2026, segundo as informações reunidas sobre os casos.

No acidente mais recente, em 8 de agosto, um helicóptero caiu em uma área de mata na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Morreram três turistas colombianas e o piloto. A aeronave estava ligada à Voo Rio Panorâmicos, uma das empresas agora atingidas pela suspensão.

Em junho, seis pessoas morreram após dois helicópteros se chocarem no ar na região do Recreio dos Bandeirantes. Em janeiro, outro acidente com helicóptero deixou três mortos em Guaratiba, na Zona Oeste.

Frota de helicópteros cresce 29% no Rio

O aumento das operações também aparece nos números da frota. Dados da Associação Brasileira de Aviação Geral indicam que o Rio passou de 247 helicópteros em 2023 para 319 em 2026, acréscimo de 72 aeronaves, ou aproximadamente 29%.

Os voos panorâmicos acompanham essa expansão. Segundo dados citados pelo Ministério Público Federal, foram realizados cerca de 25 mil voos panorâmicos no Rio em 2025.

O volume corresponde a uma média aproximada de 2 mil operações por mês ou 68 voos panorâmicos por dia.

Levantamento aponta voos abaixo da altitude mínima

Outro ponto analisado pelas autoridades é o cumprimento das regras de altitude.

Levantamento da Aeronáutica incorporado a uma investigação do MPF indicou que 28% das aeronaves que operaram no Aeroporto de Jacarepaguá entre outubro de 2025 e abril de 2026 passaram abaixo de 500 pés, aproximadamente 150 metros.

Os helicópteros representaram 65% dos registros de descumprimento identificados no levantamento.

A altitude mínima de 150 metros é exigida para aeronaves que pousam ou decolam do Aeroporto de Jacarepaguá ao cruzarem as avenidas das Américas e Abelardo Bueno. Além da segurança operacional, a regra contribui para reduzir o impacto do ruído das aeronaves sobre os moradores da região.

O levantamento integra uma investigação do Ministério Público Federal sobre os impactos sonoros provocados pela atividade aérea no Rio de Janeiro.

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