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A Lava Jato e seus reflexos no turismo, por Marcelo Vianna

Por Marcelo Soares Vianna*

Ideologias à parte, o fato é que “nunca antes na história desse país” houve uma investigação como a operação Lava Jato. Ao revelar um enorme esquema de corrupção há décadas entranhado no Brasil, a Lava Jato acaba por desestabilizar a política nacional e, por consequência, o mercado como um todo, inclusive o do turismo.

Ignorar os reflexos (atuais e futuros) de toda esta crise institucional é negar o óbvio. O momento que estamos atravessando (e falo para além da crise econômica) afetará (ou deveria afetar) o modo como todos nós brasileiros percebemos as relações sociais e comerciais, o que por óbvio incluiu nossa forma de atuar no âmbito profissional.

O Poder Judiciário, ao que parece, acordou ou foi forçado a acordar (e aqui não pretendo adentrar na análise de pontuais excessos nos atos até então praticados ao longo da operação Lava Jato) para efetivamente combater a corrupção sistêmica entranhada em todos os níveis da sociedade brasileira, doa a quem doer.

E quando se fala em corrupção, é preciso ter em mente um conceito mais amplo, que envolve desde os grandes golpes que estão sendo, pouco a pouco, revelados pela operação Lava Jato até as pequenas ações de nosso dia a dia, seja no âmbito pessoal ou profissional.

Tudo isso deve influenciar a dinâmica das relações entre nós brasileiros e, também, a imagem com que seremos vistos a partir de então perante o mundo, seja na condição de turistas, quando vamos ao exterior, seja na condição de anfitriões, quando recebemos os estrangeiros por aqui, e ainda quando, na qualidade de profissionais do turismo, estabelecemos transações comerciais internacionais.

O tsunami Lava Jato (que parece estar longe do fim), cedo ou tarde, deve afetar todas estas relações, exigindo do brasileiro uma profunda revisão de seu jeito de ser e agir, pois o conhecido “jeitinho” talvez não seja mais tão tolerado a partir de então. Uma mudança assim pode parecer sonho no Brasil, mas quem imaginaria uma Lava Jato (e seus reflexos) há alguns anos? Eu não.

*Marcelo Soares Vianna é mestre em direito, advogado atuante no setor do turismo, sócio do escritório VIANNA & OLIVEIRA FRANCO ADVOGADOS (www.veof.com.br) e responsável técnico pelo conteúdo desta coluna. Para eventuais considerações sobre o material publicado, está à disposição pelo endereço: [email protected].

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