Operadores de turismo alinhados ao projeto Turismo Ético e Responsável

O projeto editorial do DIÁRIO “Turismo Ético e Responsável” tem encontrado ressonância junto a operadores e profissionais do turismo nacional. O período de reclusão e releitura de estratégias impostos pela pandemia do Covid-19 apenas reforçou uma tendência global de consciência e solidariedade. O presente projeto atende um tripé de sustentabilidade social, ambiental e econômica e tem início analisando o uso escravo e violento de animais em atrativos turísticos.

REDAÇÃO DO DIÁRIO

O cerne do projeto, portanto, é o alinhamento à empresas que têm em seu dna iniciativas que promovam a paz, a harmonia e a sustentabilidade das comunidades em que estejam inseridas e, ao mesmo tempo, promovam a proteção à vida.

Asia Total: totalmente contra o turismo irresponsável

A operadora Ásia Total é uma dessas empresas que trabalham com essa nova percepção de que os bens, as pessoas, os animais e os recursos de um destino não podem ser apenas um objeto de uso para o deleite do turista, ou para o lucro.

“Muita coisa mudou dos anos 70 para cá, afirma Jefferson Santos, diretor da Ásia Total. O Elefante, por exemplo, é o símbolo da Tailândia e ele foi durante muito tempo o trator, o caminhão, o animal que ajudou no desenvolvimento da região. Ele era responsável em desbravar florestas para que o comércio e a civilização em si fosse implantada”, explica Jefferson.

O experiente operador é especialista em destinos asiáticos (Foto: DT)

O experiente operador e especialista em destinos asiáticos ensina que os elefantes por seu grande número na região – com o passar dos anos – eram subutilizados e muitos adoeciam ou morriam de fome. “Com o desenvolvimento do país, a partir da segunda metade século XX, os bichos foram colocados de lado, ou sendo aos poucos utilizados como atração turística”, diz. A indústria do turismo da Tailândia teve um forte crescimento na década de 80 e, recorda Jefferson, que nesse período o próprio governo decidiu de que para preservar os animais e mantê-los saudáveis e alimentados a indústria do turismo seria a solução. ”Aos poucos foi virando um negócio, e isso prorrogou-se por todos os anos 90 e a primeira dezena de anos do século XX”, explica.

Latino ainda gosta do exótico

Jefferson lembra que uma esmagadora parcela de turistas da América Latina tem um gosto especial pelo que é diferente. “O latinoamericano adora ver o exótico, em especial as mulheres girafas, passear de elefantes, ver os asiáticos comerem escorpiões, gafanhotos etc. O latino sempre teve uma paixão, uma curiosidade por aquilo a que chamamos de exotismo”…

Latinoamericanos gostam do exótico, como as mulheres girafas, da Tailândia (Crédito: arquivo digital do DT)

Nasce a consciência

No entender de Jefferson, o público estrangeiro começa a adquirir sua consciência no quesito preservação da natureza e no respeito aos animais. “Depois do grande barulho e repercussão que as revistas americanas (Time, especialmente) fizeram, os americanos, os europeus foram tomando consciência. O sudeste asiático começou a olhar para esse tema quando o americano começou a botar a boca no trombone”, pontua.

Jefferson lembra que os tailandeses descobriram que ao invés de explorarem o elefante jogando bola ou pintando quadros, tiveram a sacada muito positiva de turismo imersivo. “Passaram a convidar o turista estrangeiro a conhecer de fato como o animal interage com o ecossistema em que vive, como se alimenta. Implantaram em seus roteiros trabalhos voluntários, casando parcerias com grandes bandeiras hoteleiras”, comenta.

A Tailândia possui hoje inúmeros campos de conservação e reabilitação de elefantes. O turista mais esclarecido vai para lá para participar do processo de reabilitação de elefantes, participa de operações veterinárias, trata o animal.

“Os proprietários desses animais descobriram que as pessoas estão dispostas a pagar muito mais por uma imersão real como esta do que fazer um circuitozinho no dorso de um elefante, um passeio de meia hora.

“Os proprietários desses animais descobriram que as pessoas estão dispostas a pagar muito mais por uma imersão real” (Jefferson Santos) – (Crédito: arquivo Pixabay)

Jefferson explica que sua empresa operadora de turismo trabalha desde 2010 com esses campos e propriedades e está alinhada à missão de conservar o elefante em seu habitat e mostrar aos visitantes estrangeiros a vida do animal como um todo e como ele deve ser protegido.

“Os campos de reabilitação estão cuidando dos seus elefantes de maneira exemplar e a minha aposta é conforme os mercados reabram, a proposta é aproveitar isso, essa demanda de aumento da consciência ambiental e de amor aos animais”, pontua o operador.

Baque

Representante para a América do Sul do Tourism Authority of Thailand, Jefferson Santos acrescenta que o turismo da Tailândia sofreu um baque muito forte este ano. “Em 2019 a Tailândia recebeu 40 milhões de turistas. Este ano os números despencaram para 10 milhões”, adianta.

Com 75% de suas operações na Ásia, a operadora de Jefferson começou a experimentar os efeitos da pandemia em dezembro de 2019. “Já vínhamos desde o final o ano passado sentindo os efeitos da pandemia e nossas vendas para o Japão e China despencaram”, revela. “Agora, com a abertura dos mercados, a Ásia vai ser muito procurada, as pessoas estão atrás de outros valores”, prognostica o operador de viagens.


*Acompanhe nas edições do DIÁRIO as reportagens sobre TURISMO ÉTICO E RESPONSÁVEL 

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