EXCLUSIVO: Hotéis Marabá, Excelsior e Timbiras, ícones da hotelaria paulistana, fecham definitivamente

Empreendimentos localizados no entorno da Praça da República, no centro histórico de São Paulo, não suportaram a crise imposta pela pandemia de coronavírus

POR ZAQUEU RODRIGUES

Os hotéis Excelsior, Marabá e Timbiras fecharam as portas definitivamente na capital paulista em função da grave crise imposta pela pandemia de coronavírus. Os três hotéis eram operados pela rede Tempus Hotelaria e estão localizados na Avenida Ipiranga (Excelsior e Marabá) e na rua dos Timbiras(Timbiras), na região da praça da República conhecida como Cinelândia Paulistana.

De acordo com fontes internas, que preferem não ser identificadas, os hotéis fecharam de vez e todos os funcionários foram desligados. Procurados pela reportagem, os proprietários informaram, por meio da sua representação legal, que preferem não se pronunciar agora. Eles aguardam o momento mais adequado para se manifestar publicamente.

Os três hotéis já haviam fechado as portas temporariamente por três meses no primeiro semestre de 2020. Marabá e Timbiras reabriram em julho e agosto de 2020 com operações reduzidas e com a expectativa de melhora na pandemia, o que não aconteceu. A reabertura do Excelsior estava marcada para setembro, mas não chegou a se concretizar.

A maioria dos clientes dos hotéis era do interior do estado e vinham fazer compras no centro da capital, principalmente na rua 25 de março. Antes da pandemia o Marabá registrava ocupação média de 70%. No primeiro mês após a reabertura, em julho de 2020, a ocupação alcançou 28,5%. A longevidade da pandemia impossibilitou qualquer retomada.

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Em dezembro de 2020 a HotelCare deixou a operação dos hotéis. Na ocasião, a HotelCare explicou ao DIÁRIO que o fluxo instável e de tímida retomada das atividades corporativas ficaram aquém do patamar desejável, tornando-se inviável prosseguir na operação. Em janeiro de 2021 os hotéis Marabá e Timbiras voltaram a fechar.

Última publicação nas redes sociais do Marabá: “Olha que vista linda que temos aqui em nosso hotel! 😍” (foto: reprodução)

Nas páginas do Instagram e do Facebook do hotel Marabá, a última publicação data de 27 de maio deste ano (foto ao lado). No site do Marabá, único dos três que permanece no ar, não há informações sobre o fechamento. O cliente descobre que não poderá se hospedar ao usar o sistema de reserva online. Todas as datas aparecem com um X vermelho, impossibilitando a continuidade.

Os hotéis Marabá e Excelsior são dois empreendimentos clássicos da hotelaria urbana brasileira. O Excelsior foi projetado pelo renomado arquiteto Rino Levi (1901-1965). Uma parte da fachada do hotel é tombada como patrimônio pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

Já o hotel Marabá foi inaugurado em 1944 e nos conduz por uma viagem até o início do século 20, mais precisamente 1922, ano de inauguração do suntuoso e hoje extinto hotel Terminus, que posteriormente foi agregado ao hotel Marabá, construído ao seu lado. Hoje o hotel Marabá compreende dois edifícios, sendo um deles o do antigo Terminus.

Segundo um especialista em operação hoteleira ouvido pela reportagem, tanto o hotel Marabá quanto o Excelsior, repletos de histórias, têm espaço para se reerguerem do zero. No caso do Excelsior, no entanto, cujo edifício é arrendado, essa tarefa será um pouco mais desafiadora. “Com a crise é impossível pagar um aluguel fixo”, explica ele ao DIÁRIO.

Os três hotéis refletem o cenário dramático vivido pela hotelaria desde o início da pandemia de coronavírus, que já matou mais de 547 mil pessoas no Brasil, e integram a longa lista de estabelecimentos de hospitalidade que foram obrigados a fechar de vez. De acordo com a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), mais de 3 mil hotéis, hostels e pousadas encerraram as atividade definitivamente em 2020.

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ZAQUEU RODRIGUES
ZAQUEU é jornalista há mais de uma década e escreve sobre Cultura, Hotelaria e Turismo Contato: zaqueufogaca@gmail.com

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