Guerra no Golfo: companhias aéreas enfrentam congestionamento no espaço aéreo e retomam operações limitadas em meio à escalada do conflito
A guerra no Golfo desencadeada pelos ataques iranianos força a reorganização da malha aérea internacional, levando gigantes da aviação a retomarem operações de forma restrita enquanto milhares de passageiros permanecem retidos na região.
REDAÇÃO COM agências internacionais
Em meio ao fechamento do espaço aéreo no Golfo Pérsico, as companhias aéreas iniciam uma delicada retomada operacional. A Emirates anunciou que, a partir do fim desta segunda-feira, passará a operar um número reduzido de voos, priorizando passageiros com reservas mais antigas. Já a Etihad Airways informou que realizará apenas operações específicas de reposicionamento de aeronaves, transporte de cargas e voos de repatriação, sempre sob coordenação das autoridades dos Emirados Árabes Unidos e condicionadas a rigorosas aprovações de segurança.
O cenário é considerado o mais caótico desde a pandemia de coronavírus. Dezenas de milhares de viajantes encontram-se retidos em hubs estratégicos como Dubai e Catar. A continuidade dos ataques com mísseis e drones iranianos mantém o espaço aéreo sob tensão, agravada por incidentes militares que ampliam o risco operacional.
Dados do FlightRadar24 e do site do Aeroporto Internacional de Abu Dhabi indicam que voos especiais da Etihad decolaram nesta segunda-feira. O próprio aeroporto esteve entre os alvos atingidos por drones e mísseis no fim de semana, episódio que resultou em uma morte e diversos feridos.
Maior companhia aérea internacional do planeta, a Emirates suspendeu suas operações regulares para Dubai até as 15h de terça-feira (horário local), alertando ainda para possíveis impactos até quinta-feira. A Etihad prorrogou cancelamentos no mesmo período, enquanto a Qatar Airways interrompeu voos de e para Doha devido ao fechamento do espaço aéreo do Catar.
Sem alternativas aéreas, passageiros nos Emirados Árabes Unidos buscam rotas alternativas, como deslocamentos marítimos rumo a Mumbai ou trajetos terrestres até Omã. O Reino Unido informou estar avaliando estratégias para retirar aproximadamente 300 mil cidadãos britânicos que permanecem na região.
A instabilidade levou a Arábia Saudita e a Jordânia a restringirem parcialmente seus espaços aéreos. No Chipre, o impacto também foi sentido após um drone atingir uma base britânica, provocando o cancelamento de voos por parte da EasyJet e da Deutsche Lufthansa.
Na Ásia, a Cathay Pacific Airways suspendeu serviços para o Oriente Médio até 5 de março, enquanto a IndiGo, na Índia, estendeu sua paralisação até terça-feira.
Os reflexos financeiros foram imediatos. Na Europa, as ações da Lufthansa recuaram até 11%, enquanto o grupo IAG, controlador da British Airways, registrou queda de até 13%. Já a Air France-KLM perdeu 10% no início do pregão. Em Hong Kong, os papéis da Cathay chegaram a cair 7%, percentual semelhante ao da Singapore Airlines, enquanto a Qantas Airways registrou baixa de até 10%.
A escalada do conflito também impulsiona o preço do petróleo, pressionando o custo do combustível — principal despesa das companhias aéreas — e elevando ainda mais os gastos operacionais, sobretudo diante da necessidade de rotas mais longas para contornar áreas interditadas.
A autoridade de aviação civil dos Emirados Árabes Unidos informou ter assistido mais de 20 mil passageiros afetados. A região, tradicionalmente reconhecida como um dos maiores conectores globais, tornou-se epicentro de uma crise sem precedentes na aviação moderna.
Aeroportos estratégicos foram atingidos no fogo cruzado. O de Abu Dhabi confirmou uma morte após a interceptação de um drone. Em Dubai, danos estruturais em um terminal deixaram quatro funcionários feridos. Instalações no Bahrein e no Kuwait também registraram impactos de drones e ferimentos leves em funcionários.
Embora o Oriente Médio esteja habituado a restrições pontuais no espaço aéreo, uma paralisação de tamanha magnitude é inédita. O confronto envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos amplia os riscos geopolíticos e lança incertezas sobre uma das regiões mais estratégicas do mundo para o transporte aéreo e para o mercado global de energia.




