Litoral nordestino continua lindo mesmo depois do pesadelo do óleo

  • por NAIRSON SOCORRO*

O acidente ambiental até hoje não explicado, e as consequências nefastas das manchas de óleo que invadiram as praias dos nove estados nordestinos desde o final do mês de agosto passado, (e que no mês de dezembro, em menor escala, chegou ao litoral capixaba e carioca), afetou o fluxo turístico da região neste verão, porém a diminuição nas reservas foi inferior aos prognósticos iniciais, O setor absorveu o problema, mostrando que o maior dano foi o ambiental. Suas consequências são imensuráveis, pois não se sabe qual a quantidade do produto que está alojada ainda no fundo do mar, longe da visão humana. As notícias do acidente, fizeram com que pacotes, então adquiridos para o Nordeste, fossem suspensos e alguns turistas mudassem o roteiro, mas hoje a situação está praticamente normalizada, conforme avaliação do próprio setor empresarial.

Primeiros sinais

Os primeiros sinais de óleo foram registrados em 30 de agosto do ano passado no litoral da Paraíba e foi se espalhando por todo o Nordeste. Desde então, o material proliferou rapidamente pela costa e atingiu todos os estados, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. Conforme levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), cerca de 1000 pontos em de praias, manguezais e rios, em 130 cidades brasileiras em 11 estados foram afetados.
Não bastasse as consequências ambientais, acrescidos do impacto negativo da imagem que o Brasil vem enfrentando recentemente, (o acidente de Brumadinho-MG, as queimadas em florestas na região amazônica e a liberação pelo Ministério da Agricultura de agrotóxicos, entre outros), a contaminação no litoral provocou danos irreparáveis a imagem do país no exterior. As consequências só não foram maiores, por força de ações da população, de empresários e de agentes governamentais das localidades atingidas, que se uniram de norte a sul para a limpeza das praias, e diminuir seu impacto na atividade turística.

Segundo Manoel Lisboa, diretor da ABIH Nacional, os números de janeiro poderiam ser maiores, caso não houvesse o acidente ambiental (Crédito: arquivo DT)

Grande fluxo

Mesmo com o ocorrido, os empresários de setor estão comemorando o grande fluxo de turistas que está chegando para usufruir do verão nordestino. Os números poderiam ser maiores, caso não houvesse o acidente ambiental, conforme a opinião do diretor administrativo da Associação Brasileira da Industria Hoteleira (ABIH Nacional), Manoel Lisboa Barbosa. A boa ocupação hoteleira deverá permanecer até o período carnavalesco, evento muito forte em várias partes da região, notadamente nos estados da Bahia e Pernambuco.
Quando começou a circular em todo o país as notícias dando conta do surgimento das manchas de óleo, várias reservas foram canceladas, mas com o passar do tempo, assim que os clientes perceberam que os impactos do acidente estavam sendo controlados, o fluxo foi se normalizando, diz Barbosa.
Janeiro, conforme dados da ABIH Nacional, é o melhor mês para a hotelaria nordestina, e este ano o receio que não fosse, não se confirmou, por isso os empresários estão festejando a boa ocupação. Segundo o diretor administrativo da entidade nacional, a mesma ainda não tem os números oficiais do período, mas ele tem certeza que deverá ser superior a 80 por cento. Nos finais de semana a ocupação está sendo de 100 por cento em estabelecimentos localizados em regiões mais consolidadas com o turismo de sol e mar, a exemplo do sul da Bahia, Salvador, Recife, Maceió, Natal, e Aracaju, entre outros polos.

As praias da região estão intactas (Crédito: Otaviano Maroja)

Praias maravilhosas

A mineira de Belo Horizonte, Maria Quitéria de Almeida Xavier que desde o primeiro semestre do ano passado tinha definido suas férias para o Nordeste, (inclusive com aquisição do pacote), disse que quando tomou ciência do acidente ambiental ficou em dúvida se faria o roteiro (praias do Nordeste), ou se mudaria seu destino. Porém, depois que procurou informação com amigos residentes na região, percebeu que havia um certo exagero nas notícias sobre o acidente ambiental, “…então decidi manter minha programação e foi a melhor coisa que fiz. As praias são maravilhosas e não vi registro de mancha de óleo nas praias que visitei”. Acrescentou ela, ao afirmar que em 15 dias, conheceu as praias de do litoral sergipano e parte do litoral baiano, encerrando suas férias em Morro de São Paulo no estado da Bahia.
O último balanço divulgado pelo Ibama aponta que ainda há vestígios de óleo em algumas localidades, porém especialistas afirmam que a quantidade é tão pequena que já não oferece riscos aos banhistas. “A maioria das praias está livre agora daquelas manchas pretas, e isso faz com que a gente fique mais tranquilo em relação aos riscos à saúde”, diz o diretor administrativo da ABIH.
Órgãos governamentais dos estados nordestinos que ainda analisam os impactos causados pelo acidente ambiental na atividade turística na região, não vislumbram prejuízos ao setor. O Maranhão, não registrou baixas no turismo; a Bahia, assim como Pernambuco, Sergipe e Alagoas, registraram relativo crescimento neste verão em relação ao ano passado, mesmo com o problema, situação semelhante aos estados de Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piaui.


NAIRSON BARRETO –  NORDESTE
Nairson Barreto Socorro é  jornalista, graduado em Turismo e História pela Universidade Tiradentes – UNIT, e pós-graduado em Turismo e em Cultura Popular pela Faculdade de Sergipe – FASE, diretor da Rádio Boas Novas Aracaju e editor da revista Viaje Sergipe. Responde pela coluna NORDESTE.

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